Grandes clássicos do futebol

novembro 19, 2009 · Posted in Esporte 

por Beto Lyra

Eu hoje, igual a todo brasileiro
Vou passar o dia inteiro
Entre faixas e bandeiras coloridas

(Golden Boys em “Eu sou tricampeão do mundo”.

Bem, como os últimos posts e comentários deste Fio Do Bigode têm sido tratados como assunto familiar ou papinho entre amigos, elogios pra cá, lembranças comuns pra lá, eu me permiti, apenas por esta vez, escrever um post também familiar e falar de assunto de bastante familiaridade para os que nos prestigiam com sua leitura.

Falo de futebol, já que se aproxima o final do Campeonato Brasileiro. Times “paraguaios” saíram na frente e ficaram pra trás. Times de chegada largaram mal e estão entre os primeiros. Quem vai ganhar? Ninguém em sã consciência pode garantir nada.

Mas se não conseguimos prever o futuro, ao menos podemos falar com segurança sobre o que passou. Vou me ater apenas à papa fina do futebol, isto é, aos grandes clássicos, aqueles que despertam as paixões, fanatismos, frustrações e por que não? … iras.

Em termos mundiais, posso falar do que acompanhei desde cedo, ou seja, dos timaços de Real Madrid, Benfica, Inter de Milão e Santos, que dominaram boa parte da década de 1960. Cada jogo entre eles valia nada mais, nada menos que uma estrela de campeão mundial no peito. E os times uruguaios e argentinos? Vamos falar sério, eram ótimos times e várias vezes venceram os timaços acima, mas não foi no futebol, foi em algum outro tipo de disputa em que eram válidos lances da cintura para cima. Pra mim, não vale a pena lembrar disso.

Nessa mesma época, pelos gramados daqui, os maiores clássicos eram entre Santos e Botafogo, com algumas chegadas do Palmeiras e, mais pro fim da década, do Cruzeiro.

Na década de 1970, na Europa, os times holandeses faziam furor, entre eles o Ajax de Cruyff e na Alemanha o Bayern de Munique, de Beckenbauer. No Patropi, logo após o tricampeonato brasileiro no Mundial do México, os clássicos eram a coisa mais apaixonante de se assistir. Em campo estavam “apenas” os melhores jogadores de futebol do mundo. Eu e meu irmão não perdíamos um jogo sequer. Todo domingo após o almoço lá íamos nós para o Morumbi ver o clássico da semana, não importando se nossos times iriam ou não jogar, pois só tinha jogo bom. Morro de saudades.

Daí por diante, até os dias de hoje, não houve supremacia de um timaço, mas uma sucessão de grandes times se revezando com a taça na mão. O mesmo ocorreu na América.

Em resumo, não há mais grandes clássicos, nem na Europa, nem no Brasil, muito menos nas terras de nuestros hermanos. Sim, acabou. Hoje, tem grandes patrocínios para clubes, que contratam os melhores jogadores em atividade, mas esquadrão, timaço ou time dos sonhos, nem pensar, pois faltam a todos uma coisinha simples, um detalhe, mas que faz toda a diferença: o amor à camisa. Os locutores e comentaristas tratam de valorizar cada jogo, assoprando a brasa escurecida das rivalidades entre times e torcidas.

Já que falei em brasa, vou puxá-la para a minha sardinha. Por que não ressaltar os clássicos das decisões dos mundiais de clubes? Sim, porque o São Paulo, por acaso o meu time de coração, quando vai à disputa desse título não falha, tem 100% de aproveitamento. Fez clássicos jogos contra o esquadrão do Barcelona, em 1992, e ganhou por 2×1. No ano seguinte, outro clássico, agora contra o poderoso Milan. São Paulo 3×2. E, mais recentemente, em 2005, na 1ª Taça Fifa, contra o Liverpool: faturamos 1×0. Pelos meus cálculos, na próxima vez, teremos que ganhar de algum clube da Alemanha e virar tetra do mundo.

Mas vivemos do passado, que nem tia Marocas. Clássicos mesmo foram o Fla-Flu no Rio, os duelos entre o Trio de Ferro (Corinthians, São Paulo e Palmeiras) em Sampa, de Inter e Grêmio no sul, e com muita concessão, de Cruzeiro e Atlético, em BH. Fora esses aí, apenas o Santos e Corinthians naqueles 20 anos de tabu, ponto final. Você que me lê consegue lembrar de algum grande clássico não citado aqui?

Deixei para o fim o maior de todos os clássicos do futebol. Tão imponente em sua grandeza que, com apenas dois jogos travados, conseguiu ser guindado à categoria de “Clássico dos Clássicos” do futebol. De um lado estava o Golden Team de 1971, que vestia camisas amarelas, mas que não eram da seleção brasileira e sim camisas “tomadas emprestadas” de um tradicional colégio de padres da zona oeste de São Paulo. E, de outro, o bravo time do Teleposto Bosque da Saúde. Vejam só as fotos e escalações abaixo para serem tomados de profunda emoção. Ou não.

Time dos sonhos no Jogo 2: Beto Lyra. Zé Cosentino, Bô, Pedrão e Modesto.

Jogo 1: Modesto, Zé Cosentino, Guilherme, Pedrão e Beto Lyra. Apoiados por Paulo Whitaker, Lou Garcia e Marcos Assumpção.

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