Hipocrisia, a gente vê por aqui (parte 2)

março 21, 2010 · Posted in Sustentabilidade 

por Beto Lyra

Sempre achei estranho combater os efeitos e não as causas. Exemplo: campanha contra as armas. Se somos um povo pacífico e ordeiro (como dizem) e repudiamos a violência, por que não proibir o funcionamento das fábricas de armas? Na mais fina interpretação do “me engana que eu gosto”, o brasileiro entra na discussão de “armas” vs “não armas” como se, a partir de sua proibição, o país amanhecesse  mais pacífico do que nunca. Não tem jeito, o brasileiro entra na primeira onda que vem, não pensa ou questiona nada.

Do mesmo gênero, é a atual febre no Brasil de liberalismo sustentável, que tem em Marina Silva sua mais notável porta-bandeira. Leio que a Economia Verde defendida em sua pré-plataforma eleitoral, além da austeridade fiscal (quem poderia ser contra isso?), quer subsidiar iniciativas “limpas”, como energia solar e carros elétricos, e não atividades como pecuária extensiva.

Só os produtores e os distribuidores de combustíveis, são contrários a isso, não é? Mas, a economia verde vai além, quer inibir a pecuária. Não estava no texto que li, mas quer também inibir a expansão das fronteiras da soja e outras plantações que, de um lado invadem e destroem florestas, mas de outro, produzem alimentos a uma população que não para e nem parará tão cedo de crescer.

O que querem os verdes e, em particular, Marina Silva? A pré-candidata, naquele tom de voz de D. Paulo Arns, diz que estão querendo “satanizar” esse debate. Como assim? O risco com Marina Silva talvez seja o de tornar temas conflituosos em questões do “bem” contra o “mal”. Entendo, que mais uma vez mais se evita discutir e tratar a principal causa do problema, que nesse caso é o crescimento demográfico. O país, na verdade o mundo, precisa de alimentos, cada vez mais.

Quem mora em São Paulo deve se lembrar de como era viajar pelo interior do estado. Já ao sair da cidade haviam sítios e chácaras, o cinturão verde, com legumes e verduras, e granjas, produzindo ovos. Mais à frente, fazendas e mais fazendas com rebanhos, de corte e de leite, e muitas plantações de alimentos, como café, milho e feijão. Atualmente, tudo isso é cana de açúcar. O cinturão verde se quebrou e as plantações das antigas fazendas de alimentos acabaram expulsas e “empurradas” para o norte. Assim, se nas regiões sul e sudeste, não há mais espaço suficiente, e a Centro-oeste está se esticando cada vez mais para o norte, a invasão da Amazônia é uma decorrência. E isso ocorre sem limites, o que é aterrador.

Se, no caso das armas, ninguém fecha as fábricas, no caso de estouro populacional, ninguém (Governo, Igrejas, políticos, entre outros) faz nada para inibir a fabricação de filhos ou a migração rumo a São Paulo e outros grandes centros. Aumenta a população, crescem as cidades, e assim cresce a necessidade de expandir fronteiras para novas terras onde fabricar comida.

Recapitulemos, é proibido proibir armas, mas quem as possuir é punido com prisão. Nesse mesmo sentido, é proibido proibir ter filhos, mas inúmeras formas de se obter maior quantidade de alimentos são proibidas, e algumas vezes, punidas. Transgênicos, pecuária extensiva, comer carnes, tudo isso faz parte do discursinho naif dessas ONGs e comunidades que vivem de doações de empresas interessadas na defesa dessas teses. Essas entidades (ôpa, isso é coisa de terreiro) não têm qualquer independência econômica, pois são, direta ou indiretamente, financiadas por outros interesses econômicos, mas arrotam uma altivez de dar inveja.

Em resumo, por que não fazer campanhas pela educação de casais para que evitem filhos? Por que não criar políticas para “segurar” famílias no campo e em centros menores? Por que não fechar as fábricas de armas?

Comments

Leave a Reply