Som, som…testanto 1, 2, 3

novembro 14, 2009 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Maybe I’m crazy
Maybe you’re crazy
Maybe we’re crazy
Probably

(Gnarls Barkley)

Parece que após o final dos anos 70 a música sofreu algum castigo divino. Algo, inexplicável para nós mortais, ocorreu e mudou a direção da história da música pop no mundo. Se até então, talento, arrojo e inovação marcavam os gênios, depois não se conseguiu reunir essas três qualidades em uma mesma pessoa ou grupo. Talvez uma punição de Deus que, irado com a declaração de Lennon de que os Beatles seriam mais famosos do que Jesus Cristo, passou a não mais permitir que essas três qualidades fossem possuídas por uma só pessoa ou grupo. Assim, passaram a existir artistas talentosos e inovadores, mas não arrojados, ou inovadores e arrojados, mas não talentosos, ou ainda arrojados e talentosos, mas não inovadores. Entendeu aonde quero chegar?

Bem, talvez o verso acima, do grupo Gnarls Barkley, sobre o qual falarei aqui, explique por que não conseguimos retomar a trilha virtuosa de décadas passadas. Ou talvez não, talvez a loucura tenha passado, infelizmente. Mas, o fato é que nós, amantes da música, é que fomos punidos e estamos privados, desde então, de conviver com os artistas geniais, como antes.

Mesmo assim, para todos que como eu adoram música é impossível viver sem ter algum reprodutor de som por perto. Seja um toca-cd, iPod, computador ou o bom e velho rádio, o importante é, constantemente, ouvir aquele som que faz a vida ficar mais leve.

É o caso do Gnarls Barkley, nome dado à união entre o DJ Danger Mouse e o rapper Cee-Lo Green, que deu certo, muito certo. Cee-Lo tem voz marcante, típica dos afro-americanos, com uma postura no palco que para mim lembra Tim Maia, sem as reclamações e palavrões. Cee-Lo é cantor, compositor e produtor musical, e se tornou conhecido por fazer parte do Goodie Mob.

Mouse é muito mais que DJ, é multi-instrumentos. Sua carreira começou a ser conhecida em 2004, quando lançou seu “Grey Album”, uma mistura do “Black Album” do Jay-Z com o “White Album” dos Beatles. Um mês atrás, foi anunciado que Mouse tocará com James Mercer, da banda indie The Shins, formando em 2010 a dupla “Broken Bells”.

Unidos desde 2005, “Gnarls Barkley” não parou de fazer sucesso. Faz música com balanço, daquelas que obrigam a dançar, cantar e pular. Às vezes hip hop, às vezes soul, outras funk, suas canções trouxeram prêmios como Grammy, em 2007, e MTV Awards, em 2006 e 2008.

O primeiro disco, “St. Elsewhere”, de 2006, traz “Smiley Face” e a faixa que dá nome ao disco. Ambas são ritmadas, com boas letras e ajudam a quebrar um pouco o frenesi que “Crazy” e “Gone Daddy Gone” despertam e fazem com que todo o mundo se comporte como pipoca em seus shows. Vendeu quase 6 milhões de cópias e jogou a dupla nas alturas, com apresentações pelo mundo todo.

Em 2008, veio o segundo trabalho, “Odd Couple”, para mim melhor tecnicamente que o primeiro, embora bem menos contagiante. Chamo a atenção para as dançantes “Surprise”, “Blind Mary” e “Run” e as cadenciadas “No Time Soon” e “Would Be Killer”.

Confiram mais uma das apresentações ao vivo do Gnarls Barkley, em que cantam “Surprise”. Danger Mouse é o que aparece tocando órgão elétrico, com barbicha e, é claro, bigode. SOM NA CAIXA!

Bigodes sempre estiveram por cima

setembro 29, 2009 · Posted in Humor · Comment 

por Beto Lyra

Einstein e seu bigode de gênio.

Tenho observado aqui e ali movimentos de justa homenagem aos bigodes. Ao contrário do que alguns poucos e barulhentos “invejosos” vinham insistindo em afirmar, os bigodes não caíram em desuso, pelo contrário, sempre estiveram em evidência, muito low profile às vezes, e em outras, nem tanto. Mesmo quando ironizavam dizendo que o “malandro-bigode era aquele que vivia nas bocas, mas sempre estava por fora”, os bigodudos, seguros de si, deram de ombros e nunca se abalaram. Grandes, pequenos, lisos ou encaracolados, tímidos ou exibicionistas, às vezes intelectuais também, os bigodes não poderiam deixar de aparecer neste blog. Espero que apreciem os exemplares aqui apresentados.

Começo pelo atualíssimo campeonato mundial de barba e bigode que aconteceu na Alemanha neste mês de setembro. O campeão foi o norte-americano David Trevor, do Alaska.

Campeão da principal categoria do concurso, David Trevor exibe bigode e barba estilo traçado artesanal.

Destaco a seguir outros concorrentes, sendo que o primeiro guarda imensa semelhança com um conhecido personagem de desenho animado. Pode parecer que não conto a verdade, mas meses atrás quase fui atropelado por um desses à entrada do Bar Astor, em Pinheiros. Minutos após o susto, pude observar seu proprietário amarrando as extremidades atrás das orelhas antes de devorar um vistoso filé Mostarda.

Esse estilo leva anos para chegar ao auge.

Ao contrário do que olhares superficiais poderiam induzir, o dono desse bigode não está sorrindo, mas contraindo seu rosto na medida exata para manter o melhor design para seu Modelo H.

Bigode modelo H exige cuidados em tempo de chuva.

O francês Herve Diebolt participou do campeonato de barba e bigode, na Alemanha.

Sendo tratado com tanto esmero e criatividade, o bigode não poderia deixar de marcar presença no campo das artes.

Na música por exemplo, estes  famosos exemplares ajudaram donos a arrastar multidões e fanatizar milhões com um simples abrir de suas bocas, ou melhor, com um simples movimento de seus bigodes.

Nos anos 60, bigodes musicais.

Nas artes plásticas, o bigode também marcou presença. Muitos artistas ostentaram bigodes charmosos, insinuantes e muitas vezes úteis no momento de conclusão de algumas de suas obras, quando a última pincelada era genialmente substituída por uma leve e determinada bigodada. Casos houve em que o artista preferiu perder uma orelha, mas não ficou sem bigode. Eis alguns desses gênios da pintura…

Autorretrato de Vincent Van Gogh.

Salvador Dali, tentando enxergar a origem de seu bigode.

No cinema, mais uma prova da presença marcante do bigode. Charles Chaplin imortalizou seu personagem Carlitos construído fio-a-fio.

Outro bigode genial: Carlitos, o garoto em tempos modernos.

E nas Letras não foi diferente. Dezenas de escritores que criaram verdadeiras obras-primas da literatura mundial ostentavam bigodes. Machado de Assis, considerado o maior autor brasileiro, e Nietzsche, o filósofo alemão autor de “Assim Falava Zaratustra”. Muitas vezes, ouvi dizer, na ausência de suas penas, canetas ou computadores, empregavam fios dos próprios bigodes para registrar seus momentos de inspiração.

Machado de Assis, o 1º bigode a presidir a Academia Brasileira de Letras.

Zaratustra usaria bigode? Nietzsche jamais esclareceu essa dúvida.

Comecei este post com a foto de um dos maiores gênios, que foi Albert Einstein. Falam muito de suas excentricidades, mas na questão do bigode foi bastante conservador. E para finalizar, cito outro gênio, Leonardo da Vinci, também adepto do bigode, que deixou crescer junto com a barba. Creio desnecessário dizer, mas sua obra-prima, La Gioconda (Mona Lisa) não possui bigode.

Leonardo da Vinci fez barba e bigode em todas as atividades que exerceu.

Apøs terminar este post, fui surpreendido com uma ótima foto de crianças vestidas como Mahatma Gandhi, em uma justa homenagem ao seu aniversário de 140 anos. Como vs. podem comprovar visualmente a homenagem ao líder da não violência comprova tudo o que já foi aqui dito sobre o bigode e completa os exemplares bigodes aqui postados anteriormente.

Dia Mundial da Não Violência – homengem a Mahatma Gandhi.


A foto é de Raj (não o da novela) Partidar, para Reuters.