O 1º Ouro brasileiro em Jogos Olímpicos

julho 28, 2012 · Posted in Esporte 

por Beto Lyra

Corria o ano de 1920. Vinte e nove países estavam participando dos VII Jogos Olímpicos da Era Moderna, iniciados em 1896, na Grécia. Cerca de dois anos após o fim da desgastante 1ª Grande Guerra, a competição retornava, dessa vez, em Antuérpia, na Bélgica. Era lançada, então, a bandeira olímpica, com seus 5 aros entrelaçados e coloridos, criada pelo Barão de Coubertin.

Na euforia da época, a musiquinha anunciava “30 milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração … “, destes trinta, dois milhões eram estrangeiros.

Bem, a história interessante aqui é como foi ganha a 1ª medalha de ouro brasileira em Jogos Olímpicos. Tudo começou com a desorganização da viagem da delegação brasileira para a Europa: apenas 10 dias para definir a equipe, comprar as passagens e embarcar os 29 valentes atletas, que foram jogados na 3ª classe do navio Curvello rumo a Lisboa e daí, de trem, em um vagão de carga descoberto, para Bruxelas. Acha pouco sofrimento e desorganização? Então, continue lendo.

De Lisboa a Bruxelas, tomou chuva direto, a bagagem da delegação molhou e estragou parte do material levado, infelizmente as armas da equipe de tiroe, mais tarde, enquanto aguardava a ida para Antuérpia, nossos atletas do tiro foram roubados, ficando sem os alvos e a munição. Bem, mas muito antes do ex-presidente Lula afirmar que o brasileiro não desiste nunca, um dos atiradores foi até a delegação norte-americana e conseguiu emprestadas armas, munição e alvos. Armas de treino, claro, porque as de competição seriam usadas pelos próprios donos.

de ouro olímpica para o Brasil competindo contra vários atiradores, entre eles quem lhe emprestara a arma. Em seguida, novas medalhas, uma de prata ganha por Afrânio Costa, outro atirador com arma emprestada e outra de bronze, com toda a equipe. Enfim, aquele acontecimento inimaginável, que ocorre muito raramente, e só quando os deuses do esporte estão de sacanagem com os competidores favoritos.

Encerrada a disputa de tiro, os brasileiros foram devolver as armas aos seus verdadeiros donos. Guilherme entregou a sua ao americano, que não a aceitou dizendo que ela tinha escolhido outro dono e agora pertencia a ele, Paraense.

Oitenta e quatro anos depois, eu era diretor de um monte de áreas na BM&F e acabei montando o Espaço Cultural, que hoje é famoso e disputado por vários artistas e galerias que ali querem expor suas  obras. Realizei exposições artísticas que iam desde a maravilhosa coleção de quadros da própria bolsa, com Portinaris, Guignards, Anitas Malfattis e tantos outros excelentes artistas, até a montagem de uma sala especial que fazia parte da Bienal de Arte de São Paulo, em 2004. Mas, eu gostava também de realizar exposições populares, como a de Alberto Santos Dumont, para comemorar o centenário de seu voo com o 14 Bis. E foi assim que, em 2004, fiz com o apoio do COB a exposição “Jogos Olímpicos: Arte, História e Design”, que expôs pela primeira vez ao público a arma com que Guilherme Paraense ganhou a 1ª medalha de ouro brasileira em Jogos Olímpicos.

Em Tempo: Hoje vi na TV uma entrevista com o presidente do COB, Artur Nuzman, que disse que os atletas  de Jogos Olímpicos mais profissionais (sic) que ele conheceu são Roberto Scheidt e Roger Federer. O espírito olímpico não deveria ser amador?

Comments

2 Responses to “O 1º Ouro brasileiro em Jogos Olímpicos”

  1. Roberto P.Pistelli on agosto 14th, 2012 23:35

    Demorou para ter medalha e um país enorme que ganha menos medalhas que muitos países pequenos e nem no futebol o Brasil leva ouro?
    MEDALHA DE OVO para o Mano Menezes.

  2. Beto Lyra on agosto 24th, 2012 22:42

    Tem razão, Roberto. Se comparar com a população fica pior ainda. Temos poucos esportistas, péssimas condições de treinamento e pouco apoio financeiro para o atleta só ficar treinando. O dinheiro que circula pelas confederações brasileiras acaba financiando viagens de dirigentes, contratação de parentes como diretores nessas mesmas confederações, compra de peças (medalhas, equipamentos etc.) para coleções particulares (tem uma completíssima na região norte) e paremos por aqui.
    Teixeira já foi, mas faltam muitos, Oh, muitos mesmos.

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