Código de Defesa do Consumidor

agosto 7, 2010 · Posted in Cidadania, Sustentabilidade · Comment 

por Dick Treacher

Prestes a completar 20 anos de vigência, o Código de Defesa do Consumidor, sem dúvida alguma, representa avanços significativos nas relações de consumo.

Seu texto, como tantos outros diplomas legais, chega a parecer um enunciado de belos princípios éticos os quais, as pessoas de bem, dificilmente teriam motivos para contestar.

Fábio Barbosa, do Santander, em palestra que pode ser vista acima, aborda este tema de forma super simples e, por isso mesmo, brilhante.

O problema está na enorme distância entre o que a lei  estabelece e o que se aplica na prática.

De um lado, ainda vemos produtores e fornecedores se armando com todos os tipos de artimanhas para empurrarem com a barriga consumidores corretos e com justas reclamações.

Por outro lado, vemos também consumidores mal intencionados que a todo o momento procuram pelo em ovo para justificarem suas inadimplências.

Para resolver estas questões, felizmente existem diversos mecanismos que vão desde as simples reclamações, os SACs, os Juizados Especiais, a imprensa etc.

E com relação ao Contribuinte? Quem defende o contribuinte perante a sanha arrecadatória do Fisco?

Por Fisco, quero me referir a essa infinidade de violências praticadas pelo aparato estatal ou paraestatal, o tempo todo contra a população a as empresas em geral.

E aí, não há qualquer distinção entre governos: os passados, os atuais e os futuros são todos iguais em todas as esferas, independentemente de qual Poder representam, posto que uma vez empossados, desaparece como que por milagre, a coerência entre o discurso e a ação.

A lista, conforme mencionei antes, é infinita, mas alguns exemplos merecem ser destacados:

IPTU: Quem já não se revoltou em pagar IPTU em locais sem melhoramentos públicos que justifiquem tal cobrança? E os aumentos abusivos?

ISS: Qual a contrapartida que as Prefeituras concedem aos profissionais e empresas que pagam este imposto?

ITBI: Incide na transmissão de bens imóveis, inclusive nas casas populares. Pode?

IPVA: O cidadão investe na aquisição de um automóvel, alimenta toda uma cadeia produtiva, e ainda é penalizado anualmente por manter a propriedade do veículo. Absurdo.

IRRF: Retenção na fonte! Nesse então, o contribuinte sequer tem a chance de primeiro utilizar seus recursos para depois pagar o imposto. É expropriado.

Chega de siglas? Ok. Existem milhares de outras. É só entrar no Google e pesquisar. Talvez o Brasil seja o único país do mundo que tem até dicionário de siglas.

Mas, se pelo menos, Saúde, Educação, Transportes e Segurança fossem serviços medianamente bem prestados pelo Estado, minha indignação seria menor.

Posso quase apostar, que nenhum dos leitores deste blog se utiliza regularmente do SUS, das escolas públicas, dos transportes coletivos, ou ainda, se sintam seguros com nossas polícias.

Há também os Cartórios, obrigatórios para nascer, viver e morrer. As multas de trânsito resultantes de armadilhas meticulosamente instaladas. Os bloqueios judiciais on-line, que deveriam ser utilizados apenas em casos extremos, mas que viraram expediente corriqueiro de juízes que raramente se dão ao trabalho de entrar no mérito das questões e, last but not least, os inúmeros impostos embutidos e invisíveis que taxam de A…limentos a Z…íperes indistintamente.

Ao contrário do consumidor, que pode rescindir um contrato que não lhe agrade, o contribuinte não tem com o Estado uma relação de consumo. Tem uma relação de subserviência medieval, tipo suseranos e vassalos, assemelhada a uma relação de escravidão, sem possibilidade de alforria onde o lema oficial é: Paga e não bufa!

Help!

Precisamos urgentemente de um Código de Defesa do Contribuinte!

(Coleção de) Boudin, quem diria, acabou no Brasil

julho 31, 2010 · Posted in Artes · Comment 

por Beto Lyra

Intelectuais de plantão,

Dêem uma lida no caderno Turismo, da Folha do dia 23/07, sobre a Normandia, o berço do Impressionismo, Boudin e Cia. Está ótimo e dá vontade de visitar tudo que é sugerido.

Sobre Boudin, posso contar um caso curioso. Tem umas 15 ou 20 obras dele no Museu Nacional de Belas Artes, do Rio. Vi uma exposição com essas telas no Museu Oscar Niemayer, de Curitiba, em 2004, acho. Mas não é isso que é curioso, e sim o modo como acabaram vindo para o Brasil.

Lá por meados do século XIX, a família de um “playboy” brasileiro da época, que insistia em não fazer nada a sério, mandou-o “estudar” na Europa. O rapaz se instala na França.

Mensalmente, pingava aquela graninha para manter o “estudo”, enviado pela família, que após certo tempo, ansiosa por notícias, começou a querer mais informações sobre o curso que estaria sendo feito.

Curso de pintura, informava o rapaz. Mas, diante de insistentes cobranças de que tipo de estudo, que tipo de trabalho fazia, o rapaz começou a mandar para a família, aqui no Brasil, algumas telas, pintadas por ele, decerto.

A família, de barões do café, ficou impressionada. Os amigos da família, também. O rapaz afinal tinha talento. Pediram mais. O “estudante”, incentivado pela graninha que continuava pingando mês a mês, enviou outras, no total umas 15 ou 20.

Não sei ao certo como e quando descobriram que as telas não eram pintadas pelo pretenso “artista”, mas sim por um francês, impressionista de primeira hora. Também não sei como terminou a história para a família e para o malandro. Houve castigo? Corte de mesada? Não importa.

O que realmente importa é que, décadas mais tarde, a família do playboy doou esses quadros para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio que assim ficou com o maior conjunto de obras de Boudin numa instituição pública fora da França.

Eugène Boudin, professor de Monet, mentor do impressionismo e inspirador da malandragem brasileira.

Abapuru, homem que come gente

julho 17, 2010 · Posted in Artes · Comment 

por Geraldo Vidigal

Tarsila do Amaral (1886-1973), paulista de Capivari, freguesia formada em fins do século XVIII como base para as monções que subiam rumos às minas de ouro de Cuiabá, nasceu em berço de ouro na aristocracia rural paulista, recebendo refinada educação ao estilo francês.

Iniciando seus estudos no Colégio Sion, em São Paulo, completou-os na Espanha, em Barcelona, com destaque, desde logo interessando-se pelas artes.

Seu primeiro casamento foi arranjado pelo pai, como era usual então. Esse casamento foi anulado, por alegada incompatibilidade cultural com o irrelevante marido.

Estuda pintura com Pedro Alexandrino a partir de 1917. Em 1920 vai à França, frequentando a Academia Julian, estudando ainda na Academia Rénard.

De volta ao Brasil é apresentada por Annita Malfatti a Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menotti Del Picchia. Desses relacionamentos iria surgir o Modernismo (v.g. Manifesto da Poesia Pau-Brasil; livros como Macunaíma e Casa Grande & Senzala; Revistas como Estética, Klaxon e Antropofagia; pintores como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti).

Em janeiro de 1923, une-se a Oswald, viajando a seguir a Portugal, Espanha e França, onde se aproxima do cubismo, em especial com Fernand Léger.

Em 1924, inicia sua fase “Pau Brasil”, retratando nossas fauna e flora, trilhos e máquinas.

Em 1926, casa-se com Oswald. No mesmo ano apresenta em Paris sua primeira exposição individual.

Em 1929, pinta o “Abaporu”. Ainda em 1929 expõe pela primeira vez no Brasil. A crise de 1929 empobrece a família de Tarsila.

Em 1930, a agora pobre moça rica torna-se Conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo, função que perde com o advento de Getulio Vargas.

Em 1930, separa-se de Oswald, vende quadros particulares e viaja à União Soviética, onde vende quadro “O Pescador” para o Museu de Arte Ocidental de Moscou.

Volta à França, onde trabalha na construção civil e como pintora de paredes e portas, conseguindo dinheiro para voltar ao Brasil. Pouco após sua volta, é presa e acusada de subversão.

Em 1933, pinta o quadro “Operários”, iniciando fase social em sua pintura.

A partir de 1940, retorna a temáticas anteriores.

Seus quadros Abaporu (1928)  http://www.tarsiladoamaral.com.br/images/JPG/ABAPORU50.jpg e Antropofagia (1929) http://www.tarsiladoamaral.com.br/images/JPG/ANTROPOFAGIA50.jpg são os mais marcantes do período, nos quais corpos humanos são figuras centrais, representados com enormes coxas e seios, e minúsculas cabeças, tendo por cenário de fundo um sol com seus raios voltados para um centro aberto e com cactos erguendo-se ao céu.

Abaporu é o quadro mais importante já produzido no Brasil. Quando viu a tela, Oswald assustou-se e chamou o amigo Raul Bopp. Ficaram olhando a figura e acharam que representava algo excepcional. Tarsila lembrou-se de um dicionário tupi guarani: batizaram o quadro como Abaporu (homem que come gente).

Oswald escreve o Manifesto Antropófago, lançando o Movimento Antropofágico, cuja intenção é a de “deglutir” a cultura européia e lançar algo bem brasileiro. Este Movimento radical é o grito de independência da arte brasileira em relação à européia, da qual até então éramos caudatários e tributários. Foi a síntese do Movimento Modernista brasileiro.

O “Abaporu” foi vendido em 1995 no exterior por US$ 1.500.000,00 e adquirido pelo colecionador argentino Eduardo Costantini.

A respeito de Abaporu, conta-nos a própria Tarsila:

«Bopp foi lá no meu ateliê, na rua Barão de Piracicaba, assustou-se também. Oswald disse: “Isso é como se fosse um selvagem, uma coisa do mato” e Bopp concordou. Eu quis dar um nome selvagem também ao quadro e dei Abaporu, palavras que encontrei no dicionário de Montóia, da língua dos índios. Quer dizer antropófago.»

E, se dermos uma olhada no quadro, a despeito de sua inusitada estrutura, não deixa de ser muito sensual. Um(a) ser nu(a), de corpo superdimensionado, cabeça pequena, um sol um tanto… estranho, com seus raios voltados para dentro, fugurativamente próximo ao vaginal, e um cacto que não deixa de ser poli-fálico (com hífen e tudo, viram, “gênios” medíocres, destruidores, pouco a pouco, da lingua portuguesa! Aliás, porque é que só a língua portuguesa necessita se abastardar, aculturar, emburrecer em relação a suas origens ibero-romanísticas? Ítalo parlantes, hispano hablantes e francófonos são menos burros que os lusófonos? E… por quê novas regras gramaticais não são seguidas em Portugal?  As linguas evoluem – e o devem – ao sabor das alterações movidas pelas sociedades.  Mas o que temos não é isso: é involução determinada pelas “Academias”, não pela força viva dos povos. Tema talvez para outros posts).

Deixando as zebras, fardadas ou listradas e outros animais de rabo, pra lá, registro certas coincidências, apenas para se pensar:

A B A P O R U (presenteado por Tarsila ao marido Oswald) significa “Homem que come gente”, em Tupi-Guarani. Mas também é um anagrama:

A

R A U

B O P

A pesca submarina e a fauna marinha

julho 12, 2010 · Posted in Cidadania, Sustentabilidade · Comment 

por Dick Treacher

Sou do tempo em que passava na TV o seriado Aventuras Submarinas, com Lloyd Bridges no papel do mergulhador/herói que defendia o bem contra o mal, lutando contra saqueadores, piratas e predadores. Bem, isso é passado.

Hoje, vivemos um tempo em que muita gente aparenta defender o meio ambiente e finge entender o que é sustentabilidade. No entanto, esse conhecimento é apenas superficial, de leitura de jornais, gera “frisson” e palestras no melhor estilo de “me engana que eu gosto”. O mal desses “entendidos” é que não sabem nada, mas repetem chavões que ouviram aqui e ali.

Para esclarecer algumas das questões ligadas ao tema, nosso Fio Do Bigode conta com o sólido conhecimento (da vivência) de Dick Treacher, amante do mar, da pesca e da Ilha Bela, não necessariamente nessa ordem.

Dick pratica pesca submarina há décadas, respeitando o meio ambiente, desde quando ainda não era moda reclamar de pesca predatória, poluição ou falar de práticas sustentáveis.

Alguém pode duvidar de que um pescador submarino seja “profundo” conhecedor do tema? Então, com vocês, Dick Treacher.

A Redação


De tempos em tempos e cada vez com maior freqüência, a pesca submarina vira alvo daqueles que se dizem defensores do meio ambiente.

Os variados ataques a esta modalidade esportiva têm sempre um ponto comum: equívocos, desinformações, parcialidade e preconceitos.

Para os que não conhecem, é importante informar que a pesca submarina é praticada em meio hostil ao homem, sem o auxílio de aparelhos de respiração subaquática e em profundidades que raramente ultrapassam os 25m.

Só isso já bastaria para evidenciar a pouca influência que esta prática exerce nos oceanos de profundezas abissais ou mesmo na lâmina d’água da plataforma continental, geralmente de 200m.

Há ainda toda uma regulamentação quanto ao tamanho mínimo de espécies, épocas de defeso, limitação de captura, além de áreas de preservação demarcadas.

Há também as limitações impostas pela natureza relativas às condições climáticas e de visibilidade da água, tornando a pesca submarina um esporte muitas vezes impossível de ser praticado em nosso litoral.

Mas, o mais importante é que há um Código de Ética informal entre os praticantes que, com muito zelo ao meio ambiente, denunciam os praticantes inescrupulosos, bem como orientam os principiantes quanto às espécies comestíveis e ao tamanho mínimo de cada uma. É aí que reside o principal diferencial entre a pesca sub e as demais modalidades: o praticante escolhe o peixe a ser capturado. Não mata a esmo para depois separar o que serve. É uma pesca seletiva.

Com relação à parcialidade com que ocorrem os ataques à pesca submarina, seria muito esclarecedor que se fizesse uma comparação com outras modalidades artesanais ou comerciais.

O “cerco” caiçara, originário dos indígenas, é uma espécie de labirinto formado por redes em que os peixes e outros animais entram e não conseguem sair, ficando presos nas malhas das redes. Estes artefatos são também um perigo para a navegação. É muito comum vermos tartarugas, santolas e várias espécies de peixes não comestíveis, mortos por afogamento ou de fome nestas armadilhas.

As “parelhas” de barcos pesqueiros comerciais, com redes camaroeiras na chamada pesca de arrasto, são talvez os maiores predadores e atuam impunemente. Fala-se, entre os caiçaras, em desperdício de mais de 90% do peso de espécies capturadas pelos arrastões, para depois selecionar os camarões e jogar fora, já mortos, os filhotes de dezenas de espécies de peixes. Isso sem contar os estragos nas estruturas do fundo do mar, geralmente em locais lodosos, onde diversas outras espécies procriam.

Há ainda as criminosas práticas de pesca com explosivos e captura de lagostas com compressores.

É estranho, mas nunca vi os ambientalistas protestarem nas peixarias espalhadas pelo país afora que põem à venda uma infinidade de filhotes de garoupas, robalos, badejos, linguados, enchovas e lagostas, para citar apenas algumas espécies, todos os dias do ano, faça chuva ou faça sol.

Mas, contra os pescadores submarinos eles estão sempre lá, protestando, esbravejando, escrevendo e, pior ainda, pressionando o Legislativo a criar dispositivos legais para restringir cada vez mais, discriminadamente, apenas a Pesca Sub.

Puro preconceito, talvez pelo fato de a pesca sub ter sido considerada um “esporte de elite”, logo que foi introduzida no Brasil por volta de 1955. Hoje em dia, é praticada por muitos habitantes das comunidades caiçaras que já perceberam os malefícios das modalidades utilizadas por seus antepassados, nada tendo portanto de elitista.

Os leitores podem ter certeza absoluta de que os pescadores submarinos, juntamente com os praticantes da pesca esportiva, são muito mais preservacionistas do que quaisquer outros pescadores e, principalmente, do que os novos e desinformados ambientalistas, que por falta de conhecimento pretendem proibir tudo.

Obviamente, os praticantes que não seguem os preceitos da boa técnica e do jogo limpo devem ser rigorosamente punidos, assim como todos os trapaceiros de quaisquer outras modalidades esportivas.

Sou testemunha presencial das transformações ocorridas nos últimos 50 anos no fundo do mar na costa de Ilhabela, voltada para o canal de São Sebastião: as tariobas e berbigões sumiram dos baixios da Siriúba e da Barra Velha. Os praguarís sumiram do fundo das baías nas praias do Perequê, Itaguassú e Itaquanduba, onde uma camada de barro cobriu a areia original. Os caranguejos sumiram dos mangues. Também os mangues foram aterrados. Diversos crustáceos de fundo como as tamarutacas e uma infinidade de pequenos peixes e moluscos da mesma forma, desapareceram. Cardumes de sardinhas e de tainhas raramente são vistos, e uma espécie de limo esverdeado tomou conta das pedras na faixa da arrebentação.

As causas de tudo isso?

O assoreamento do canal, a poluição dos rios e córregos, a ocupação urbana irregular e desordenada que continua ocorrendo e a destruição dos mangues, além das modalidades de pesca predatória já mencionadas. Tudo, menos a pesca sub.

Portanto, ao mesmo tempo em que elogiamos a preocupação dos ambientalistas com a preservação do litoral, ficamos ansiosos para vê-los atuantes nas reais causas da diminuição do volume e da diversidade da nossa fauna marinha.

Holanda ou Espanha?

julho 9, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

Da Redação

Vamos lá amigos. Agora é muito simples. Quem vai ganhar a Copa? Respondam à pergunta com uma simples resposta: Holanda ou Espanha? Não precisa acertar o placar. Quem acertar vai concorrer a uma camiseta linda do Fio Do Bigode, objeto de colecionador.

Claro que só vale um palpite por participante.

Vamos lá, participem!

O mundo nas mãos

julho 6, 2010 · Posted in Esporte, Humor · Comment 

por Pedro Sampaio

Copa do Mundo acontece de tudo. Não adianta fazer ar indiferente. É um momento único em que muita coisa estranha faz a gente torcer, delirar, depois raciocinar. Nessa Copa, houve de tudo.  Mas na minha opinião, nenhuma das coisas que aconteceu é tão emblemática do que a mão do Suárez, do Uruguai, evitando o gol de Gana, no último segundo da prorrogação. Infração escandalosa, na frente de milhões de pessoas, punida com expulsão. No entanto, salvou o Uruguai, que depois ganhou nos pênaltis. A infração à lei ganhou. Mas a pergunta fica, quem naquela hora não colocaria a mão?

Não sei não, mas acho que todo o mundo colocaria a mão. O Dunga com certeza. No nosso time, o Lúcio, atleta de Cristo, numa emergência dessa ordem, colocaria a mão. O Juan, nosso melhor jogador, verdadeiro cavalheiro, não teria dúvida, pois já estendeu sua mão na hora do fogo. O Felipe Melo, bem, nem pensar, colocaria os travos da chuteira. Mas não dando, daria um soco na bola.

Jogadores de qualquer outro time não teriam dúvidas. Colocariam a mão na bola em cima da linha para salvar o time. Os beques da Holanda iriam direto com a mão. Os da Argentina, sem nenhuma hesitação, pois já têm tradição nesse costume. Os da Inglaterra, ao invés do retorno inglório, tacariam a mão. Os da França, já puseram a mão por muito menos. Os australianos, acostumados com o Rugby, não teriam dificuldade em agarrar com a mão. Os japoneses, bons no Karatê, dariam um golpe com a mão. Também os jogadores de Camarões. Os dos EUA, não pestanejariam. Poriam a mão. Pensando bem, até os jogadores de Gana colocariam a mão para salvar o time no último segundo da prorrogação.

Todos colocariam a mão. O Lula, nosso presidente, não teria nada a perder. Poria a mão. Sua candidata, a Dilma, sempre querendo copiar o Lula, tacaria a mão. O seu opositor, Serra, tentaria ser engraçado, mas não iria titubear. Desengonçadamente estenderia a mão. A Marina da Silva, falaria na necessidade de defender os gramados nos campos de futebol judiados, mas rezando um terço, colocaria a mão.

O Galvão Bueno poria a mão. O Casagrande, nosso melhor comentarista, sóbrio ou não, colocaria a mão. O Milton Leite, melhor narrador da Copa, logo esticaria a mão para depois soltar um “Que Beleza”.  O Trajano, na ESPN, com seu mau humor, não teria porque pensar. Mão. O Xico Sá, o melhor cronista de futebol nos jornais, tiraria um sarro, falaria das mulheres, mas na hora H poria a mão. Mesmo o Tostão, o maior de todos, dissertaria sobre a alma humana, mas discretamente estenderia a mão.

Todos o fariam naquela hora. Nelson Mandela, o grande líder da África do Sul, sem nenhum pudor, salvaria com a mão em cima da linha. Obama, se pudesse resolver os conflitos mundiais com um truque de mão, não iria vacilar. Mão. Ghandi, o grande líder da não violência, que começou como advogado na África do Sul, não pensaria duas vezes. No último segundo da prorrogação, pacificamente salvaria com a mão.

Mas não apenas líderes mundiais impediriam o gol com a mão. Grandes filósofos agiriam da mesma forma. Aristóteles consideraria de grande equidade estender a mão naquele momento para impedir uma enorme injustiça. Descartes concluiria ser de lógica cartesiana evitar a derrota com a mão. Karl Marx observaria estar ali, naquela mão, a possibilidade de emancipação da classe operária. Freud veria na mão, no último minuto, a libertação da sexualidade reprimida.

Maomé encontraria no Alcorão passagens recomendando a mão para impedir que a bola ultrapassasse a linha fatal. Buda, se não conseguisse parar a bola com meditação, logo estenderia a mão. Jesus Cristo tentaria um milagre, mas se falhasse, trataria de objetivamente colocar a mão.

O Antonio, o José, a Maria, o Flávio, o Pedro, o Roberto, a Cristina, a Marta, todos nós faríamos a mesma defesa com a mão que o Suárez fez, salvando o gol no último segundo. Na hora que a casa está prestes a desmoronar, que tudo está a perder, não teríamos dúvida em cometer uma infração, uma violação à lei, escancaradamente, na frente de todos. E se desse certo, como deu com Suárez, iríamos vibrar como loucos, orgulhosos de nossa infração, que transformou uma derrota certa numa vitória épica.

É mesmo muito esquisito o ser humano.

A invenção mais saborosa da Holanda

junho 29, 2010 · Posted in Gastronomia · Comment 

por Ana Franco

E vem aí Brasil x Holanda!

Eu que até o momento não tenho palpite pro jogo, vou fazer o que faço melhor: cozinhar. E assim garantir que teremos pelo menos uns quitutes gostosos para saborear, seja para comemorar a vitória, seja para confortar no caso de derrota.

Bem, holandeses não são lá muito conhecidos por suas habilidades gastronômicas e numa dutch kitchen você vai encontrar influências belgas, alemãs, suíças, entre outras.

São ótimos fabricantes de queijo e criadores da melhor raça de gado leiteiro: o holandês!

O equivalente local da nossa feijoada é o croquete. Isso, croquete, aquele mesmo que você come em qualquer padaria ou festinha de criança. Eu faço sempre que sobra carne de panela e nunca uso batata na massa. E não vou dar receita de croquete porque todo mundo já tem a sua preferida.

Mas nossos invasores flamencos inventaram o tal biscoito e só por conta disso já merecem fazer um golzinho. Só 1, ok?

O stroopwafel é uma guloseima tradicionalíssima na terra de Van Gogh, composta por duas metades de biscoito recheadas com uma deliciosa calda grossa de caramelo, perfumada com canela.

Diz-se ter sido feito pela primeira vez em 1784 na cidade de Gouda, mais famosa atualmente pelo queijo que leva seu nome.

A receita é bem fácil, mas para obter um stroopwafel perfeito você vai precisar de uma maquininha especial, tipo as usadas para fazer casquinha de sorvete. Eu não tenho uma dessas (ainda), então costumo usar um aparelho para fazer waffles convencionais, do tipo americano. Não fica igual mas o resultado é bem saboroso, vale a pena tentar.

Ingredientes

Massa
250 grs de farinha de trigo
125 grs de manteiga derretida
75 grs de açúcar cristal
1 ovo grande
25 grs de fermento biológico seco
1 colher de sopa de água morna
1 pitada de sal

Recheio
200 grs de melado
100 grs de açúcar mascavo
100 grs de manteiga
1 colher de chá de canela em pó


Modo de Fazer

Massa
Dissolva o fermento com sal e água morna. Numa vasilha mistura todos os outros ingredientes da massa e junte o fermento dissolvido por último. Misture bem para homogeneizar todos os ingredientes. Deixe descansar por 1 hora, faça um rolo com a massa e corte em porções pequenas. Disponha uma porção na grelha de waffle bem quente e asse por aproximadamente 30 segundos (ou mais, dependendo da espessura da massa). Retire, corte ao meio e recheie com o caramelo.

Recheio
Derreta o açúcar numa panela. Incorpore os outros ingredientes e deixe em fogo baixo até adquirir a consistência de caramelo encorpado. Espere esfriar um pouco e recheie os biscoitos.

Os holandeses costumam aquecer levemente seus stroopwafels colocando-os sobre uma xícara de café fumegante. Como sei que ninguém vai tomar café na hora do jogo, sugiro esquentar essa gostosura no microondas por 10 segundos.

E que venha a Argentina porque eu quero mesmo é comer parrilla!

Ana Franco

Ana Franco é chef e proprietária do buffet “Ana Banana” e editora do blog “Cozinha de idéias”.
http://www.cozinhadeideias.comhttp://www.cozinhadeideias.com>
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Apátridas de chuteiras

junho 27, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

por Beto Lyra

Não sei se ocorre o mesmo com vocês, mas se há algo que me deixa “p…… da vida” é assistir a demonstrações de fanatismo. Mesmo que sejam referentes a futebol, esporte que permite todas as paixões, irracionalidades, idiossincrasias e outras tontices possíveis. Todas nobres no caso do futebol.

O fato é que, quando começam a circular carros com bandeirolas do Brasil e faixas ou bandeiras são colocadas nas casas e empresas por todas as cidades do país, fico imaginando o que realmente passa pela cabeça das pessoas que fazem isso.

Às vezes, acho que não passa nada, pois só isso explicaria de uma hora para outra alguém demonstrar tanto apego às cores de sua bandeira sem que para isso haja alguma razão conhecida e plausível. Outras, acho que passa algo pela cabeça, mas não consigo identificar o cheiro do que seja.

Alguns dirão que é impossível  não perceber que tudo isso acontece por causa da Copa do Mundo de futebol. Claro que consigo perceber isso, mas continuo não entendendo o porquê.

Nelson Rodrigues cunhou a pérola “A pátria em chuteiras”, para designar o estado de espírito que toma conta dos brasileiros na época das Copas do Mundo de futebol. Segundo o rei da irracionalidade e da paixão, o brasileiro não pega em armas para defender suas fronteiras ou interesses, mas se arma de chuteiras para torcer pela seleção e, em tese, se vingar ao menos uma vez das várias humilhações porque passa em casa, no trabalho e no cenário internacional. Há aquele sentimento de solidariedade, mal direcionado neste caso, tão necessário ao ser humano. Olhar para o lado e identificar-se com o vizinho ou com o outro carro preso no trânsito é prazer para esses pobres de espírito. E, mais, o trânsito já caótico em São Paulo fica ainda pior, pois esses patriotas de ocasião diminuem a marcha só para serem observados pelos demais.

Ainda que fosse anos atrás, quando qualquer brasileiro sabia de cor a escalação de seus times e da seleção nacional, vá lá. Mas hoje nem isso acontece. Atualmente os jogadores das principais seleções do mundo não moram, e portanto não jogam (ou mesmo nunca jogaram) em times de seus respectivos países. Não têm mais vínculos com a terra e a gente de seus países. Muita gente viu o jogo do Brasil contra a Coréia do Norte se perguntando “quem é esse na lateral esquerda, nunca ouvi falar…”

Esse “apego” se estende aos próprios jogadores das seleções da Copa. Todos abraçam e beijam seus adversários, pela simples razão de que têm mais convivência e intimidade com eles do que com os próprios companheiros de time. Não sabem cantar os hinos de seus países. Muitos sequer falam direito seus idiomas nativos. Que entusiasmo patriótico é esse então?

Só os bobocas se comovem com os gestos pueris dos jogadores ao beijar a bandeira e camiseta de suas equipes. Só inocentes podem se emocionar com a Copa e desfilar seus patriotismos impensados.

Os jogadores não têm responsabilidade sobre isso. Agem como profissionais. Levam excelente vida no exterior, com possibilidades de crescimento pessoal, profissional e cultural e comovem, de tempos em tempos, o público com beijinhos na bandeira. Isso não os satisfaz, creio eu. Fica o vazio, pois esse teatro todo não encanta a eles nem ao mestre Nelson Rodrigues. Esses “heróis” de hoje são, na verdade, apátridas de chuteiras.

Final da fase de classificação

junho 23, 2010 · Posted in Esporte · Comment 

por Thais Marques

Realmente a copa do mundo está bem diferente de tudo que já vimos! Além de ser a 1ª vez na África, a “zebra” está correndo solta e os sul-americanos estão mandando na Copa.

Na chave A, o México ganhou da França de 2×0 e infelizmente a África do Sul não passou de fase, mas mandou a França para casa e pelo que pude acompanhar os torcedores não se abateram não, estavam bem felizes e fazendo muito barulho!! Afinal de contas não é sempre que uma seleção africana ganha da França.

Na chave B, a Nigéria também não conseguiu avançar, perdeu da Grécia, que está fazendo uma campanha inédita, e depois empatou com a Coréia do Sul, a Argentina com uma ótima campanha ganhou os 3 jogos, e por terminar em 1ª do grupo foi para a outra ponta da tabela. Temos que torcer para o Brasil ficar em 1º do seu grupo para se encontrar com a Argentina apenas na final.

No grupo C, as “grandes” seleções estão ameaçadas, a Inglaterra pode ficar de fora e se classificar a Eslovênia! Quem diria, neste grupo até a última colocada que é a Argélia, tem chances de se classificar!

A Alemanha, na chave D, começou a copa abafando, ganhou de 4×0, mas depois… perdeu de um da Sérvia — o Pet, do Flamengo, deve estar radiante. Este é o único grupo em que podemos ter uma seleção africana, afinal Gana pode se classificar e continuar na Copa.

A Holanda já está classificada no grupo E. Podemos ter Japão ou Dinamarca com a outra vaga, e mais uma seleção africana a se despedir, a não ser que Camarões dê uma goleada na Holanda, o que acho muito difícil, mas como esta Copa está estranha… vai saber!

No grupo F, a Itália está correndo riscos de não passar de fase e a Eslováquia, que é a ultima desse grupo, tem chances de passar, pois é confronto direto com a Itália; se ganhar, se classifica e manda os Italianos pra casa.

A “zebra” passou longe do grupo G, do Brasil. Este grupo está como a tradição manda: Brasil e Portugal classificados, com uma bela goleada de Portugal, que é o melhor europeu depois da Holanda. Só resta saber quem fica em 1º e quem fica em 2º e, como disse acima, quem ficar em 2º pode pegar a Argentina, e acho que não é um bom negócio. Vamos torcer sexta!

E, finalmente, no grupo H, a Espanha “periga” não se classificar, pois tem confronto direto com o Chile, que é o melhor da chave. Dependendo dos resultados, pode ir Chile e Suíça, feito inédito para a  Suíça também.

Bom, é isso que está acontecendo nesta maluca Copa do Mundo.

Meu palpite para sexta é: Brasil 3 x Portugal 2. E o de vocês?

Vinhos e Copa do Mundo

junho 21, 2010 · Posted in Lazer · Comment 

por Pedro Sampaio

O Caio, no seu aguardado retorno, falou da tortura que é a Copa do Mundo. É mesmo uma tortura, 30 dias de futebol, uma boa desculpa para matar o trabalho, deitar num sofá nesse frio com um cobertor e ficar assistindo um monte de partidas. Para suportar esse sofrimento, normalmente acabamos comendo alguma bobagem e tomando alguma coisa. É difícil, mas com força de vontade vamos conseguir superar esse período.

O acompanhamento natural das partidas de futebol é uma boa cerveja. Mas para enfrentar a tortura mencionada, talvez seja caso de variar um pouco. Com o frio, um vinho cai muito bem. E já que a Copa ocorre na África do Sul, um país bom produtor de vinhos, nada melhor do que aproveitar a ocasião e experimentar alguns vinhos produzidos por lá. Por isso, hoje vamos de vinhos da África do Sul.

A África do Sul produz vinhos há muito tempo, desde o século XVII, com vinhedos plantados pela Cia das Índias Orientais com a finalidade de fornecer vinhos aos navios que cruzavam o Cabo da Boa Esperança. A região foi sempre importante produtora de vinhos, mas neste século, em razão do regime do apartheid, a produção estagnou e o país, como em todo o resto, ficou absolutamente esquecido como produtor de vinhos.

Após o fim do apartheid a produção de vinhos voltou a se desenvolver na África do Sul. Hoje ela é conhecida como o país produtor do Novo Mundo que tem o vinho mais ao estilo do Velho Mundo. Isso porque seus vinhos puxam mais para o lado da elegância do que da concentração.

As regiões vinícolas da África do Sul ficam todas perto da cidade do Cabo, que tem clima mais frio, com correntes de vento que vêem do pólo sul. As mais conhecidas são as de Stellenbosch (a maior de todas), Franschhoek e Paarl. Também tem importância a região de Constantia, por ter sido a primeira a produzir vinhos. Quem viajou por esses lugares afirma que são lindíssimos, com paisagens deslumbrantes. Aí está uma coisa boa de conferir.

As uvas mais utilizadas são as francesas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah nos tintos, com destaque para a última. Nos brancos, a Sauvignon Blanc e Chenin Blanc aparecem bem. Mas a África do Sul tem uma uva própria nos tintos, a Pinotage, desenvolvida por meio de um cruzamento das uvas Pinot Noir e Cinsault, lá chamada de Hermitage. Por isso a mistura ficou Pinotage. Produz vinhos tintos bem interessantes, alguns bem encorpados, outros macios e elegantes. Mas é preciso um pouco de cuidado, pois alguns vinhos com a Pinotage são meio duros e rústicos, com acidez exagerada. É necessário escolher bem.

Nós temos uma oferta razoável de vinhos da África do Sul nas nossas importadoras. Vou indicar alguns que já experimentei e outros com boa referência nos livros e revistas especializados em vinhos. Começando pelo produtor Kanonkop, um dos mais conhecidos. Seu vinho básico, o Kadette, um corte de Pinotage com Cabernet Sauvignon e Merlot, é bem gostoso. Sem grandes complicações, não muito encorpado, pode ser bebido jovem. Está a venda na Mistral, safra 2007 a US$23,90, e safra 2008 a US$25,90. Ótima pedida para acompanhar um jogo da Copa, junto com um bom queijo. O do tipo Fontina, da Sancor, que se encontra em qualquer supermercado, vai muito bem.

Já mais sério, para acompanhar um churrasco em dia de jogo, do mesmo produtor, o Cabernet Sauvignon, safra 05, é excelente. A venda na Mistral por US$57,50, safra 2003, e US$65,00, safra 2005. Vinho concentrado e complexo. Ainda mais sério, para alguns o melhor vinho da África do Sul, o Kanonkop Paul Sauer, safra 2005 a US$73,90 e 2006 a US$79,50, também na Mistral.

Outro produtor que experimentei e gostei muito é o Glen Carlou. O Glen Carlou Grand Classique 2005, um corte de várias uvas, é muito bom. Está a R$64,00 na importadora Grand Cru. E o Glen Carlou Syrah, safra 2006, está a R$81,00, na mesma importadora. Este é um vinho mais no estilo do Novo Mundo, concentrado, dosagem alcoólica de 14,5%, aroma de frutas negras, café e chocolate. Para quem gosta do estilo, é ótimo.

Vinho muito bem indicado e com ótimo preço é o Nederburg Private Bin Syrah. Nederburg é o vinho oficial da Copa, pois a casa é uma de suas patrocinadoras. Lá é vinho e não cerveja. O Nederburg Private Bin Syrah, safra 2007, está a R$38,00 na Casa Flora. Do mesmo produtor, o Cabernet Sauvignon também parece muito bom. O site da importadora não indica seu preço, mas deve estar na mesma faixa do Syrah. E o seu Pinotage ganhou a degustação da revista Gosto, especializada em gastronomia. O preço do Pinotage é R$40,65. Para quem no dia de jogo do Brasil vai matar de vez o trabalho e quer fazer um almoço mais caprichado, com, por exemplo, um belo pernil de cordeiro, esses vinhos são excelentes opções.

Nos tintos, ainda vale a pena lembrar um dos mais conhecidos vinhos da África do Sul, o Porcupine, do grande produtor Boekenhoutskloof. Na verdade é uma linha de vinhos, com várias uvas, como o Porcupine Merlot, o Porcupine Cabernet Sauvignon e o Porcupine Ridge Sirah. O último eu tomei e gostei muito. Todos a venda na Mistral por US$28,90.

Os brancos da África do Sul são igualmente bons. Sobretudo os mais simples, sem passagem pela madeira. Lá se dá bem uma uva branca francesa não muito conhecida, a Chenin Blanc. O do produtor Robertson Winery é bem indicado. Não o conheço, mas falam muito bem e o preço é ótimo. A safra 2009 está a US$15,90 na importadora Vinci. Como o preço é atraente, vou também experimentar o Sauvignon Blanc, do mesmo produtor, safra 2008, na mesma importadora a US$17,50. Os vinhos com a Sauvignon Blanc vão muito bem com um queijo de cabra fresco. Portanto, ótima pedida para ir bebericando e beliscando durante um jogo da Copa.

Podemos aproveitar ainda a oportunidade e tomar um bom vinho de sobremesa. Isso porque a África do Sul oferece uma das boas ofertas que temos em nosso mercado, por um preço para mortais. Vinho de sobremesa bom normalmente é caro. Mas o Nerdeburg Noble Late Harvest 2007 é muito bom. Já tomei, tem ótimo equilíbrio entre açúcar e acidez, muito importante nos vinhos de sobremesa. O preço de R$56,00, meia garrafa (para vinho de sobremesa não precisa mais), é realmente bom nessa espécie de vinho. A venda na Casa Flora.

Então pronto. Com o frio, vai ser mais fácil suportar toda a tortura da Copa do Mundo tomando esses vinhos do país anfitrião. E para torcer pelo time do Dunga, só meio de fogo. Portanto, saúde para todos e prá frente BRAASIILL!!!

Importadora Mistral: rua Rocha, 288, telefone (11)  3372-3400 ou site (WWW.mistral.com.br)

Importadora Grand Cru: site (WWW.grandcru.com.br)

  • rua Bela Cintra, 1.799, telefone (11) 3062-6388
  • Al. Nhambiquara, 614 – Moema – Tel: 3624-5819
  • Av. Independência, 1.640 – Jd. Sumaré – Tel: 3913-4396

Importadora Vinci: rua Dr. Siqueira Cardoso, 227, telefone (11) 2797-0000 ou site(WWW.vincivinhos.com.br)

Casa Flora Importadora: rua Santa Rosa, 207, telefone/fax (11) 2842-5199 ou site  WWW.casaflora.com.br)

Revista Gosto / Isabella Editora: telefone (11) 2361-1462

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