Final da 1ª rodada

junho 18, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

por Thais Marques

Teve de tudo nesta 1ª rodada: frango, goleada e zebra!

Pra mim, a equipe que jogou melhor foi a Alemanha, forte candidata! A Espanha realmente me decepcionou, estava esperando a fúria, mas no final eles ficaram furiosos.

A Argentina jogou como a boa e velha Argentina. Este ano estão mais guerreiros, podem dar trabalho também.

O pior gol, incontestavelmente, foi o “frango” da Inglaterra. O nome do goleiro define a forma que ele ficou após o gol — Green –, e o gol mais bonito … bom, esse eu ainda não vi, mas teve vários gols espíritas, um deles do próprio Brasil. Com esta bola (jabulani) tem que chutar, pois uma hora entra, mas acho que eles só perceberam isso no 2º tempo.

Falando no Brasil, o times jogou da forma Dunga de ser. No começo não arriscou e 2×0 estava de bom tamanho, mas não esperava tomar um gol quase no fim do jogo. O importante é que fizeram uma “boa” estréia, pelo menos ganharam e estão em 1º do grupo (bem discurso de Dunga). Vamos esperar que o 2º jogo seja melhor, que tenham mais desenvoltura e que o Luis Fabiano entre em campo, pelo menos para não atrapalhar, pois ele não conseguiu acertar nenhum passe, que dirá fazer um gol! Mas é isso ai, é o que temos para hoje!

E o Maradona, o que falar dele? Pelo que estou vendo ele será um personagem nesta copa. Antes do 2º jogo, já falou de meio mundo, e claro que não foi bem de ninguém e lógico que o Brasil não passaria em branco. Ele nunca vai esquecer do Pelé e toda oportunidade que tem dá uma alfinetada.

Bom, é isso ai. Não tivemos grandes surpresas nesta rodada, apenas a Espanha que perdeu para a Suíça, que também não refresca em nada a vida do Brasil!

Meu palpite para o próximo jogo é Brasil 3 x Costa do Marfim 1. E o de vocês?

Um Grande Beijo.

Ídolos, heróis e mansos de espírito

outubro 13, 2009 · Posted in Esporte · Comment 

por Beto Lyra

No post “Heróis em preto e branco”, contei sobre minha experiência com futebol e sobre aqueles que considero grandes personagens. Um deles, herói de todo brasileiro, foi e ainda é Pelé. Reverenciado como Rei, foi um jogador de futebol único, inigualável, o maior de todos. Não há e nem nunca houve alguém que pudesse rivalizar com ele. Todos os grandes jogadores do mundo reconhecem, como leais súditos, o verdadeiro Rei. Há uma única exceção, o argentino Maradona, ótimo jogador de futebol, mas sempre uma figura histriônica, cujos dois grandes momentos, que ele mesmo se orgulha de contar, foram o gol de mão contra a Inglaterra, na Copa de 1986, no México, e depois o episódio da tal água “batizada” com tranquilizantes, que ele e companheiros da seleção argentina ofereceram aos brasileiros em jogo da Copa de 1990, na Itália. Dá pra ser herói assim?

Lembro bem das transmissões ao vivo de jogos pela TV, em que um dos maiores locutores esportivos, Mario Moraes, narrava os  lances do jogo chamando todos os jogadores pelos nomes e, no caso de Pelé, como justo reconhecimento à sua nobreza, apenas empregava um simples e sonoro, porém majestoso, “Ele”.

Li no excelente e oportuno post do Caio “Ídolos (argh)”, que ele considera Pelé um caso único de herói de verdade, apesar de politicamente correto. Acrescento apenas que vejo o Pelé herói da mesma maneira que os antigos gregos viam seus deuses heróis: como personagens capazes de verdadeiras façanhas, mas sempre com suas fraquezas expostas, fraquezas estas que os levavam a cometer erros humanos, a vacilarem, a ponto de serem até mesmo derrotados.

Assim, ao lado da face boazinha, correta, temente a Deus, Pelé teve suas fraquezas plenamente humanas, tanto nos campos de futebol quanto em sua vida privada.

Pelé nunca foi santo. Como dizia Mario Filho, em seu livro “O negro no futebol brasileiro”, ao contrário da maioria dos jogadores da época — Garrincha inclusive –, que apanhavam e ficavam quietos, Pelé reagia. Depois de uma falta, levantava e olhava seu adversário fundo nos olhos e revidava quase sempre. Ele machucou intencionalmente vários adversários ao revidar lances maldosos. Assim, quebrou a perna de seu implacável marcador Procópio, distribuiu cotoveladas, como aquela inesquecível no rosto de um uruguaio na Copa de 1970 que tentava pegá-lo, por trás, para matar um ataque brasileiro. Pelé foi soberano também na maldade. Uma maldade humana, para se defender.

Na vida pessoal dizem que não foi marido fiel, que teve problemas com a educação dos filhos e que, nos negócios, sempre esteve cercado por gente duvidosa. Enfim, uma pessoa de carne e osso, como todos nós e foi isso que fez dele o maior herói de todos, porque ninguém gosta de gente “maravilhosamente boa, sem defeitos, como Xuxa, a única humana a gerar virgem seu próprio filho, e Roberto Carlos, que mantém, em todos os shows que dá, um lugar vago na platéia para a esposa que morreu há anos.

Lembro de um grande filme, Lendas da Paixão (Legends of the fall), de 1994, com Anthony Hopkins, Brad Pitt e Aidan Quinn. Pitt e Quinn eram irmãos totalmente diferentes. O primeiro era aventureiro, humano e errado. O segundo era perfeitinho e morria de inveja de Pitt, que recebia atenções e olhares mais carinhosos das mulheres e do velho pai, Hopkins. No auge de uma das brigas familiares, Quinn pergunta: “Por que não mereço a mesma atenção que meu irmão recebe, se faço tudo direito, se sou bom marido, se cumpro todas as minhas obrigações e ele não?” A resposta do pai é a única possível de ser dada a alguém que não consegue entender a vida: o silêncio.

Só os mansos de espírito se contentam com a fantasiosa pureza interpretada pelos mestres do fingimento. Como nunca me enquadrei nesse grupo, sempre torci pela Paula contra Hortência, pela Luiza Brunet contra a virgem Xuxa, pelo Piquet pai contra o virgem Senna, pelo Erasmo Carlos contra o “rei” da Jovem Guarda.

Para finalizar, recomendo o documentário sobre Waldick Soriano, feito com brilho por Patrícia Pillar, que mostra o quão humano foi o politicamente incorreto cantor, ídolo de milhões de outros humanos.