Plano B é pessimismo?

agosto 14, 2010 · Posted in Humor 

por Passarinho

Passarinho é um desses sujeitos raros de encontrar hoje em dia. Culto, educado e cheio de boas idéias. Gosta de inventar um projeto novo para mergulhar a fazer, talvez em razão do DNA de artista que carrega de seu avô Danilo Di Prete. Adora trabalhar em equipe, de ajudar e ser ajudado.

Trabalhamos juntos anos atrás e ele sempre estava bolando algum projeto e defendendo suas idéias com total paixão. Não sei se na época já tinha plano B para as empreitadas em que se envolvia, mas costumava se sair bem.

Agora vem colaborar no Fio Do Bigode e fico torcendo para que ele fique sendo o nosso Plano A.

Vamos nessa!

Beto Lyra


Imagine um navio zarpando. Alguém percebe e alerta: ei, não tem botes salva-vidas.  Outro, já no barco, grita: deixa de ser pessimista, que coisa, você só pensa negativo, “vãobora”, nada vai acontecer, tenha pensamento positivo!

Alguém acha isso razoável?

Pois é assim que me sinto quando vejo a “ditadura do pensamento positivo”, termo cunhado por Barbara Ehrenreich, que tem feito palestras e escrito livros a respeito.

Esta ditadura continua. Difícil chegar em uma reunião e dizer “e se não der certo o que a gente faz”. Corre-se o mesmo risco do barco sem salva-vidas e de você ser acusado de pessimista e agourento. Se der errado, então, advinha de quem será a culpa. Não será do mau aproveitamento do orçamento, das decisões erradas que foram tomadas. Será seu, aquele que não pensou direito.

Aliás, já vi gente quebrando a empresa e sendo acusado de “não ter sonhado grande o suficiente”. Não bastou ter ido à bancarrota, ainda foi acusado de não ter nem sonhado direito. É um pouco cruel.

Já vi um monte de gente acreditando em papai Noel, com ideias malucas e com a certeza absoluta que tudo ia dar certo, apesar de tudo indicar o contrário, apenas porque tinha um excelente pensamento positivo. Daí dá errado e não toca mais no assunto ou se culpa por não ter sonhado o suficiente. Vai errar de novo.

Não tenho dúvidas do poder do pensamento positivo. Ele produz hormônios do bem, nos torna poderosos, crentes de nossas grandes possibilidades, nos motiva e impulsiona. Também não tenho dúvidas da força gravitacional do derrotismo. Para baixo se vai naturalmente, até quando se trata de pensamento. Para cima sempre dá mais trabalho.

Mas não pode ser do tipo “segredo”. Aquele que diz que, para dar certo, precisa imaginar a cor, o cheiro, o sabor, a textura, tocar mentalmente, entrar pela imaginação, fazer mural de desejos com fotos e textos e não perder este pique de jeito nenhum. E, para dar errado basta um simples “será?”, e uma grande onda derrotista acaba com o melhor dos sonhos.

Eu ainda acho que o melhor planejamento é aquele feito pensando “e se der errado”. Depois, a gente corre para o abraço e faz de tudo para dar certo.

Um bom plano B é essencial em muitas situações da vida. Até no casamento. Calma, não me refiro a uma “esposa B”. Falo dos contratos pré-nupciais, separação de bens e outros quesitos bem ao estilo de um plano B.

Para tudo que estiver sujeito a alterações sem prévio aviso e principalmente se não depender da gente, é preciso ter um ótimo plano B na manga. Então sejamos muito, muito otimistas de que não vamos precisar usá-lo. E sejamos mais otimistas ainda, ficando tranquilos, pois afinal, temos um ótimo plano B, se for o caso.

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