Vinhos e Copa do Mundo

junho 21, 2010 · Posted in Lazer 

por Pedro Sampaio

O Caio, no seu aguardado retorno, falou da tortura que é a Copa do Mundo. É mesmo uma tortura, 30 dias de futebol, uma boa desculpa para matar o trabalho, deitar num sofá nesse frio com um cobertor e ficar assistindo um monte de partidas. Para suportar esse sofrimento, normalmente acabamos comendo alguma bobagem e tomando alguma coisa. É difícil, mas com força de vontade vamos conseguir superar esse período.

O acompanhamento natural das partidas de futebol é uma boa cerveja. Mas para enfrentar a tortura mencionada, talvez seja caso de variar um pouco. Com o frio, um vinho cai muito bem. E já que a Copa ocorre na África do Sul, um país bom produtor de vinhos, nada melhor do que aproveitar a ocasião e experimentar alguns vinhos produzidos por lá. Por isso, hoje vamos de vinhos da África do Sul.

A África do Sul produz vinhos há muito tempo, desde o século XVII, com vinhedos plantados pela Cia das Índias Orientais com a finalidade de fornecer vinhos aos navios que cruzavam o Cabo da Boa Esperança. A região foi sempre importante produtora de vinhos, mas neste século, em razão do regime do apartheid, a produção estagnou e o país, como em todo o resto, ficou absolutamente esquecido como produtor de vinhos.

Após o fim do apartheid a produção de vinhos voltou a se desenvolver na África do Sul. Hoje ela é conhecida como o país produtor do Novo Mundo que tem o vinho mais ao estilo do Velho Mundo. Isso porque seus vinhos puxam mais para o lado da elegância do que da concentração.

As regiões vinícolas da África do Sul ficam todas perto da cidade do Cabo, que tem clima mais frio, com correntes de vento que vêem do pólo sul. As mais conhecidas são as de Stellenbosch (a maior de todas), Franschhoek e Paarl. Também tem importância a região de Constantia, por ter sido a primeira a produzir vinhos. Quem viajou por esses lugares afirma que são lindíssimos, com paisagens deslumbrantes. Aí está uma coisa boa de conferir.

As uvas mais utilizadas são as francesas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah nos tintos, com destaque para a última. Nos brancos, a Sauvignon Blanc e Chenin Blanc aparecem bem. Mas a África do Sul tem uma uva própria nos tintos, a Pinotage, desenvolvida por meio de um cruzamento das uvas Pinot Noir e Cinsault, lá chamada de Hermitage. Por isso a mistura ficou Pinotage. Produz vinhos tintos bem interessantes, alguns bem encorpados, outros macios e elegantes. Mas é preciso um pouco de cuidado, pois alguns vinhos com a Pinotage são meio duros e rústicos, com acidez exagerada. É necessário escolher bem.

Nós temos uma oferta razoável de vinhos da África do Sul nas nossas importadoras. Vou indicar alguns que já experimentei e outros com boa referência nos livros e revistas especializados em vinhos. Começando pelo produtor Kanonkop, um dos mais conhecidos. Seu vinho básico, o Kadette, um corte de Pinotage com Cabernet Sauvignon e Merlot, é bem gostoso. Sem grandes complicações, não muito encorpado, pode ser bebido jovem. Está a venda na Mistral, safra 2007 a US$23,90, e safra 2008 a US$25,90. Ótima pedida para acompanhar um jogo da Copa, junto com um bom queijo. O do tipo Fontina, da Sancor, que se encontra em qualquer supermercado, vai muito bem.

Já mais sério, para acompanhar um churrasco em dia de jogo, do mesmo produtor, o Cabernet Sauvignon, safra 05, é excelente. A venda na Mistral por US$57,50, safra 2003, e US$65,00, safra 2005. Vinho concentrado e complexo. Ainda mais sério, para alguns o melhor vinho da África do Sul, o Kanonkop Paul Sauer, safra 2005 a US$73,90 e 2006 a US$79,50, também na Mistral.

Outro produtor que experimentei e gostei muito é o Glen Carlou. O Glen Carlou Grand Classique 2005, um corte de várias uvas, é muito bom. Está a R$64,00 na importadora Grand Cru. E o Glen Carlou Syrah, safra 2006, está a R$81,00, na mesma importadora. Este é um vinho mais no estilo do Novo Mundo, concentrado, dosagem alcoólica de 14,5%, aroma de frutas negras, café e chocolate. Para quem gosta do estilo, é ótimo.

Vinho muito bem indicado e com ótimo preço é o Nederburg Private Bin Syrah. Nederburg é o vinho oficial da Copa, pois a casa é uma de suas patrocinadoras. Lá é vinho e não cerveja. O Nederburg Private Bin Syrah, safra 2007, está a R$38,00 na Casa Flora. Do mesmo produtor, o Cabernet Sauvignon também parece muito bom. O site da importadora não indica seu preço, mas deve estar na mesma faixa do Syrah. E o seu Pinotage ganhou a degustação da revista Gosto, especializada em gastronomia. O preço do Pinotage é R$40,65. Para quem no dia de jogo do Brasil vai matar de vez o trabalho e quer fazer um almoço mais caprichado, com, por exemplo, um belo pernil de cordeiro, esses vinhos são excelentes opções.

Nos tintos, ainda vale a pena lembrar um dos mais conhecidos vinhos da África do Sul, o Porcupine, do grande produtor Boekenhoutskloof. Na verdade é uma linha de vinhos, com várias uvas, como o Porcupine Merlot, o Porcupine Cabernet Sauvignon e o Porcupine Ridge Sirah. O último eu tomei e gostei muito. Todos a venda na Mistral por US$28,90.

Os brancos da África do Sul são igualmente bons. Sobretudo os mais simples, sem passagem pela madeira. Lá se dá bem uma uva branca francesa não muito conhecida, a Chenin Blanc. O do produtor Robertson Winery é bem indicado. Não o conheço, mas falam muito bem e o preço é ótimo. A safra 2009 está a US$15,90 na importadora Vinci. Como o preço é atraente, vou também experimentar o Sauvignon Blanc, do mesmo produtor, safra 2008, na mesma importadora a US$17,50. Os vinhos com a Sauvignon Blanc vão muito bem com um queijo de cabra fresco. Portanto, ótima pedida para ir bebericando e beliscando durante um jogo da Copa.

Podemos aproveitar ainda a oportunidade e tomar um bom vinho de sobremesa. Isso porque a África do Sul oferece uma das boas ofertas que temos em nosso mercado, por um preço para mortais. Vinho de sobremesa bom normalmente é caro. Mas o Nerdeburg Noble Late Harvest 2007 é muito bom. Já tomei, tem ótimo equilíbrio entre açúcar e acidez, muito importante nos vinhos de sobremesa. O preço de R$56,00, meia garrafa (para vinho de sobremesa não precisa mais), é realmente bom nessa espécie de vinho. A venda na Casa Flora.

Então pronto. Com o frio, vai ser mais fácil suportar toda a tortura da Copa do Mundo tomando esses vinhos do país anfitrião. E para torcer pelo time do Dunga, só meio de fogo. Portanto, saúde para todos e prá frente BRAASIILL!!!

Importadora Mistral: rua Rocha, 288, telefone (11)  3372-3400 ou site (WWW.mistral.com.br)

Importadora Grand Cru: site (WWW.grandcru.com.br)

  • rua Bela Cintra, 1.799, telefone (11) 3062-6388
  • Al. Nhambiquara, 614 – Moema – Tel: 3624-5819
  • Av. Independência, 1.640 – Jd. Sumaré – Tel: 3913-4396

Importadora Vinci: rua Dr. Siqueira Cardoso, 227, telefone (11) 2797-0000 ou site(WWW.vincivinhos.com.br)

Casa Flora Importadora: rua Santa Rosa, 207, telefone/fax (11) 2842-5199 ou site  WWW.casaflora.com.br)

Revista Gosto / Isabella Editora: telefone (11) 2361-1462

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