Ídolos (argh!)

outubro 9, 2009 · Posted in Humor 

por Caio Ferreira

“Imagem de falsa divindade, que é objeto de culto” é a definição de ídolo, conforme o “Definir” (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Então, se resolvi escrever sobre ídolos, vou escrever sobre falsas divindades.

Acho que vou me dar mal hoje! Apesar daquela conhecidíssima frase “Pobre do povo que precisa de ídolos”, cujo autor desconheço, o fato é que hoje convivemos com vários deles, impostos cotidianamente pela mídia em geral, agora por necessidade compulsiva de se fabricar “celebridades” para vender jornal, revista etc. Temos uma enorme quantidade e variedade de ídolos para todos os gostos. Tantos que devemos ser agora um povo miserável, e não apenas pobre.

Não gosto de ídolos. Não me lembro de ter cultuado ninguém, embora admire várias pessoas, e há várias a serem admiradas. Mas alguns desses ídolos incomodam demais, principalmente os ídolos “politicamente corretos”. Estes chateiam mais do que aqueles coitados(as) que por 15 minutos de fama participam de qualquer BBB da vida.

O ídolo “politicamente correto” é o queridinho da mídia, esta sempre em evidência, ora dando exemplos, ora conselhos (econômicos, amorosos, culinários, sexuais etc.), ora fazendo declarações contundentes, enfim, um modelo de conduta em qualquer situação, inclusive quando “peca”, por que é nesse momento que ele cresce, organizando uma coletiva de imprensa para uma sessão de arrependimento e mea culpa. Por trás disso, normalmente, uma estratégia planejada de marketing, uma excelente assessoria de imprensa, patrocinadores, e um belo esquema de faturamento… E falta alegria, humor e sinceridade.

Os “politicamente incorretos”, por sua vez, também estão sempre em evidência a cada escorregão, declaração infeliz ou acesso de raiva. Daí a mídia cai em cima, revira o passado, relembra os podres, traz depoimentos dos ex-tudo (ex-namorado, ex-esposo, ex-parceiro, ex-sócio, ex-colega, ex-amigo, ex-credor, ex-patrocinador). Mas, cá pra nós, acho que são pessoas muito mais humanas, sinceras e divertidas. Garanto! Vejam a minha lista de comparações entre ídolos PI X ídolos PC:

  • Nelson Piquet a Airton Senna (por pelo menos 3 voltas)
  • Serginho Chulapa a Ronaldinho Fofômeno (um leve pontapé no bandeirinha já faz toda a diferença)
  • Guga a Roger Federer (por 3 sets a 1, pelo menos)
  • Andre Agassi a Pete Sampras
  • Muhammed Ali a Joe Frazier
  • Tim Maia a Roberto Carlos
  • Tim Maia a Chico Buarque
  • Tim Maia a (quase) todo mundo
  • Cassia Eller a Marisa Monte
  • Angela Ro Ro a Zizi Possi
  • Keith Richards a Mick Jagger
  • Mick Jagger a John Lennon
  • John Lennon a Paul Mcartney
  • Rolling Stones a Beatles
  • Felipe Camargo a Tarcísio Meira
  • Paulo Francis a Arnaldo Jabor

Pelé… Bem, esse é a exceção que confirma a regra. Desse eu gosto. Admiro. Admiro muito. São 53 anos de muita personalidade, carinho e paciência frente aos fãs, frente à mídia, sem nunca desapontar os que o idolatram (exceto por algumas declarações famosas, é claro). Pensando em por que e como mencioná-lo nesse post, afinal de contas o cara é o ídolo dos ídolos, ao mesmo tempo em que é o ídolo mais politicamente correto que conheço, de repente entendi tudo, a coisa é perfeitamente lógica: Pelé é mesmo o maior de todos os ídolos e o mais “politicamente correto” deles. Já, o Edson Arantes do Nascimento deve ser da minha turma aí de cima (coluna da esquerda, é claro!).

“Meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado” Albert Einstein.

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