A casa da rua Arquiteto…, 570

dezembro 25, 2009 · Posted in Uncategorized 

por Caio Ferreira

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Há exatos 42 anos tornei-me cidadão da RSFAP (República Socialista Futebolística do Alto de Pinheiros), depois de um estágio de 2 anos frequentando o Santa Cruz e convivendo com novos e importantíssimos amigos do bairro. Foi em dezembro de 67 que ficou pronta a casa que meus pais construíram naquele terreno comprado às vésperas do casamento, e que mensalmente visitávamos. Eles nos punham no carro, rumávamos para o Alto de Pinheiros, víamos e comentávamos várias casas novas e lindas (a do Guilherme Ferraz era a preferida), visitávamos nosso terreno (algumas vezes visitamos o terreno errado, na rua de cima!) e depois íamos tomar sorvete no Largo de Pinheiros. Até que finalmente o projeto engrenou e a casa aconteceu. Mudamos, se não me engano, no fatídico fim de semana que o São Paulo empatou com o Corinthians e acabou perdendo o campeonato paulista de 67 para o Santos. Mudei enquanto meus novos amigos e eu estávamos enlutados.

A primeira surpresa foi que meu avô veio morar conosco o que garantiu um suprimento extra de bolos, doces e guloseimas em geral por muitos anos.

Com a mudança adquiri minha independência. Circulava a pé pelo bairro com liberdade total para ir ao colégio, ao clube e à casa dos amigos. Além disso, o resto do mundo ficava a um passeio de ônibus – 0 velho 61 – de distância.

Embora minha casa não fosse “o” ponto de encontro da turma, a família era grande e sempre tinha gente circulando. Amigos meus da escola que levava para almoçar e estudar, amigas das minhas irmãs, e foram muitas as reuniões, festinhas e festões que aconteceram por lá (e que vários de vocês frequentaram). Sem contar as festas familiares e da turma dos meus pais, inclusive casamentos e bodas.

Morei lá por dez anos, até 77, quando briguei com meu pai e sai de casa. Só voltei a freqüentar a casa quando voltei da Nigéria em 83.

Nesse meio tempo a casa aumentou. No terreno comprado ao vizinho surgiram piscina, salão de festas e jogos, e um belo gramado onde dava até para jogar um futebolzinho. Brincava com meu pai dizendo que estas melhorias eram fruto da economia gerada pela nossa briga!

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Havia mudado também o ritmo da casa. Com minhas irmãs casadas e com filhos, viraram rotina os almoços familiares aos domingos, sempre com grandes aperitivos à beira da piscina, churrascos, macarronadas, ou coisas mais elaboradas. E por todos esses anos essas reuniões familiares aconteceram regularmente, enquanto a ocupação da casa diminuía, à medida que íamos abandonando o barco em busca de outras aventuras.

De repente, lá moravam apenas meus pais e a casa ficou enorme, mas nem passava pela cabeça deles sair de lá, mesmo curtindo um certo medo da violência urbana de São Paulo. O staff de primeira que sempre os assistiu ajudou muito na decisão de permanecer lá. Afinal, não é fácil largar boas mordomias…

No último ano voltei a quase morar na casa, desde que passei a vir semanalmente a São Paulo.

E agora, 42 anos depois, rompemos os laços com toda essa história. Minha mãe colocou a casa à venda (quem tiver família grande, anime-se) e  mudou-se para um belo apartamento. No bairro, é claro!

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Eu mesmo tirei as fotos.

Caio Ferreira

Autor: Caio Queiroz Ferreira – Categoria(s): Lazer Tags: Alto de Pinheiros, Corinthians, Santa Cruz

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