Psiu, escute a moça com atenção…

março 5, 2010 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Depois do meu mais recente post “A mentira do aquecimento global?” além de ficar satisfeito da vida com o recorde de comentários a ele, prós e contras, tive momentos de receio por alguém me interpretar como “dono da verdade”. Que não sou é desnecessário dizer, mas é bom deixar claro que nunca tentei ser e levo algumas caneladas de amigos que não me permitem esquecer isso. Assim, quando ouvi o início da canção “Right As Rain”, “Who wants to be right as rain it’s better when something is wrong”, imediatamente decidi escrever sobre a compositora.

Falo da nova cantora e compositora inglesa: Adele. É, na minha avaliação, uma deliciosa voz interpretando jazz, soul e às vezes, folk. Quem for da minha geração facilmente vai identificá-la com Carole King, mas acho que Adele é mais pra cima e bom astral do que a diva dos anos 60 e 70. A crítica musical acha que seu estilo é muito parecido com Amy Winehouse, mas se é para tentar comparar a outra cantora contemporânea, eu ousaria dizer que o estilo e voz se comparam à voz enfeitiçada de Norah Jones.

Começou a compor aos 16 anos, Hometown Glory, e em 2007 já fazia abertura de shows importantes. Feito um raio, gravou seu primeiro disco (2008), único até agora, o álbum “19”. Ganha um doce quem adivinhar quantos aninhos tinha ao lançar o disco.

Preste atenção nas baladas alegres “Right As Rain” e “That’s It, I Quit, I’m Moving On” e também em “Make You Feel My Love”, canção de Bob Dylan (do disco “Time out of Mind”, de 1997), já cantada entre outros por Billy Joel, Neil Diamond, Joan Osborne e Maria Muldaur.

A música “Chasing Pavements” turbinou a carreira de Adele, levando-a ao segundo lugar nas paradas inglesas por 4 semanas, onde permaneceu por mais de 9 meses entre os 40 hits da ilha do chá. O álbum “19″ chegou ao 1º lugar na Inglaterra, 3º na Irlanda, 4º na Holanda e 10º na Billboard norte-americana.

Em 2009, ganhou Grammys nas categorias “Melhor Revelação Feminina” e “Melhor Performance Vocal de Cantora Pop” com a mesma “Chasing Pavements”.

Logo após o estouro de seu primeiro disco, Adele começou a trabalhar no segundo. Em fevereiro último, o produtor de rock pesado, Rick Rubin, foi contratado para produzir o álbum e ajudar a compor músicas para ele.

Deem uma escutada nessa outra canção da moça.

Som, som…testanto 1, 2, 3

novembro 14, 2009 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Maybe I’m crazy
Maybe you’re crazy
Maybe we’re crazy
Probably

(Gnarls Barkley)

Parece que após o final dos anos 70 a música sofreu algum castigo divino. Algo, inexplicável para nós mortais, ocorreu e mudou a direção da história da música pop no mundo. Se até então, talento, arrojo e inovação marcavam os gênios, depois não se conseguiu reunir essas três qualidades em uma mesma pessoa ou grupo. Talvez uma punição de Deus que, irado com a declaração de Lennon de que os Beatles seriam mais famosos do que Jesus Cristo, passou a não mais permitir que essas três qualidades fossem possuídas por uma só pessoa ou grupo. Assim, passaram a existir artistas talentosos e inovadores, mas não arrojados, ou inovadores e arrojados, mas não talentosos, ou ainda arrojados e talentosos, mas não inovadores. Entendeu aonde quero chegar?

Bem, talvez o verso acima, do grupo Gnarls Barkley, sobre o qual falarei aqui, explique por que não conseguimos retomar a trilha virtuosa de décadas passadas. Ou talvez não, talvez a loucura tenha passado, infelizmente. Mas, o fato é que nós, amantes da música, é que fomos punidos e estamos privados, desde então, de conviver com os artistas geniais, como antes.

Mesmo assim, para todos que como eu adoram música é impossível viver sem ter algum reprodutor de som por perto. Seja um toca-cd, iPod, computador ou o bom e velho rádio, o importante é, constantemente, ouvir aquele som que faz a vida ficar mais leve.

É o caso do Gnarls Barkley, nome dado à união entre o DJ Danger Mouse e o rapper Cee-Lo Green, que deu certo, muito certo. Cee-Lo tem voz marcante, típica dos afro-americanos, com uma postura no palco que para mim lembra Tim Maia, sem as reclamações e palavrões. Cee-Lo é cantor, compositor e produtor musical, e se tornou conhecido por fazer parte do Goodie Mob.

Mouse é muito mais que DJ, é multi-instrumentos. Sua carreira começou a ser conhecida em 2004, quando lançou seu “Grey Album”, uma mistura do “Black Album” do Jay-Z com o “White Album” dos Beatles. Um mês atrás, foi anunciado que Mouse tocará com James Mercer, da banda indie The Shins, formando em 2010 a dupla “Broken Bells”.

Unidos desde 2005, “Gnarls Barkley” não parou de fazer sucesso. Faz música com balanço, daquelas que obrigam a dançar, cantar e pular. Às vezes hip hop, às vezes soul, outras funk, suas canções trouxeram prêmios como Grammy, em 2007, e MTV Awards, em 2006 e 2008.

O primeiro disco, “St. Elsewhere”, de 2006, traz “Smiley Face” e a faixa que dá nome ao disco. Ambas são ritmadas, com boas letras e ajudam a quebrar um pouco o frenesi que “Crazy” e “Gone Daddy Gone” despertam e fazem com que todo o mundo se comporte como pipoca em seus shows. Vendeu quase 6 milhões de cópias e jogou a dupla nas alturas, com apresentações pelo mundo todo.

Em 2008, veio o segundo trabalho, “Odd Couple”, para mim melhor tecnicamente que o primeiro, embora bem menos contagiante. Chamo a atenção para as dançantes “Surprise”, “Blind Mary” e “Run” e as cadenciadas “No Time Soon” e “Would Be Killer”.

Confiram mais uma das apresentações ao vivo do Gnarls Barkley, em que cantam “Surprise”. Danger Mouse é o que aparece tocando órgão elétrico, com barbicha e, é claro, bigode. SOM NA CAIXA!