Beba sem moderação

outubro 19, 2009 · Posted in Lazer · Comment 

Hoje o Bigode ganha mais um Fio. Trata-se de grande defensor das boas causas, principalmente das que à primeira vista parecem não ser muito importantes, mas que na essência são extremamente relevantes, imperdíveis e fundamentais, como ele mesmo gosta de dizer.

Com vocês, o humor fino e o conhecimento das boas coisas da vida do nosso novo bloguista.

Vai que é sua Pedrão!

por Pedrão

Nos dias de hoje, está na moda dizer que beber com moderação uma taça de vinho na refeição faz muito bem à saúde. Parece que o vinho tem componentes que dilatam as artérias e diminuem o colesterol ruim no sangue. E dizem que os franceses, apesar da comida gordurosa, sofrem menos de doenças coronárias do que a média da população de outros países, o que é computado ao consumo de vinhos.

Pode ser, mas esse negócio de que beber uma taça de vinho por dia faz bem à saúde não é comigo. Tudo bem que cuidar da saúde é importante, mas vinho não é remédio. Vinho está em outro departamento, existe para dar prazer e alegria. Se for para beber, é para valer.

Bom, vamos colocar as coisas nos devidos lugares, para também não pensarem que agora entrou um pau d’água no Fio.Do.Bigode, falando um monte de besteiras. Beber para valer nas horas certas. Antes de mais nada, bebida é na hora do lazer, da diversão, sem compromisso. Bebida não combina com coisa séria.

Toda vez que bebida entra em assunto sério acaba causando confusão. Veja nosso caso, um blog com a seriedade do Fio.Do.Bigode colocando em risco seu prestígio. Porque a única explicação no convite que o Beto me fez para colaborar com o blog é a de que ele estava de fogo quando pensou em tamanha temeridade.

Bebida também não combina com trabalho. Nos dias de trabalho, que infelizmente representam a maioria na nossa existência, o negócio é água, suco ou chá. Vá lá, uma coca zero. coca light já não dá. É insuportável. E coca normal é para os menores de 40 anos.

Nas poucas vezes que tentei escrever alguma coisa relacionada ao trabalho depois de tomar umas e outras, me sentia um gênio com idéias brilhantes, por que não dizer revolucionárias. Ainda bem que mantive um resquício de sobriedade para deixar a conferência para o dia seguinte. Pelo amor de Deus! No pouco que fazia algum sentido, a quantidade de asneiras era inacreditável.

Não preciso nem dizer que bebida também não combina com fossa. Nessa hora, é melhor ficar sóbrio, se precisar conversar, desabafar, que seja com alguém também sóbrio. Bêbado na fossa é muito chato. Fica debruçado em cima de algum coitado que normalmente não está na fossa. Pior, também não está bêbado. E não há quem segure a choradeira, normalmente em volume perceptível em todo o quarteirão.

Por fim, bebida não combina com valentão. Homem que gosta muito de arrumar encrenca, de brigar, já é meio esquisito. De todo modo, gosto não se discute, se quer muito brigar, ficar se esfregando em outro homem, problema de cada um. Mas é melhor fazer isso sóbrio, porque se beber muito vai acabar apanhando.

Ah sim, quase ia me esquecendo. Bebida é legal nas horas livres, quando estamos absolutamente à vontade. Agora se o planejamento no dia envolve atividades na alcova, de caráter libidinoso, é preciso cautela. Sobretudo para os homens. Quando a intenção é essa, o exagero na bebida pode causar embaraço. Até certo ponto ajuda, mas ultrapassado esse ponto, a eficiência, em alguns aspectos, corre o risco de ficar comprometida.

Feitas essas ressalvas, nada de bebida para fazer bem para a saúde. O que faz bem para a saúde é vagem sem sal cozida no vapor. Chuchu refogado sem nenhum tempero. Arroz integral com cenoura ralada crua. Acompanhado de água. Ou chá de losna.

Bebida é para se divertir. Um bom whisky na sexta feira, após uma semana de trabalho. Tomar uma bela cachaça nos domínios do Caio, em Gonçalves ou São Francisco de Xavier. O bar de cachaças na pracinha central de Gonçalves é um verdadeiro colosso! Uma cerveja na praia ou acompanhando uma farta feijoada. As cervejas estão melhorando muito, com várias opções novas.

Mas do que eu gosto mesmo é vinho. Por isso me meto a falar de vinho, dar palpites, fazer combinações com comida. Ou melhor, utilizando uma linguagem mais metida, como incumbe a quem quer falar de vinho, fazer harmonizações com pratos bem elaborados. Lógico que não sou eu quem elabora esses pratos. A depender de mim na cozinha, qualquer harmonização seria um verdadeiro desastre.

Diante da insanidade do Beto a que já me referi, vou aproveitar este espaço no Fio.Do.Bigode para falar um pouco sobre vinhos e comida. Também posso falar de algumas outras coisas, mas sobre futebol e música, assuntos que costumo me intrometer, o Beto e o Caio, ainda que com opiniões controvertidas, já estão dando conta do recado.

É bom deixar claro que os palpites que darei sobre vinhos não têm nenhuma erudição. É tudo na base da experiência, pois já bebi muito vinho. O pouco de erudição que adquiri, foi lendo alguns livros, especialmente do Saul Galvão, crítico gastronômico falecido recentemente e que era primo distante meu e do chefe aqui do Blog. Quem quiser ficar com o original e não com o plágio, recomendo o livro Tintos e Brancos, do Saul Galvão. Livro sem frescura, fácil de ler, e que dá uma visão geral das diversas regiões vinícolas espalhadas pelo mundo, com muitas indicações para o consumidor.

As opiniões que arriscarei também passam longe daquela conversa de muitos enólogos. Nada de aroma de casca de lima da Pérsia, de especiarias da Tanzânia, de grama cortada da Escócia. Tem enólogo que adora encontrar no vinho aromas de coisas que nem existem no Brasil. Sem com isso desprezar totalmente a questão do aroma, que é uma das melhores coisas do vinho. Com um pouco de atenção, alguns aromas são bem perceptíveis e gostosos, enriquecem o vinho.

Como o mercado de vinhos está aquecido, existe muita oferta interessante, com preços razoáveis. Mas também existe muita enganação, nomes pomposos, preços altos e vinhos porcarias. Naquilo que souber, tentarei dar sugestões de boas compras para quem quiser tomar bons vinhos sem ter que hipotecar a casa.

Para uma primeira intervenção, chega de falatório. Saúde para todos e até a próxima.