Onde comer em Buenos Aires

junho 7, 2010 · Posted in Gastronomia 


por Ana Franco

Dizem que a prova de fogo para algo que comemos é sermos capazes de lembrar seu sabor tempos depois da degustação.

Tenho algumas memórias gustativas incríveis, como o biscoito que servia de base para os docinhos em forma de joaninha de um aniversário que minha mãe fez pra mim ou a sopa de tartaruga pescada pelo meu pai quando eu tinha uns 8 anos e nenhuma consciência ecológica.

Bem, os pratos que descrevo a seguir encaixam-se perfeitamente no critério inesquecíveis. Já faz algum tempinho que estive em Buenos Aires pra assistir o mega master blaster duKCT, show do Depeche Mode. E os sabores que provei por lá continuam povoando o palato da minha memória.

Sábado de manhã, friozinho leve, céu azul, rumamos para San Telmo onde fica o Café San Juan, dica da Alê Blanco do blog Comidinhas.

O ambiente é bem descontraído e o atendimento é ótimo. Tem um clima de bistrô mas a cozinha é de inspiração espanhola. Não tem cardápio. O garçom traz a lousa com as opções do dia até sua mesa.

Começamos com uma seleção de tapas pra acompanhar a Stella Artois de garrafa grande:
Patê de Coelho com Geléia de Cerejas: foi o meu preferido, textura macia, sabor marcante, geléia com doçura na medida e pão rústico crocante. (Foto: Renata Prazeres)
Patê de Salmon com Chutney de Tomates: o patê em si estava muito bom mas achei que não combinou com o chutney de tomates que estava doce demais e carregado na semente de coentro. (Foto: Renata Prazeres)

Terrine de Pato Confit com Figos, Pistaches e Rabanetes em Conserva: Divino. Uma combinação que não tem como dar errado. Repare no detalhe da crèpine envolvendo a terrine! Coisa bem feita, viu? (Foto Cris Gusmão)

Depois de muito beber e beliscar, escolhemos nossos pratos principais:

Eu escolhi um magret com laranjinhas kinkan, passas e uma espécie de rabanada salgada que absorvia todo o molho delicioso do pato, que por sinal estava perfeitamente rosado no seu interior, como deve ser.(Foto Renata Prazeres)
Carol, que pela primeira vez na vida comeu coelho (e não gosta de confessar, mas gostou) optou por um prato mais convecional. Pelo menos foi isso que me passou na cabeça antes que o salmão com legumes chegasse à mesa. Legumes grelhados e cozidos al dente, cobertos por um pesto de ervas, salpicado de pinoles e o peixe com sabor e texturas incríveis, quase um salmão selvagem. (Foto Renata Prazeres)
Rê e Cris escolheram o coelho com polenta. Era uma espécie de ragú com molho espesso e cheio de sabor. Sobre a polenta nem preciso falar, né? Tá na cara que tava mais que perfeita. (Foto Renata Prazeres)
O almoço foi tão lauto que não sobrou espaço pra sobremesa. Na próxima oportunidade, começo pelo final! Detalhe importante: custou menos de R$ 50 por cabeça!
Depois de um fim de tarde passeando pelas ótimas e famosas livrarias da cidade, banhão revigorante no Hotel Cuatro Reyes (ótima localização, preço excelente) e casa da Silvia pro esquenta do showzaço. Uma garrafa de Absolut Vanilla desceu feito água…
Domingão, levemente de ressaca, a primeira compra foi uma garrafa gigante de água mineral! Depois passeio pela ótima feira de San Telmo, sorvetes, cafés. Aproveite para tomar uma Duff e descobrir o porquê da preferência de Homer!

E rumo à Recoleta. Por lá, mais sorvetes, mais café e uma pizza muuuito boa no bar chamado…

Ok, o desenho parece mais o Biro Biro, mas vá lá, foi um argentino que desenhou, né? Depois hotel, arrumar malas com a sensação de que o tempo foi muito curto, já planejando um retorno breve.
Encerramos a curta estada com um jantar típico de Salta, região do norte do país. O restaurante La Carretería (Av. Brasil, 656 – San Telmo) é bem rústico e descontraído mas é uma pérola da comida regional e mais verdadeira dos hermanos. Como fomos num domingo à noite, tipo umas 22hs, a rua estava meio escura e vazia, o que pode assustar alguns turistas menos aventureiros.
Mas não se deixe impressionar, Buenos Aires é uma cidade super segura, principalmente se o seu modelo de comparação for o Rio ou São Paulo. Voltando ao restaurante: mesas e cadeiras de madeira, toalhas com motivos florais “caipiras”, algumas peças de artesanato típico, atendimento simpaticíssimo e iluminação amarelada e aconchegante.
Começamos com uma rodada de salteñas picantes e perfeitas. Massa fina, crocante e recheio suculento. Depois pedi um matambre com queijo. Olha, de comer rezando. Uma pena que aqui em Sampa não se encontra matambre com facilidade.
Como diria Tony Bourdain, filé mignon até cachorro sabe fazer. Quero ver fazer uma carne fibrosa como essa se transformar num prato tão saboroso, onde os nacos de carne desmancham na boca.
Pra finalizar, um potpourri de compotas caseiras com quesillo, uma espécie de requeijão do norte nosso, tudo coberto com mel silvestre e nozes.
A conta? R$ 15 por pessoa. Chega a ser rizível.
Você pode estar se perguntando “foi pra Buenos Aires e nem comeu carne?”. Pois é, gosto do diferente mesmo.
E aproveitando que o assunto é comida, nosso vizinho tem ótimas publicações sobre gastronomia. Fiquei especialmente encantada com a Joy. Dá uma olhadinha lá no site e quando for pra BsAs, traz uma pra mim!

(*) “Onde comer em Buenos Aires” foi originalmente publicado no blog “Cozinha de Idéias”. Crédito das Fotos: Renata Prazeres e Cris Gusmão. 

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