A mentira do aquecimento global?

fevereiro 26, 2010 · Posted in Sustentabilidade · Comment 

por Beto Lyra

A maioria das pessoas pensa que uma nação para ser feliz precisa ser grande; mas mesmo que estejam certas, elas não têm a menor idéia do que seja uma nação grande, ou uma nação pequena… Há um limite para o tamanho das nações, assim como há um limite para outras coisas; plantas, animais, instrumentos; pois nenhuma delas retém seu poder natural quando é muito grande, ou muito pequena; ao contrário, ou perde inteiramente sua natureza, ou se deteriora.

Aristóteles, 322 a.C.

Quando fazia o curso de administração de empresas na FGV (no largo período em que prestigiei a instituição com minha presença/ausência), soube da existência do Clube de Roma, um grupo de intelectuais, cientistas e homens de empresas da Europa e América do Norte, com participação de representantes da Ásia, África e América Latina, que resolveu estudar o crescimento da população,  o desenvolvimento industrial e agrícola, o uso de recursos naturais e a poluição, visando prever como estaria o mundo em meados do século XXI. O Clube gerou dois informes. O primeiro (Limites do Crescimento) alertava para o perigo de que se não se mudassem algumas das variáveis citadas acima,  catástrofes ocorreriam. Trocando em miúdos, se a população, produção de alimentos e uso de recursos naturais continuassem crescendo como estavam, faltariam comida e energia.

Poucos anos mais tarde, o Clube de Roma produziu seu segundo informe (Momento de Decisão), que com mais ameaças catastróficas, alertava para uma única saída: os países deveriam aderir a um sistema mundial integrado. Sim, isso mesmo, era uma tentativa dos grandes países, “preocupadíssimos” com o futuro do mundo, passarem a gerir os recursos naturais, formas de produção e inclusive políticas de controle populacional, para adequarem todas as nações ao que deveria ser o mundo, nas visões e interesses deles, os grandes.

O tempo passou, a China deu uma banana para tudo isso, o Brasil e a Índia não se enquadraram (não por falta de tentar, mas por não conseguir manter controles) e o mundo está longe de acabar. Houve desmatamento de montão para expansão das fronteiras agrícolas e pecuária, e tudo continua longe de qualquer catástrofe.

Exceto para os que alertam sobre os perigos enormes do aquecimento global. Esses novos catastrofistas são os que sucederam aos membros e seguidores do Clube de Roma. Sim, de vinte anos para cá, uma sucessão de estudos e informes foram gerados por cientistas e organizações alertando para os riscos do desaparecimento da vida humana da face da terra se os países não controlarem a emissão de CO2, leia-se, desmatamento, expansão das fronteiras agrícolas, exploração de recursos naturais, nível de industrialização, enfim, tudo que possa permitir aos grandes algum controle ou retaliação sobre os modos de produção dos países emergentes. O mais famoso desses novos informes é o que o ex-presidente norte-americano, Al Gore, vive apresentando mundo afora. E de novo quem é o culpado pela ameaça da vez? O próprio ser humano, em especial os habitantes dos países em desenvolvimento.

Quem nunca leu ou ouviu histórias de povos antigos que faziam oferendas a deuses para aplacarem sua ira e assim não despejassem raios, chuvas ou eclipses contra eles? Quem nunca viu pelas ruas um sujeito no meio de populares gritando “o mundo vai acabar”, “Deus vai punir o pecador”, “só se salvarão os bons”? Quem não vê agora alguém na mídia dizendo “(essa inundação) é uma vingança da Natureza”?

Clube de Roma e aquecimento global para mim são membros dessa mesma grande família. São ameaças, cada vez mais bem articuladas, para os que insistem em pecar, ora contra Deus, ora contra a “ordem natural das coisas” ou contra a sagrada “mãe-natureza”.

A Terra já foi gelada, depois se aqueceu. Houve secas e dilúvios (alguém se lembra da arca de Noé?). E o mundo e seu habitante mais presente (mais nefasto, para muitos) foram mudando, crescendo até chegar ao que são hoje.

Vejamos alguns fatos recentes que colocam em cheque essa febre catastrófica. No final do ano passado, o Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), ligado à ONU, anunciou previsão de que o gelo sobre o Himalaia desapareceria até 2035 devido ao aquecimento global. Isto também estava presente no livro de Al Gore. Menos de dois meses depois do anúncio, pressionados pelo governo da Índia, cientistas do IPCC recuaram em suas previsões dizendo que os dados de seu trabalho estavam mal fundamentados. Como assim? Bem, cientistas independentes rastrearam a origem da projeção do esgotamento de gelo e a atribuíram à ONG WWF, que a teria tirado da revista New Scientist, que cita o dado de um estudo não publicado. Em resumo, o IPCC pisou na bola e se queimou na questão do aquecimento. De propósito? Foi inocente? Leviano?

Há um excelente documentário da BBC que desmente uma acusação fácil e leviana que é a de que o homem é responsável pelo aquecimento global porque contribui para o efeito estufa – retenção de calor na atmosfera por gases como o dióxido de carbono (CO2). No entanto, 95% do efeito estufa é decorrente da concentração de outro gás: o vapor d’água. O CO2 corresponde a apenas 3,6% do total. E mais, desses 3,6%, o homem responde por só 0,1%. Nesse ponto, o climatologista francês, Marcel Leroux diz que “na atmosfera do IPCC não há água”.

Muito bem, o IPCC acusa o homem pelo aquecimento global baseado em 3 pilares: séries históricas dos desvios de temperaturas, séries históricas de concentrações de CO2 e previsão de clima com base no dobro da concentração atual de CO2.

Bem, segundo cientistas ouvidos pela BBC, os desvios de temperaturas  não tiveram crescimento constante nem linear, pois houve períodos com redução de temperatura na terra. Outro dado importante é que não há proporcionalidade entre aumento de CO2 e aumento de temperatura.

Agora vejam isto, entre 1943 e 1966, época em que se consolidou crescimento urbano junto com crescimento econômico, houve redução de 0,18o na temperatura global (fonte: artigo do Doutor em geologia Gustavo M. Baptista).

Para vários cientistas sérios, com os quais concordo, as temperaturas da terra são cíclicas, reguladas por fenômenos naturais, e mudarão, para mais quente ou mais frio, independente de nossa participação. Temos que aceitar e conviver com isso: o homem não é tão importante e fundamental como acha que é.

O IPCC, com sua mirabolante tese do aquecimento global provocado pelo homem, será o novo Clube de Roma e o tempo irá desmentir tanto catastrofismo.

Finalmente, retomo o pensamento de Aristóteles que, mais de 2.300 anos atrás, alertava para limites de crescimento de tudo. Não ouso discordar do mestre, mas me assanho a dizer que ninguém pode, nem ele mesmo poderia, afirmar qual é o limite para nós e o mundo.