Maestro, qual é a música?

outubro 28, 2009 · Posted in Música 

por Beto Lyra

Bem, como o Caio convocou a turma para ajudá-lo a encontrar boa música de gente nova, eu me meti a tentar escrever sobre alguns novos intérpretes, que não sei se ele ou vocês já conhecem, mas que creio merecem ser conhecidos e curtidos. Assim, aqui vai a primeira sugestão, que é Melody Gardot, cantora e compositora de jazz e blues norte-americana, de 24 anos. Começou a compor por recomendação médica (neste caso não houve erro médico) como tratamento das sequelas de um acidente com bicicleta que sofreu aos 19 anos (foi atropelada por um desses jipões, que alguns gostam de dirigir como F1).

Gardot tem, eu penso, voz aveludada, misteriosa, no bom estilo de Norah Jones. Lembra algumas vezes Madeleine Peyroux, só pra ficar nas comparações mais recentes. Ela afirma que foi influenciada musicalmente por Janis Joplin, Miles Davis e Stan Getz. Canta enfeitiçando, músicas compostas por ela mesma, em sua maioria. Seu primeiro disco foi “Some Lessons: the bedroom sessions” (2005), na realidade um EP. Das 6 faixas, prefiro “Down My Avenue” e “Cry Wolf”, letra que provavelmente foi escrita ao longo de seu tratamento de recuperação, mostrando decepção com sua lenta melhora.

Em 2006, gravou seu segundo CD, “Worrisome Heart”, um disco super uniforme, mostrando uma cantora que aparentava já ter muita estrada. Nele, eu gosto de todas as canções, mas destaco “Quiet Fire”, “Sweet Memory”, “Goodnite” e a música que dá título ao disco. Lançado apenas em 2008, alcançou rapidamente o 2º lugar no U.S. Billboard Top Jazz.

O terceiro disco, na realidade outro EP, é “Live From SoHo” (2009), que traz seis músicas, todas conhecidas, gravadas exclusivamente para o iTunes.

“My One And Only Thrill”, mais recente trabalho da cantora (2009), tem altos e baixos na minha opinião. Em oposição a faixas travadas, tem canções como “Who Will Confort Me” e “If The Stars Were Mine”, que trazem uma pegada maravilhosa, e “Your Heart Is As Black As Night” em que canta como as melhores intérpretes negras de jazz. Destaco ainda “Over The Rainbown”, a clássica balada gravada por Judy Garland, em 1939. Apesar do desbalanceamento, o disco alcançou novamente o 2º lugar na US Top Billboard, o 1º na Suécia e o 4º na França, além de ser bem vendido na Inglaterra, Holanda, Nova Zelândia e Austrália.

Por aqui, já tem este último CD, mas os anteriores não são fáceis de achar. Ou mandamos importar (e não fica barato) ou esperamos que as gravadoras compreendam que brasileiro também gosta de música boa.

Podem conferir mais uma apresentação ao vivo em que Gardot canta “Who Will Confort Me” (vejam só o bigode/barba do contrabaixista). Aproveitem!

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