Poupança global interna: fundamental ao desenvolvimento

março 28, 2010 · Posted in Economia · Comment 

por Geraldo Vidigal

Sem poupança social ampla não há desenvolvimento.

O desenvolvimento do Brasil depende da ampliação da capacidade social de poupar: é que a poupança é dinamicamente semelhante ao investimento.

Isto é, poupança e investimento são dinamicamente iguais, igualam-se com o tempo.

A capacidade estatal de investir está extremamente limitada, e lastreia-se em grande parte em recursos externos, potencialmente caros. E possivelmente escasseando no futuro próximo.

Mas o Brasil necessita desesperadamente de investimentos para meramente manter as necessidades de crescimento vegetativo futuro.

Falar-se em 5% de crescimento do PIB, quando a inflação projetada é de 4,5%, significa na prática crescimento quase ZERO.

É essencial investir fortemente para superar nosso déficit histórico em:

  • Energia (geração e transmissão)
  • Transportes (recuperação e/ou duplicação de estradas, além de ampliação da malha rodoviária; ferrovias; ampliação, modernização e diversificação dos portos)
  • Logística
  • Água e esgotos (e tratamento de águas)
  • Construção Civil (com foco na Habitação)

O próximo governo deverá garantir à Petrobrás recursos da ordem de quase 200 bilhões de dólares (um quinto do PIB anual) apenas para investimento Pré e Pós Sal. Parte desse potencial é em óleo leve – diferente dos de má qualidade, para que foram desenvolvidas nossas refinarias – e demandará investimentos em atualização e construção. É necessário construir linhas de transmissão de gás para pólos consumidores.

É essencial obtermos ampliações de posições nos mercados internacionais.

O Mercosul, no ponto em que se encontra, não tem dimensão para competir com os demais blocos econômicos. O Mercosul é mercado a ser mais eficientemente organizado, otimizando possibilidades de ganho de cada país membro.

Para alavancar as exportações brasileiras, no mercado mundial em geral, e no do Mercosul em particular, faz-se necessária levar a cabo Reforma Tributária.

Problemas: moeda nacional supervalorizada em perto de 28%; estrutura jurídico-trabalhista nacional desproporcional à dos competidores; políticas protecionistas dos países competidores; o superávit primário frente à Dívida pública federal (+/- 42% do PIB) e o aumento constante da arrecadação tributária; Desequilíbrio entre contribuições e pagamentos previdenciários e necessária reforma previdenciária; déficit educacional; infraestrutura insuficiente e desatualizada; logística inferior à necessária, exíguo número de empreendedores capacitados; elevadas despesas fixas governamentais em todos os níveis federativos.

Há quem aposte não estar longe o momento em que o Brasil terá de começar a utilizar suas reservas em Dólar.

Para fortalecer o mercado interno, além das Reformas (Trabalhista, Previdenciária e Tributária) já mencionadas, é essencial ampliar emprego e nível de renda dos trabalhadores.

A combinação dessas coisas importaria em aumento de consumo quantitativo e qualitativo, redundando em aprimoramento geral [indústria, comércio, serviços e agropecuária].

O povo no Brasil não tem cultura de poupar. O povo brasileiro tem cultura do consumo imediato.

A origem disso está no próprio Estado brasileiro, que desincentiva, e ainda penaliza poupanças privadas por várias formas.

Nosso histórico é o de que a poupança ou desaparece com inflação, ou é tomada pelo Estado, ou ainda por qualquer um.

Incentivo à poupança, bem sucedido, poderá reduzir a necessidade de que o Bacen amplie os percentuais de depósitos compulsórios, necessários à redução de liquidez nos mercados e conseqüente controle inflacionário. Aumento do compulsório reflete-se na Selic, redunda em aumento da taxa básica de juros no futuro e impacta nas taxas de juro em geral. É possível que no segundo semestre Henrique Meirelles candidate-se. Nesse caso, tratando-se de ano eleitoral, poderia parecer conveniente ampliar poder aquisitivo. Qual a linha do futuro presidente do Bacen? De questões como tais e do aumento do compulsório determinado em fevereiro, decorre os mercados futuros de juros apostarem em aumento da Selic para o segundo semestre.

A construção de habitações para locação residencial é desestimulada pelo Estado:

Com locação há retorno mensal da ordem de 0,6% do valor imobiliário. Isso se o locatário pagar: aluguel, verba locatícia, IPTU, taxas, condomínio etc. Caso contrário, há custos para receber e/ou despejar: advocatícios; dificuldades de citação; Poder Judiciário sobrecarregado. Isto é: mesmo com alterações legais, possível demora na satisfação dos direitos do locador.

A tributação é de 25% sobre a renda locatícia.

Investidores de porte criam empresa administradora, com tributação direta de 11,5%. Mais custos: organizacional, contábil, burocrático, previdenciário, contributivo.

A aplicação em Fundos de Investimento Imobiliária, até 10% das quotas, é isenta. Mas os FIIs, embora alguns bem rentáveis, não têm liquidez, pois mal há cultura de poupança bursátil, quanto mais nesses. Difíceis de entrar e duros de sair.

Comparada à renda que pode ser obtida no mercado financeiro e a tributação ali incidente, a construção de imóveis para locação residencial por pequenos poupadores é proibitiva.

Alteração na cultura popular de consumir JÁ, e poupar NUNCA, depende de ação estatal voltada a convencimento social e criação de estímulos, em especial a novas alternativas, não necessariamente bancárias. E garantir seguranças jurídica e fiscal.

Hipocrisia, a gente vê por aqui (parte 2)

março 21, 2010 · Posted in Sustentabilidade · Comment 

por Beto Lyra

Sempre achei estranho combater os efeitos e não as causas. Exemplo: campanha contra as armas. Se somos um povo pacífico e ordeiro (como dizem) e repudiamos a violência, por que não proibir o funcionamento das fábricas de armas? Na mais fina interpretação do “me engana que eu gosto”, o brasileiro entra na discussão de “armas” vs “não armas” como se, a partir de sua proibição, o país amanhecesse  mais pacífico do que nunca. Não tem jeito, o brasileiro entra na primeira onda que vem, não pensa ou questiona nada.

Do mesmo gênero, é a atual febre no Brasil de liberalismo sustentável, que tem em Marina Silva sua mais notável porta-bandeira. Leio que a Economia Verde defendida em sua pré-plataforma eleitoral, além da austeridade fiscal (quem poderia ser contra isso?), quer subsidiar iniciativas “limpas”, como energia solar e carros elétricos, e não atividades como pecuária extensiva.

Só os produtores e os distribuidores de combustíveis, são contrários a isso, não é? Mas, a economia verde vai além, quer inibir a pecuária. Não estava no texto que li, mas quer também inibir a expansão das fronteiras da soja e outras plantações que, de um lado invadem e destroem florestas, mas de outro, produzem alimentos a uma população que não para e nem parará tão cedo de crescer.

O que querem os verdes e, em particular, Marina Silva? A pré-candidata, naquele tom de voz de D. Paulo Arns, diz que estão querendo “satanizar” esse debate. Como assim? O risco com Marina Silva talvez seja o de tornar temas conflituosos em questões do “bem” contra o “mal”. Entendo, que mais uma vez mais se evita discutir e tratar a principal causa do problema, que nesse caso é o crescimento demográfico. O país, na verdade o mundo, precisa de alimentos, cada vez mais.

Quem mora em São Paulo deve se lembrar de como era viajar pelo interior do estado. Já ao sair da cidade haviam sítios e chácaras, o cinturão verde, com legumes e verduras, e granjas, produzindo ovos. Mais à frente, fazendas e mais fazendas com rebanhos, de corte e de leite, e muitas plantações de alimentos, como café, milho e feijão. Atualmente, tudo isso é cana de açúcar. O cinturão verde se quebrou e as plantações das antigas fazendas de alimentos acabaram expulsas e “empurradas” para o norte. Assim, se nas regiões sul e sudeste, não há mais espaço suficiente, e a Centro-oeste está se esticando cada vez mais para o norte, a invasão da Amazônia é uma decorrência. E isso ocorre sem limites, o que é aterrador.

Se, no caso das armas, ninguém fecha as fábricas, no caso de estouro populacional, ninguém (Governo, Igrejas, políticos, entre outros) faz nada para inibir a fabricação de filhos ou a migração rumo a São Paulo e outros grandes centros. Aumenta a população, crescem as cidades, e assim cresce a necessidade de expandir fronteiras para novas terras onde fabricar comida.

Recapitulemos, é proibido proibir armas, mas quem as possuir é punido com prisão. Nesse mesmo sentido, é proibido proibir ter filhos, mas inúmeras formas de se obter maior quantidade de alimentos são proibidas, e algumas vezes, punidas. Transgênicos, pecuária extensiva, comer carnes, tudo isso faz parte do discursinho naif dessas ONGs e comunidades que vivem de doações de empresas interessadas na defesa dessas teses. Essas entidades (ôpa, isso é coisa de terreiro) não têm qualquer independência econômica, pois são, direta ou indiretamente, financiadas por outros interesses econômicos, mas arrotam uma altivez de dar inveja.

Em resumo, por que não fazer campanhas pela educação de casais para que evitem filhos? Por que não criar políticas para “segurar” famílias no campo e em centros menores? Por que não fechar as fábricas de armas?

Projetos futuros

março 16, 2010 · Posted in Artes · Comment 

por Paulo Gil

Outro dia vi a foto de uma amiga do tempo da escola. Tinha os cabelos brancos. Fiquei assustado. Lembrei-me de mim com cabelos; e dos dela: eram castanhos.

É difícil, às vezes, ver o amigo de infância com cabelos brancos.

Foi destes momentos em que “a ficha cai” em que a noção do tempo bate à porta.

Quando vemos alguém que nos conheceu quando éramos outro, por um momento respiramos novamente aqueles ares. Depois, graças ao que seja, voltamos para onde estamos. Prontos para a foto de agora.

A fotografia realmente pode ser um espelho com memória. A gente se reconhece não apenas na foto em que estamos “presentes” mas naquelas em que não estamos porém de alguma maneira por ali estávamos. Conhecíamos as personagens, respiramos os ares daqueles momentos.

Ler uma foto depende do lugar da história em que estamos. Adoro isso. Olho para mim na foto e tenho aquela impressão de ter sido outro. Ainda bem!

Por vezes envelhecer me deixa meio acabrunhado no entanto descubro, pouco a pouco, que este saber – tornar-se maior, como dizem os espanhóis – é a grande arte.  O que nos dá a perspectiva de futuro.

Ao contrário de um álbum de fotografias:  história acumulada. Adoro fotografar, mas, no que diz respeito às fotos pessoais,  não tenho um álbum, tenho caixas cheias de imagens a serem re-descobertas.

Isso tudo me trouxe um pequeno caso: meu tio foi almoçar outro dia em casa de minha mãe. À saída do prédio, encontrou um velho amigo que lhe disse: “Olá! Como vai?  Precisamos nos encontrar para lembrar o passado!” Ao que meu tio respondeu: “Lembrar o passado não! Pensar nos projetos que temos para o futuro!”

É isso. Quais as fotos a serem feitas?

Qual futuro pretendo seja um dia parte de minha memória?

Bom ter mestres da vida, como meu tio, assim, ao alcance da mão. Mantém viva aquela deliciosa “angustia” das infinitas possibilidades que existem quando estamos diante de  um papel em branco ou  olhando através do visor de uma câmera.

Psiu, escute a moça com atenção…

março 5, 2010 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Depois do meu mais recente post “A mentira do aquecimento global?” além de ficar satisfeito da vida com o recorde de comentários a ele, prós e contras, tive momentos de receio por alguém me interpretar como “dono da verdade”. Que não sou é desnecessário dizer, mas é bom deixar claro que nunca tentei ser e levo algumas caneladas de amigos que não me permitem esquecer isso. Assim, quando ouvi o início da canção “Right As Rain”, “Who wants to be right as rain it’s better when something is wrong”, imediatamente decidi escrever sobre a compositora.

Falo da nova cantora e compositora inglesa: Adele. É, na minha avaliação, uma deliciosa voz interpretando jazz, soul e às vezes, folk. Quem for da minha geração facilmente vai identificá-la com Carole King, mas acho que Adele é mais pra cima e bom astral do que a diva dos anos 60 e 70. A crítica musical acha que seu estilo é muito parecido com Amy Winehouse, mas se é para tentar comparar a outra cantora contemporânea, eu ousaria dizer que o estilo e voz se comparam à voz enfeitiçada de Norah Jones.

Começou a compor aos 16 anos, Hometown Glory, e em 2007 já fazia abertura de shows importantes. Feito um raio, gravou seu primeiro disco (2008), único até agora, o álbum “19”. Ganha um doce quem adivinhar quantos aninhos tinha ao lançar o disco.

Preste atenção nas baladas alegres “Right As Rain” e “That’s It, I Quit, I’m Moving On” e também em “Make You Feel My Love”, canção de Bob Dylan (do disco “Time out of Mind”, de 1997), já cantada entre outros por Billy Joel, Neil Diamond, Joan Osborne e Maria Muldaur.

A música “Chasing Pavements” turbinou a carreira de Adele, levando-a ao segundo lugar nas paradas inglesas por 4 semanas, onde permaneceu por mais de 9 meses entre os 40 hits da ilha do chá. O álbum “19″ chegou ao 1º lugar na Inglaterra, 3º na Irlanda, 4º na Holanda e 10º na Billboard norte-americana.

Em 2009, ganhou Grammys nas categorias “Melhor Revelação Feminina” e “Melhor Performance Vocal de Cantora Pop” com a mesma “Chasing Pavements”.

Logo após o estouro de seu primeiro disco, Adele começou a trabalhar no segundo. Em fevereiro último, o produtor de rock pesado, Rick Rubin, foi contratado para produzir o álbum e ajudar a compor músicas para ele.

Deem uma escutada nessa outra canção da moça.