Gastronomia e turismo no Brasil

junho 25, 2012 · Posted in Gastronomia, Turismo · Comment 

(artigo publicado na revista Turismo em Foco, edição de junho 2012)

por Beto Lyra

Introdução

Ainda que não seja reconhecido como um destino gastronômico óbvio, o Brasil possui uma diversidade de sabores e ingredientes que impressionam chefs, gourmands e turistas de todo o mundo. A realização da Copa e dos Jogos Olímpicos no País abre uma oportunidade única para que o mundo também conheça o potencial da nossa culinária.

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Itália e França são países reconhecidos por sua vocação gastronômica. A região da Toscana, com seus vinhos, carnes de caça, azeites extravirgens e tempero mediterrâneo, está entre os lugares mais visitados pelos amantes da boa mesa. A capital francesa, que dispensa apresentações, traz opções não só para quem tem paladar sofisticado, como os apreciadores do foie gras de carnard e das trufas, mas também aos que buscam os pequenos prazeres de um pain au chocolat, um clássico das boulageries.

Não é novidade que o deleite de uma boa refeição sempre motivou o homem na busca pelos melhores sabores. A própria história do nosso continente remete ao prazer de comer. Em 1500, quando Pedro Álvares Cabral aportou em nosso País por engano, ele liderava, na verdade, uma expedição para buscar um carregamento de especiarias em Calicute, na Índia.

Desde a era das grandes navegações, viagens e comida estão associadas. Na Europa do século 18, nasceram os restaurantes, a partir da necessidade dos viajantes restaurarem as forças para vencer as jornadas entre cidades. A partir daí, abriram-se novas perspectivas para desbravadores, comerciantes e para a história da alimentação que, nos séculos seguintes, foi marcada pela evolução tecnológica que influenciou o preparo e a variedade de refeições.

Mas foi apenas no início do século 20 que excursões motivadas pela culinária começaram a surgir, com o aparecimento dos guias de viagens, que indicavam os melhores hotéis e restaurantes de cada região. O mais antigo de que se tem notícia, o Michelin, foi criado em 1900, com o objetivo de ajudar motoristas a encontrar bons alojamentos e comerem bem enquanto estavam na França. Até hoje o guia ainda é publicado e traz o suprassumo da culinária em diversos lugares do mundo. Seu sistema de cotação de restaurantes por estrelas, adotado inicialmente em 1926, virou referência no mercado.

O advento dos guias turísticos colaborou para que a gastronomia adquirisse uma importância singular no contexto turístico e diversos países começaram a explorar esse filão, principalmente os europeus, que passaram a criar roteiros com foco nas especialidades de suas cozinhas locais. Atualmente, há cidades e destinos que são visitados, sobretudo, pelo apelo culinário e por sua tradição na cozinha, como a já citada Paris e a região de Toscana.

No entanto, não só os gourmands buscam os prazeres da mesa ao viajar. Quem visita a região de Nápoles não deixa de saborear a pizza da província italiana. Da mesma forma, quem vai a Paris costuma provar algumas das iguarias da cuisine française, como o ratatouille, o confit de canard, ou o crème brûlée. Mesmo para os que não são grandes amantes da gastronomia, a degustação de um clássico originário do lugar onde se está enriquece a vivência com a cultura local.

Embora não seja reconhecido como um destino óbvio no circuito do turismo gourmet, o Brasil possui um enorme potencial nessa área. Se, por um lado, a vastidão territorial e as numerosas diferenças geográficas impedem o País de ter um único prato típico, por outro, as dimensões continentais proporcionam uma incrível variedade de opções, além de uma riqueza de ingredientes sem igual, apreciada por chefs de todo o mundo.  A mandioca, o açaí, o cupuaçu, o acarajé, a cocada, a feijoada, a caipirinha e o churrasco são alguns dos nossos elementos mais marcantes.

Essa diversidade de sabores, exemplificada aqui de forma muito breve, nós dá o panorama do quanto ainda a culinária brasileira pode ser ressaltada dentro do contexto turístico. Temos um vasto patrimônio para estruturar roteiros interessantes, que sejam fiéis à dimensão das iguarias do País.

Vale mencionar também que, no que diz respeito à sua reputação gastronômica no mercado mundial, o Brasil tem feito alguns avanços importantes, que podem ser atribuídos, principalmente, ao talento e à criatividade dos nossos chefs de cozinha.

Recentemente, três restaurantes brasileiros conquistaram boas posições no San Pellegrino World’s Best Restaurants, organizado pela revista inglesa Restaurant. O prêmio é um dos mais respeitados do setor e conta com a participação de chefs de cozinha e críticos gastronômicos europeus. Em comum, os estabelecimentos do País que aparecem no ranking da publicação procuram valorizar em seus pratos ingredientes tipicamente brasileiros.

Mas o Brasil pode ir ainda mais longe para conquistar, de fato, um merecido lugar entre os países reconhecidos pela singularidade de sua culinária. E o momento de investir é agora. A realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil, em 2014 e 2016, respectivamente, abre uma chance única. Durante esses megaeventos esportivos, teremos a presença de turistas das mais diferentes partes do mundo aqui, que poderão conhecer a vastidão da mesa brasileira. Temos a matéria-prima e a oportunidade, só precisamos atuar de modo a contribuir para uma profissionalização cada vez maior do setor de alimentação fora do lar. Assim, agências e operadoras de turismo podem passar a vender o Brasil também como um centro gastronômico.

A ANR (Associação Nacional de Restaurantes) vem atuando arduamente nesse sentido. Preocupada com a capacitação dos profissionais do setor de alimentação fora do lar, a associação mantém quatro grupos de trabalho, de modo a prepará-los para atender, da melhor forma, consumidores locais e turistas.

No Grupo de Trabalho Técnico (GT-TEC), os responsáveis pelas áreas técnicas dos estabelecimentos dividem boas práticas de fabricação, normas reguladoras e padrões de fiscalização para aperfeiçoar seus negócios. Assuntos pertinentes à gestão do capital humano e à legislação trabalhista são debatidos no Grupo de Trabalho de Recursos Humanos (GT-RH). Já o Grupo de Trabalho de Comunicação (GT-COM), é pautado por discussões relacionadas ao universo do marketing, das mídias sociais e da assessoria de imprensa. Por fim, no Grupo de Trabalho de Sustentabilidade, profissionais da cadeia de food service avaliam e compartilham caminhos e soluções sustentáveis para o ramo.

Além das reuniões periódicas desses comitês, a entidade promove palestras, workshops e seminários sobre questões relevantes e tendências, com foco na profissionalização do setor, a exemplo do Encontro Nacional de Vigilâncias Sanitárias. O evento, agendado para o dia 2 de agosto de 2012, discutirá as práticas necessárias para o cumprimento das exigências vigentes para restaurantes e operadores em cada cidade.

O trabalho realizado pela organização é de suma importância para o desenvolvimento do mercado, mas não é o suficiente. Cabe também ao poder público, em suas diferentes esferas e considerando igualmente parcerias com a iniciativa privada, propor políticas públicas e de incentivo. Já é passada a hora de planejar e executar ações para, de fato, conseguirmos explorar da melhor forma todo o potencial turístico da gastronomia brasileira. Nessa aposta, todos ganham: consumidores, restaurantes e governo.

Holanda ou Espanha?

julho 9, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

Da Redação

Vamos lá amigos. Agora é muito simples. Quem vai ganhar a Copa? Respondam à pergunta com uma simples resposta: Holanda ou Espanha? Não precisa acertar o placar. Quem acertar vai concorrer a uma camiseta linda do Fio Do Bigode, objeto de colecionador.

Claro que só vale um palpite por participante.

Vamos lá, participem!

Apátridas de chuteiras

junho 27, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

por Beto Lyra

Não sei se ocorre o mesmo com vocês, mas se há algo que me deixa “p…… da vida” é assistir a demonstrações de fanatismo. Mesmo que sejam referentes a futebol, esporte que permite todas as paixões, irracionalidades, idiossincrasias e outras tontices possíveis. Todas nobres no caso do futebol.

O fato é que, quando começam a circular carros com bandeirolas do Brasil e faixas ou bandeiras são colocadas nas casas e empresas por todas as cidades do país, fico imaginando o que realmente passa pela cabeça das pessoas que fazem isso.

Às vezes, acho que não passa nada, pois só isso explicaria de uma hora para outra alguém demonstrar tanto apego às cores de sua bandeira sem que para isso haja alguma razão conhecida e plausível. Outras, acho que passa algo pela cabeça, mas não consigo identificar o cheiro do que seja.

Alguns dirão que é impossível  não perceber que tudo isso acontece por causa da Copa do Mundo de futebol. Claro que consigo perceber isso, mas continuo não entendendo o porquê.

Nelson Rodrigues cunhou a pérola “A pátria em chuteiras”, para designar o estado de espírito que toma conta dos brasileiros na época das Copas do Mundo de futebol. Segundo o rei da irracionalidade e da paixão, o brasileiro não pega em armas para defender suas fronteiras ou interesses, mas se arma de chuteiras para torcer pela seleção e, em tese, se vingar ao menos uma vez das várias humilhações porque passa em casa, no trabalho e no cenário internacional. Há aquele sentimento de solidariedade, mal direcionado neste caso, tão necessário ao ser humano. Olhar para o lado e identificar-se com o vizinho ou com o outro carro preso no trânsito é prazer para esses pobres de espírito. E, mais, o trânsito já caótico em São Paulo fica ainda pior, pois esses patriotas de ocasião diminuem a marcha só para serem observados pelos demais.

Ainda que fosse anos atrás, quando qualquer brasileiro sabia de cor a escalação de seus times e da seleção nacional, vá lá. Mas hoje nem isso acontece. Atualmente os jogadores das principais seleções do mundo não moram, e portanto não jogam (ou mesmo nunca jogaram) em times de seus respectivos países. Não têm mais vínculos com a terra e a gente de seus países. Muita gente viu o jogo do Brasil contra a Coréia do Norte se perguntando “quem é esse na lateral esquerda, nunca ouvi falar…”

Esse “apego” se estende aos próprios jogadores das seleções da Copa. Todos abraçam e beijam seus adversários, pela simples razão de que têm mais convivência e intimidade com eles do que com os próprios companheiros de time. Não sabem cantar os hinos de seus países. Muitos sequer falam direito seus idiomas nativos. Que entusiasmo patriótico é esse então?

Só os bobocas se comovem com os gestos pueris dos jogadores ao beijar a bandeira e camiseta de suas equipes. Só inocentes podem se emocionar com a Copa e desfilar seus patriotismos impensados.

Os jogadores não têm responsabilidade sobre isso. Agem como profissionais. Levam excelente vida no exterior, com possibilidades de crescimento pessoal, profissional e cultural e comovem, de tempos em tempos, o público com beijinhos na bandeira. Isso não os satisfaz, creio eu. Fica o vazio, pois esse teatro todo não encanta a eles nem ao mestre Nelson Rodrigues. Esses “heróis” de hoje são, na verdade, apátridas de chuteiras.

Final da fase de classificação

junho 23, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

por Thais Marques

Realmente a copa do mundo está bem diferente de tudo que já vimos! Além de ser a 1ª vez na África, a “zebra” está correndo solta e os sul-americanos estão mandando na Copa.

Na chave A, o México ganhou da França de 2×0 e infelizmente a África do Sul não passou de fase, mas mandou a França para casa e pelo que pude acompanhar os torcedores não se abateram não, estavam bem felizes e fazendo muito barulho!! Afinal de contas não é sempre que uma seleção africana ganha da França.

Na chave B, a Nigéria também não conseguiu avançar, perdeu da Grécia, que está fazendo uma campanha inédita, e depois empatou com a Coréia do Sul, a Argentina com uma ótima campanha ganhou os 3 jogos, e por terminar em 1ª do grupo foi para a outra ponta da tabela. Temos que torcer para o Brasil ficar em 1º do seu grupo para se encontrar com a Argentina apenas na final.

No grupo C, as “grandes” seleções estão ameaçadas, a Inglaterra pode ficar de fora e se classificar a Eslovênia! Quem diria, neste grupo até a última colocada que é a Argélia, tem chances de se classificar!

A Alemanha, na chave D, começou a copa abafando, ganhou de 4×0, mas depois… perdeu de um da Sérvia — o Pet, do Flamengo, deve estar radiante. Este é o único grupo em que podemos ter uma seleção africana, afinal Gana pode se classificar e continuar na Copa.

A Holanda já está classificada no grupo E. Podemos ter Japão ou Dinamarca com a outra vaga, e mais uma seleção africana a se despedir, a não ser que Camarões dê uma goleada na Holanda, o que acho muito difícil, mas como esta Copa está estranha… vai saber!

No grupo F, a Itália está correndo riscos de não passar de fase e a Eslováquia, que é a ultima desse grupo, tem chances de passar, pois é confronto direto com a Itália; se ganhar, se classifica e manda os Italianos pra casa.

A “zebra” passou longe do grupo G, do Brasil. Este grupo está como a tradição manda: Brasil e Portugal classificados, com uma bela goleada de Portugal, que é o melhor europeu depois da Holanda. Só resta saber quem fica em 1º e quem fica em 2º e, como disse acima, quem ficar em 2º pode pegar a Argentina, e acho que não é um bom negócio. Vamos torcer sexta!

E, finalmente, no grupo H, a Espanha “periga” não se classificar, pois tem confronto direto com o Chile, que é o melhor da chave. Dependendo dos resultados, pode ir Chile e Suíça, feito inédito para a  Suíça também.

Bom, é isso que está acontecendo nesta maluca Copa do Mundo.

Meu palpite para sexta é: Brasil 3 x Portugal 2. E o de vocês?