Almoço de domingo

novembro 20, 2009 · Posted in Lazer 

por Pedro Sampaio

Domingão é dia de se refestelar. Nada como um almoço no domingo com a família ou com os amigos. Boa comida, boa bebida, muitas risadas, jogar conversa fora, discussões acaloradas, tudo vale nessa ocasião. Aquela coisa de melancolia no domingo é melhor deixar bem longe. A segunda feira é para ser lembrada na segunda feira.

Almoço no domingo clama por um bom vinho. Cada turma tem sua tradição e o cardápio varia bastante. Mas se há algo que volta e meia aparece é uma bela massa. As lasanhas, os capelletis à bolonhesa, os nhoques ao sugo e os raviólis com molho de tomate e manjericão sempre marcam presença. Por isso hoje vamos de vinhos para escoltar as boas massas.

Desde já fica ressalvado que estamos cuidando dessas massas com molho vermelho que normalmente comparecem nas mesas das famílias aos domingos. Pratos de massas com molhos mais suaves e até mais sofisticados, ficam para outra oportunidade. As massas com molho de tomate pedem o acompanhamento de um vinho tinto não muito encorpado nem muito complexo, vinhos mais simples e diretos, com boa acidez, para contrabalançar a acidez do molho de tomate.

A Itália, naturalmente, produz os melhores vinhos para acompanhar massas. Como uma das maiores produtoras do mundo, a Itália tem vinhos para todos os gostos e bolsos, produzidos de norte a sul. Entre vários outros, sugiro três fáceis de encontrar e que apresentam boas opções, com preços decentes.

O primeiro é o conhecido Valpolicella, produzido na região do Vêneto, perto de Verona. A uva que predomina na sua produção é a Corvina, variedade local que pouco aparece em outras localidades. O Valpolicella normalmente é um vinho para ser tomado jovem, com um aroma e sabor frutado direto, sem maiores complicações. Ele tem algumas classificações. O melhor é ficar com as classificações Clássico e Clássico Superiore, que aparecem no rótulo.

Existem muitos Valpolicellas espalhados nas prateleiras de supermercados, mas boa parte é de produtores e negociantes que produzem em grande escala e nem sempre agradam. Aqui, é preciso escolher os bons produtores, senão é possível haver decepção.

O Valpolicella de que mais gosto é do produtor Zenato, a venda na importadora Cellar por R$40,00 a garrafa, safra 2006. Já foi muito mais barato, mas pela boa procura, o preço acabou subindo. A lei da oferta e procura é implacável. De qualquer forma, continua sendo uma ótima relação custo-benefício, pois o vinho é muito gostoso. É um tiro certeiro e acompanha muito bem as massas.

Também como ótimos Valpolicellas, valem as sugestões do Valpolicella do produtor Alegrini/2008, à venda na importadora Grand Cru por R$60,00, e do produtor Le Ragose, que estava à venda na Terroir também por R$60,00. Segundo informação obtida por telefone, o Le Ragose esgotou na Terroir e por ora não há expectativa de nova importação. Uma pena, porque é um dos melhores. Quem encontrar em supermercado pode comprar que não vai se arrepender.

Outro vinho ótimo para acompanhar massas é o Dolcetto, produzido com a uva desse nome na região do Piemonte, no norte da Itália, perto da cidade de Turim. É a região que produz os grandes Barolos e Barbarescos, que estão entre os melhores vinhos da Itália e do mundo, vinhos para longa guarda, encorpados, complexos e maravilhosos, para ocasiões muito especiais. Até porque pelo seu preço, só mesmo uma vez ou… uma vez mesmo.

Já o Dolcetto é um vinho mais simples. Apesar do nome da uva, é um vinho bem seco, cor rubi escura, mas que é leve e gostoso, para tomar jovem, sem grande envelhecimento. Na minha modesta opinião, um dos melhores vinhos para acompanhar massas. O Dolcetto é produzido em algumas pequenas vilas do Piemonte, cujo nome pode aparecer no rótulo. Temos o Dolcetto D’Alba, produzido na cidade de Alba, o Dolcetto D’Asti, produzido em Asti, e assim por diante. Os melhores são de Alba.

Ao contrário dos Valpolicellas, difícil encontrar um Dolcetto que seja ruim. Existem vários no mercado, alguns meio caros. Com preço razoável e ótima qualidade, destaco o Dolcetto D’Alba do Renato Ratti, safra 2007 , a venda na importadora Expand por R$78,00 a garrafa. Também gosto muito do Dolcetto D”Alba, do Bruno Giacosa, a venda na Mistral, safra 2007 por U$47,50, e safra 2008 por U$47,90. As duas safras são excelentes. Quase toda a importadora tem um bom Dolcetto, por isso quem gostar mesmo desse vinho, pode ir testando e experimentado.

Por último, acompanhamento perfeito para as massas no domingão é um bom Montepulciano d’Abruzzo, vinho menos conhecido. Produzido na região de Abruzzo, que fica para o lado do mar Adriático, na região mais central da Itália. A uva, óbvio, é a Montepulciano. Também é um vinho simples que sozinho não chama a atenção, mas com comida cresce significativamente.

Existem alguns produtos em prateleiras de supermercados, bem baratos, mas que não são grande coisa. Os melhores custam um pouco mais caro. O produtor Masciarelli é muito bom e seu Montepulciano d’Abruzzo básico custa R$40,00, na Cellar. O Masciarelli tem um vinho superior, o Montepulciano d’Abruzzo “Marina Svetic”, que é realmente excelente, vinho mais complexo, que foge um pouco do estilo dos demais indicados. Mas é caso de experimentar, apesar do preço de R$105,00.

Outro bom Montepulciano d”Abruzzo é o do produtor Filomusi Guelfi, a venda na importadora Vinci por R$58,11, safra 2003, um pouco antiga para esse vinho, mas que ainda está bom. É comprar para beber já, sem guardar muito tempo.

Todos esses vinhos devem ser bebidos refrescados, temperatura aí pelos 16º. É bom lembrar que esse negócio de tomar vinho tinto na temperatura ambiente vale para a Europa e outras regiões mais temperadas. No Brasil, num dia quente de 25 ou 30º., vinho na temperatura ambiente parece sopa de uva com álcool. O vinho tinto pode e dever ser refrescado, os mais encorpados para uma temperatura de cerca de 18º., os mais simples por volta de 16º.. Colocar na porta da geladeira por 50 minutos antes de servir resolve o problema.

Muito bem, no mais, mãos à obra. Um viva para a macarronada no final de semana. SALUTE E ARRIVEDERTE!

Grand Cru: rua Bela Cintra, 1.799, Jardins, telefone (11) 3062-6388; al. Nhambiquara, 614, Moema, telefone (11) 3624-5819; av. Independência, 1.640, Jd. Sumaré, telefone (11) 3913-4396 ou site (www.grandcru.com.br).

Expand: av. Cidade Jardim, 790, telefone (11) 2102-7788; lojas em diversos Shoppings, como Iguatemi, Villa-Lobos, Higienópolis e Jardim Sul ou site (www.expand.com.br).

Cellar: rua Juquis, 283, telefone (11) 5531-2419 ou site (www.cellar-af.com.br).

Mistral: rua Rocha, 288, telefone (11) 3372-3400 ou site (www.mistral.com.br).

Vinci: rua Dr. Siqueira Cardoso, 227, telefone (11) 2797-0000 ou site (www.vincivinhos.com.br).

Terroir: av. Europa, 580, telefone (11) 3087-8300; rua Aurora, 872, telefone (11) 2109-1500 ou site (www.terroirvinhos.com.br).

(as importadoras costumam não cobrar o frete para compras de no mínimo 6 garrafas; é bom consultar).

A foto acima “Shower Time!” é de Conanil, em Creative Commons.

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