Feliz 2010 a todos!

dezembro 29, 2009 · Posted in Lazer · Comment 

Que tudo se realize
No ano que vai nascer
Muito dinheiro no bolso
Saúde pra dar e vender
(Francisco Alves e David Nasser)

São os votos da Redação do Fio Do Bigode

Até o dia 5 de janeiro.

A casa da rua Arquiteto…, 570

dezembro 25, 2009 · Posted in Uncategorized · Comment 

por Caio Ferreira

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Há exatos 42 anos tornei-me cidadão da RSFAP (República Socialista Futebolística do Alto de Pinheiros), depois de um estágio de 2 anos frequentando o Santa Cruz e convivendo com novos e importantíssimos amigos do bairro. Foi em dezembro de 67 que ficou pronta a casa que meus pais construíram naquele terreno comprado às vésperas do casamento, e que mensalmente visitávamos. Eles nos punham no carro, rumávamos para o Alto de Pinheiros, víamos e comentávamos várias casas novas e lindas (a do Guilherme Ferraz era a preferida), visitávamos nosso terreno (algumas vezes visitamos o terreno errado, na rua de cima!) e depois íamos tomar sorvete no Largo de Pinheiros. Até que finalmente o projeto engrenou e a casa aconteceu. Mudamos, se não me engano, no fatídico fim de semana que o São Paulo empatou com o Corinthians e acabou perdendo o campeonato paulista de 67 para o Santos. Mudei enquanto meus novos amigos e eu estávamos enlutados.

A primeira surpresa foi que meu avô veio morar conosco o que garantiu um suprimento extra de bolos, doces e guloseimas em geral por muitos anos.

Com a mudança adquiri minha independência. Circulava a pé pelo bairro com liberdade total para ir ao colégio, ao clube e à casa dos amigos. Além disso, o resto do mundo ficava a um passeio de ônibus – 0 velho 61 – de distância.

Embora minha casa não fosse “o” ponto de encontro da turma, a família era grande e sempre tinha gente circulando. Amigos meus da escola que levava para almoçar e estudar, amigas das minhas irmãs, e foram muitas as reuniões, festinhas e festões que aconteceram por lá (e que vários de vocês frequentaram). Sem contar as festas familiares e da turma dos meus pais, inclusive casamentos e bodas.

Morei lá por dez anos, até 77, quando briguei com meu pai e sai de casa. Só voltei a freqüentar a casa quando voltei da Nigéria em 83.

Nesse meio tempo a casa aumentou. No terreno comprado ao vizinho surgiram piscina, salão de festas e jogos, e um belo gramado onde dava até para jogar um futebolzinho. Brincava com meu pai dizendo que estas melhorias eram fruto da economia gerada pela nossa briga!

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Havia mudado também o ritmo da casa. Com minhas irmãs casadas e com filhos, viraram rotina os almoços familiares aos domingos, sempre com grandes aperitivos à beira da piscina, churrascos, macarronadas, ou coisas mais elaboradas. E por todos esses anos essas reuniões familiares aconteceram regularmente, enquanto a ocupação da casa diminuía, à medida que íamos abandonando o barco em busca de outras aventuras.

De repente, lá moravam apenas meus pais e a casa ficou enorme, mas nem passava pela cabeça deles sair de lá, mesmo curtindo um certo medo da violência urbana de São Paulo. O staff de primeira que sempre os assistiu ajudou muito na decisão de permanecer lá. Afinal, não é fácil largar boas mordomias…

No último ano voltei a quase morar na casa, desde que passei a vir semanalmente a São Paulo.

E agora, 42 anos depois, rompemos os laços com toda essa história. Minha mãe colocou a casa à venda (quem tiver família grande, anime-se) e  mudou-se para um belo apartamento. No bairro, é claro!

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Eu mesmo tirei as fotos.

Caio Ferreira

Autor: Caio Queiroz Ferreira – Categoria(s): Lazer Tags: Alto de Pinheiros, Corinthians, Santa Cruz

Então é Natal …

dezembro 21, 2009 · Posted in Lazer · Comment 

por Lourdes e Clovis Garcia


Dias atrás, fiquei pensando como deveria ser o post pré-Natal (com maiúscula pra diferenciar do tal exame) e conclui que deveria ser um que, sem pieguice, falasse das coisas boas desse período, que vão desde a oportunidade de pensar nos amigos que não vemos há tempos até confraternizar com pessoas que não temos tanta proximidade, mas são legais embora quase desconhecidas, e com elas beber e comer, como as minhas boas origens familiares não negam.

Aí, como Lourdes e Clóvis, meus pais e do Pedrão, comandam uma das mais tradicionais festas de Natal da cidade, ninguém melhor do que eles para escrever um post para a edição especial natalina do Fio Do Bigode. Eu tenho certeza que será o nosso melhor presente ao leitor e para nós também, já que eles têm a experiência, classe e, o principal, que é o prazer em fazer aquilo que escrevi acima. Clovis inicia o post com pequeno histórico da origem da comemoração do Natal e Lourdes escreve sobre as noites felizes.

Com vocês, os donos das famosas ceias de portas e braços abertos, que sempre foi o traço marcante e genuíno do casal.

And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young

(John Lennon)


A data do Natal, dia 25 de dezembro, é uma ficção. Na verdade, ninguém sabe a data  do nascimento de Cristo. Há mesmo quem diga que, na transposição do calendário Juliano para o Gregoriano, houve um erro de quatro anos e, assim, Cristo nasceu quatro anos antes de Cristo. Como houvesse muita confusão, com cada povo comemorando o Natal numa data diferente, o monge Dionísio, no século IV d.C., propôs a data de 25 dezembro, dois dias depois do solstício de inverno (no hemisfério norte, para nós, é solstício de verão), o que foi aprovado e decretado pelo Papa Julio I. Toda a Cristandade comemora então o Natal dia 25 de dezembro.
Como ficção, a data é alegórica, simbolizando o amor ao próximo, a paz entre os  homens de boa vontade, a integração de toda a humanidade. Assim, fiéis e infiéis, crentes e ateus, cristãos e judeus, muçulmanos, hinduístas, ou de qualquer outra crença, negros, pardos, brancos, amarelos, ou de qualquer outra cor que o ser humano possa ter, podemos estar unidos, com um só pensamento de amor.

Noites felizes

A introdução do Clovis serve para me fazer entender porque gosto tanto de Natal. Para mim, a solidariedade é o sentimento mais forte do ser humano. É ele que mais me comove e me faz ter interesse pelas coisas. Foi por ele que, quando jovem, participei da JUC (Juventude Universitária Católica) e, mais tarde, me entusiasmei pelo marxismo. Foi ele também que nos fez (eu, o Clovis e até as crianças) militantes do PDC.

E foi por aí que, logo depois do nosso casamento, um amigo nosso, Paulo Cotrim, que mantinha uma pensão para jovens universitários, pediu que déssemos uma festa de Natal para aqueles que não tinham família em São Paulo. Gostamos da idéia, mas achamos que se íamos abrir a casa para um grupo de pessoas, por que não estender mais e fazer uma reunião para todos que quisessem encontrar os amigos. E assim, num apartamento pequenino, sem móveis, porque tínhamos casado fazia 20 dias, demos uma festa para mais de 60 pessoas. Foi um festão, que chegou ao amanhecer, com grupos reunidos até no banheiro!

Desde esse dia, há 57 anos, mantivemos a nossa festa de Natal. Só falhamos um ano, quando mudamos de casa e não deu tempo de montar a festa. E apesar disso recebemos um monte de reclamações.

Conhecemos muita gente e muitas pessoas se conheceram nessas festas. Também muitos desconhecidos passaram por elas. Lembro-me de uma vez que entrei na cozinha e alguém me disse: “Pegue logo essa perna de peru antes que os donos apareçam”.  Muita gente famosa passou por ela, muitas criaturas estranhas também. Tinha amigos que vinham na festa só para ver como viriam vestidos alguns participantes.

Essas noites de Natal acabavam quando o dia começava a clarear. Muitas vezes, quando eu acordava, havia pessoas dormindo pelas salas. Cada ano era diferente: algumas vezes apareciam corais que vinham cantar músicas sacras, outras vezes passavam bandinhas na rua e todos nós íamos nos confraternizar no portão. O grupo de jovens sempre trazia seus violões. Algumas vezes, alguém nos reunia para rezar.  Havia grupos que davam festas em casa e quando terminavam vinham se encontrar conosco.

Nunca sabíamos quem vinha nem quantos vinham, o que tornava a festa mais saborosa. Sempre gostamos que as festas tivessem bastante comida, bebida e muitos presentes, porque é assim que o ser humano pode se confraternizar. Não acho que isso possa modificar o espírito do Natal, nem o tornar menos cristão, pois a primeira coisa que Jesus recebeu foram os presentes dos Reis Magos. Também nunca me preocupei se faltava comida. Sempre tive a certeza de que as pessoas não vinham para comer.
Nesses anos todos, a festa foi se modificando: no começo só adultos, depois com crianças, mais tarde, com os amigos adolescentes, agora com noras, genro e netos. Muitos já se foram, mas estão presentes, porque acreditamos que enquanto perdurarem em nossas memórias eles estarão vivos, e sempre nos lembramos de todos eles.


De uns anos para cá, eu e o Clovis jogamos a toalha. Não agüentamos mais passar a noite em claro, nem tão pouco tenho fôlego para organizar uma ceia para tanta gente. Além disso, o pessoal da família tem que comparecer a outras reuniões. Por isso, passamos a festa para o almoço e agora é para a família e alguns amigos convidados. Clovis, com a ajuda dos netos, se veste de Papai Noel e distribui os presentes para todos. Para não perder o sentido de solidariedade, todo ano pego uma carta para o Papai Noel no correio e os netos pequenos vão levar na casa da criança os brinquedos que ela pediu.

Quando eu era menina, assisti um filme que me deixou muito comovida. Era um musical, Balalaika. Havia uma cena em que, na noite de Natal, os dois lados dos combatentes paravam a guerra e cantavam juntos a música Noite Feliz.  Pode ser piegas, mas eu gostaria que o mundo inteiro parasse no dia 24 para cantar junto.

FELIZ NATAL PARA TODOS!

Natal regado a vinho

dezembro 17, 2009 · Posted in Lazer · Comment 

por Pedrão

Natal é uma época meio confusa. Ou melhor, meio ambígua. Tem um lado muito chato, que é o do consumo desenfreado. Decoração de Natal já no começo de novembro, algumas vezes final de outubro, não dá. Comprar presentes na época do Natal é uma aporrinhação. Sem nenhuma desconsideração aos presenteados. Ao contrário, agüentar as lojas lotadas, shopping abarrotados, é uma demonstração de enorme afeição.

Mas o Natal tem um lado legal. Para a maior parte das pessoas, o que pega no Natal é o espírito de confraternização. É a hora de desejar o bem, pensar nos outros, ter uma mensagem de otimismo nesse mundo maluco. Pode parecer piegas, mas no Natal há um sentimento geral de paz. E isso não faz mal a ninguém.

O mais legal é que esse sentimento geral de confraternização normalmente se dá ao redor da mesa. Natal é hora de comer para valer, profissionalmente. E nada de comida leve. É no Natal que nos debruçamos sem nenhuma culpa no pernil de porco, no tender e no peru recheado. Sem contar os que avançam numa bacalhoada. Ou em outras receitas especiais, como um medalhão de vitela, lombo de porco e pernil de cordeiro. Vamos esquecer as calorias a mais, o colesterol. Depois se corre atrás do prejuízo.

Também é hora do vinho. Tudo bem, cerveja é legal, ponche precisa ter, outras bebidas, sucos, refrigerantes, mas no Natal o vinho é insubstituível. Por isso hoje é dia de vinho para a mesa do Natal.

No Natal, para iniciar os trabalhos é de lei um espumante. Quem tem possibilidade e está imbuído do espírito natalino, com vontade de por a mão no bolso, o negócio é ir de Champagne. Qualquer um desses que encontramos nas prateleiras de supermercados é excelente, Louis Roederer, Veuve Clicquot, Moët Chandon, Gosset e Taittinger, todos valem muito a pena. Infelizmente, nada abaixo dos R$180,00 a garrafa.

Mas não há motivo para desespero. Existem muitas alternativas para o bolso de nós mortais. Sobretudo entre os espumantes nacionais. Esqueçam aquela coisa de antigamente, quando se tirava sarro do champagne nacional. Hoje o Brasil produz espumantes de primeira, que rivalizam com a maioria dos importados. Sem nenhum nacionalismo exacerbado, que não tem qualquer espaço no terreno do vinho.

Temos várias marcas nacionais com produtos muito bons, que são facilmente encontrados em supermercados. Miolo, Salton, Chandon, Marson, Casa Valduga, Pizzato e muitas outras casas oferecem espumantes Brut excelentes. Tem que ser o Brut, que designa o espumante seco. Indico, meio aleatoriamente, o espumante Evidence da Salton, na casa dos R$50,00 a garrafa. Espumante cremoso, com ótima perlage (borbulhas), realmente gostoso. Costuma ter a venda no Carrefour, um ou outro Pão de Açúcar, e nesta semana estava com um preço bom, abaixo dos R$50,00, no Empório Mercantil, ali na rua dos Pinheiros, quase na esquina com a Pedroso de Moraes. Ótimo lugar para comprar vinhos.

Também cabe a sugestão do Chandon Reserva Brut, que tem em qualquer supermercado, com preço entre R$35,00 a R$40,00 a garrafa. Seco, delicado e refrescante, perfeito para esse início dos trabalhos no Natal. Ou então o top da casa, o Excellence Chandon Brut, com preço por volta dos R$70,00 a R$80,00. Como o próprio nome revela, é excelente.

Ultrapassada essa fase inicial que normalmente envolve frutas secas, amêndoas e castanhas, começam a aparecer as saladas, algumas mousses e pratos de entrada. No tradicional Natal na casa dos meus pais, é famosa a mousse de camarão. Portanto, é hora de um vinho branco.

Como normalmente o clima é quente, a pedida é um vinho branco seco, leve, mas bem aromático, em razão dos diversos sabores e aromas das entradas na mesa do Natal. Nada de muito encorpado. É bom lembrar que ainda vem muita coisa pela frente. Os feitos com a Riesling, que já comentei em outro artigo (v. Um Bom Vinho Branco), caem muito bem nessa hora.

Ou então um Sauvignon Blanc leve, refrescante, sem passagem pela madeira. Os vinhos com a Sauvignon Blanc apresentam um aroma cítrico bem característico. Evocam laranja, lima, limão, maracujá, às vezes outras frutas tropicais, como abacaxi e manga. Não é invenção de enochato não. Quem prestar um pouco de atenção, gastar um tempo cheirando o vinho, vai perceber claramente esses aromas. Evidente que não precisa ficar fazendo pose de entendido com nariz empinado, dando fungadas escandalosas. Mas sentir o aroma é uma das coisas legais na degustação do vinho.

A uva Sauvignon Blanc é originária da França e produz excelentes vinhos brancos no Vale do Loire. São os conhecidos Pouilly Fumé e Sancerre, que são fáceis de encontrar nas importadoras. Mas o preço é um pouco salgado. A sorte é que existem diversas outras opções, inclusive aqui na América do Sul.

Uma ótima escolha é o Montes Sauvignon Blanc, do produtor Viña Montes, um dos melhores produtores do Chile, o que não é pouca coisa. É a linha intermediária da casa. Está a venda na Mistral, safra 2007, por U$20,90. Volta e meia aparece em prateleiras de supermercados.

O Montes Sauvignon Blanc é um vinho refrescante, com aqueles aromas cítricos bem marcantes. Sobretudo maracujá. Na boca, aparecem novamente os sabores cítricos. É perfeito para aperitivo e entradas. Também acompanha um peixe grelhado, se for o caso.

Outro Sauvignon Blanc de destaque é o Amayna, safra 2007, também a venda na Mistral por U$32,50. É um vinho mais complexo, estruturado, mas muito gostoso. Vai com as entradas, mas acompanha pratos de peixe que de vez em quando comparecem no Natal. O produtor Viña Garcez Silva tem outro Amayna Sauvignon Blanc, que passa pela madeira e é bem mais encorpado. Ótimo, mas com preço mais elevado. É vinho para outro tipo de ocasião. Peçam o simples, que não passou pela madeira.

Ainda como boas opções, temos o Sauvignon Blanc Ciclos, do Michel Torino, a R$45,00, o Las Perdices, a R$49,00, e o da Viña Mar, a R$35,00. Todos a venda no Empório Mercantil.

Nessa hora, há grande chance de começar a aparecer o Tender. O Tender tem um sabor diferente, normalmente um pouco adocicado. Pode-se ficar no vinho branco que vai muito bem. Mas vale arriscar um vinho rosado, outro que sofre preconceito. Vamos afastar esse preconceito, pois os rosés melhoraram demais nos últimos tempos, estão até meio na moda, porque bem adequados a esse nosso calor escaldante. São vinhos com aromas leves de frutas vermelhas, como morango e framboesa.

A sugestão de rosado é o Crios, safra 2007, da produtora argentina Suzana Balbo. Cor bonita, aroma de frutas vermelhas, sabor refrescante, com corpo suficiente para acompanhar o Tender. Também a venda no Empório Mercantil, na casa dos R$38,00. Servir gelado, mas não estupidamente como uma cerveja. Quem experimentar vai gostar.

E aí vai chegando a hora do vamos ver. O pernil de porco se apresenta. Também o peru recheado. Nunca fui grande fã do peru (ave, bem dito, do outro não sou nenhum pouco fã), achava meio sem graça, até conhecer o peru recheado da minha sogra. Coisa séria, merece seminários e grupos de estudo. Com o pernil de porco e o peru recheado, exige-se a presença de um vinho tinto. As opções são muitas, mas a carne de porco pede um vinho tinto português.

Os vinhos portugueses estão cada vez melhores e têm vocação para escoltar uma boa carne de porco. Na mesa de Natal, costumam fazer bonito. Por isso, para a hora do vamos ver, o negócio é um bom vinho tinto português.

Novamente, existem muitas alternativas no mercado, inclusive nos supermercados tradicionais. A primeira sugestão é um vinho fácil de encontrar, com preço surpreendente para sua qualidade. Em qualquer supermercado se encontra. É o Quinta do Perdigão, vinho da região do Dão em Portugal. Muito bem feito, de corpo médio, não é muito pesado, com aromas e sabores de frutas vermelhas, acompanha bem os pratos do Natal. É um vinho muito gostoso, que agrada a todos, inclusive aqueles não muito habituados ao consumo de vinho. O preço por volta de R$25,00 é realmente convidativo face à qualidade do vinho. Excelente relação custo-benefício. Está sempre a venda no Pão de Açúcar, no Carrefour, e está a R$23,00, safra 2007, no Empório Mercantil. Para quem precisa segurar uma festa grande, com muitos convidados, esta é uma das melhores escolhas.

Outro vinho português excelente na mesa do Natal é o Crasto, produzido no Douro. A região do Douro pede uma visita. É uma das mais bonitas de Portugal, com produção excepcional de vinhos. É daí que vem o conhecido Vinho do Porto. Mas o Douro está cada vez melhor nos vinhos de mesa, para acompanhar a refeição. A Quinta do Crasto se destaca e o vinho Crasto, sua linha básica, é muito bom. Aromas de frutas vermelhas e pretas, sabor cativante, vai escoltar um pernil com galhardia. Na festa, servir na temperatura de 18º., o que exige um tempo na geladeira.

Eu não sei quem importa o Crasto, porém não há problema, pois ele é encontrado em todos os supermercados na faixa de R$50,00 a R$60,00. Normalmente nas safras de 2006 e 2007. É um vinho que pode envelhecer, por isso prefiro a safra mais antiga. Mas a de 2007 já está boa. Quem quiser arriscar um pouco mais na faixa dos R$100,00, o Quinta do Crasto Reserva é ótimo.

Ainda de Portugal, na mesma região do Douro, um vinho realmente delicioso é o Altano. Fácil de gostar, vinho redondo, frutado, mas com bom corpo. O da safra 2006 está a venda na Mistral por U$19,90. O Altano Reserva é ainda melhor, um dos vinhos mais gostosos que já tomei na sua faixa de preço, que é de U$49,90. Cerca de R$80,00, quem tomar, tenho certeza, vai gostar. Podem cobrar depois.

Quinta do Perdigão, Crasto ou Altano, ou até os três se a festa for para mais gente. Pronto, a questão do vinho tinto está resolvida.

Nessa altura, muitos já vão estar meio baleados e ainda falta a sobremesa. Como a sobremesa no Natal varia muito, normalmente com a presença de algumas muito doces, caso da tradicional rabanada, não cabe entrar com um vinho de sobremesa tipo Sauternes ou Tokaji. São deliciosos, mas a regra é a de que o vinho de sobremesa tem que ser mais doce do que a própria sobremesa, senão ele perde a graça, realça apenas sua acidez. Também pelo estado das pessoas, nessa altura o vinho de sobremesa, que normalmente é caro, não vai ser muito aproveitado.

Por isso, para esse momento, pode se voltar para o espumante ou então partir para um Vinho do Porto, que serve para acompanhar a sobremesa e também como um digestivo. Existem diversas opções de Vinho do Porto, desde os Vintages, os melhores, mas muito caros, até o simples Ruby, que é mais barato e pode ser bem gostoso. Aqui a recomendação vai para um Ruby de padrão mais elevado, o Granham’s Six Grapes, a venda na Mistral por U$54,90. A produtora Graham’s é uma das melhores no Porto. Não estranhar o nome inglês, pois muitos dos produtores do Porto são ingleses.

Vale lembrar que uma garrafa de Vinho do Porto serve muita gente, pois ele não é para ser bebido na mesma quantidade que um vinho de mesa. E mesmo depois de aberta, a garrafa de Vinho do Porto pode ser guardada por vários dias, sendo consumida aos poucos.

Com o Porto, vamos chegando ao final dos trabalhos. Quem achou essa comedida sugestão de vinhos no Natal um pouco exagerada, pode pegar o espumante ou o rosado e com ele atravessar toda a jornada. Mas para os verdadeiros fortes de espírito, o negócio é passar por cada fase e aproveitá-la. No final é possível que a perna bambeie um pouco, a dicção não vai estar mais perfeita. Não tem problema. É Natal. Deus perdoa.

Portanto, saúde para todos e um Feliz Natal!

Sugestão de supermercados com boas opções para a compra de Vinhos:

Empório Mercantil: rua dos Pinheiros, 1.156, telefones (11) 3813-2929 e 3815-5393 ou site (WWW.emporiomercantil.com.br). Ótimo lugar para compra – trabalha com muitas importadoras. Bom preço, ótimo atendimento. Está com promoções no Natal.

Supermercado Pão de Açúcar: unidade do Shopping Iguatemi. Tem seleção diferenciada com muito mais variedade do que nas outras unidades da rede. Promoção de Natal.

Empório Santa Maria: av. Cidade Jardim, 790, telefone (11) 3816–4344. Possui uma adega da importadora Expand, mas vale a pena a prateleira do próprio Supermercado . Trabalha com diversas importadoras. Boa variedade e preços melhores do que se imagina.

Casa Santa Luzia: al. Lorena, 1.471, telefone (11) 3897-5000. O mercado dos endinheirados. Tem vinhos caríssimos, mas também tem muitas opões com bom preço. Boa variedade, com bom atendimento.

Endereços e telefones das importadoras – ver o post Almoço no Domingo.

Noronha: paraíso nada perdido

dezembro 13, 2009 · Posted in Lazer, Turismo · Comment 

por Beto Lyra

Fernando de Noronha! Lugar dos meus sonhos. Sempre quis ir para lá.

Enfim, surge uma oportunidade na agenda da família, e pronto, lá vamos nós. Viagem matinal com a Gol de São Paulo até Recife, tempo em que pudemos desfrutar de um novo conceito de marketing da companhia, anunciado orgulhosamente pelo Comandante. Qual é o conceito novo? Simples, não há refeição ou lanche, apenas amendoim e dois tipos de refrigerantes, que nunca ouvi (e provavelmente não mais ouvirei) na vida.

Uma breve parada em Recife e embarque no início da tarde para Noronha. Na aproximação da ilha, o avião dá um giro completo o que permite excelente noção do arquipélago todo. Após a descida, um pouco de burocracia local: como o acesso à ilha é extremamente controlado, todos têm de passar por uma espécie de Imigração, onde é paga a taxa de permanência em Noronha.

No solo as primeiras impressões são de que há organização perfeita: ônibus para levar às pousadas, briefing e venda de passeios pelos agentes turísticos e informações claras e precisas sobre o que fazer à noite.

Por sorte pegamos uma pousada bem localizada, quase no meio da ilha, próxima de restaurantes e do centro histórico, a Vila dos Remédios, onde há mais bares, restaurantes e até balada. Na primeira noite, restou jantar como programa. Recebemos a dica do Tom Marrom. Não bastasse o restaurante estar na ilha, parte de um paraíso, deu um jeito de demonstrar toda a sua integração com a natureza, envolvendo a construção em muitos galhos, raízes etc. O resultado ficou meio postiço, engraçado, mas no que interessava a casa foi bem: comemos peixe na folha de bananeira e um belo atum feito na grelha bem pilotada pelo próprio dono, acompanhados de boa música brasileira.

Dia seguinte bem cedo passaram na pousada (pontualmente) para nos pegar para um passeio, criativamente chamado de … Ilhatur. Nunca soube, mas há uma estrada federal por lá, a tal de BR 363. Seus extensos 7 km foram percorridos à exaustão em idas e vindas pelo nosso tour, que insistia em visitar um ponto turístico na parte sul e percorrer novamente a BR para nos levar a uma trilha na parte norte. Sem brincadeira, isso foi o que aconteceu.

Mas novamente, no que interessava, estivemos em lugares estupendos. Alguns demandaram bom esforço físico, como a descida para a praia da Baia do Sancho, que começou com uma escadinha com 15 degraus, que exigia entortar o corpo para a esquerda de modo a conseguir passar com pé de pato, snorquel, máscara e câmera fotográfica. Vencida essa primeira etapa, anda-se por um estreito patamar entre rochedos para então ter de virar o corpo no ar para encaixar na 2ª escadinha, esta do tipo marinheiro. Ainda não chegamos a lugar nenhum, pois falta vencer vários degraus de pedra, semidestruídos e com bons trechos sem apoio. “Ufa!, ainda bem que valeu a pena”, é a primeira impressão depois que nos equipamos para ver corais, peixes, tartarugas etc. Bate perna pra cá, bate pra lá, tudo maravilhoso. Peixes de todos os tamanhos e êpa … acho que é um tubarão, pequeno, mas tubarão. Olho para os demais, todos calmos, e assim trato de ter certeza de que há um bom par de nadadores entre mim e o tubarão. Volto a contemplar a natureza.

De volta à praia, me desvencilhando dos penduricalhos náuticos, encontro-me naquela situação de causar inveja: areia e sal no corpo e mais um retoque de protetor solar… argh!  É preciso encarar. Protetor solar é item de primeira necessidade na ilha se você não quiser ficar parecido com um turista nórdico após tomar um sol das cinco.

Mais idas e vindas pela BR, praias e vistas imbatíveis e, para finalizar, o por do sol no Forte do Boldró. Todos os que estão na ilha se reúnem ali para terminar o dia – o sol se pondo no mar, emoldurado por duas ilhas menores (Dois Irmãos). No local, um barzinho serve cerveja, pastéis e outros petiscos, tudo embalado por um sonzinho maneiro de um músico local. O sol se põe, ninguém quer ir embora.

Na sequência, jantar no Flamboyants, mais peixe na folha de bananeira e cama. Menos para o Fabio, meu filho, que vai para a balada na vila e chega quase com os guias do passeio da manhã seguinte.

Rumamos para o Porto, pegamos um barcão para rodear a ilha e, de cara, a sorte de encontrar uma farra de golfinhos. As praias foram se sucedendo: Biboca, Cachorro, do Meio, Conceição, Boldró … e Baia do Sancho, novamente. Parada do barco e mergulho, agora sem o sufoco das descidas e escaladas. Vamos até o fim de Noronha, na Ponta da Sapata, onde se busca em seu portal um ponto perfeito para a visualização do mapa da América do Sul e da África. Damos meia-volta e na hora do almoço estamos no Porto.

Caminhamos uns 500 metros até o Museu dos Tubarões, na praia Buraco da Raquel, uma enorme fenda na pedra em frente à praia, sobre a qual todos os guias acham en-gras-sa-dís-si-mo contar histórias. Não se pode entrar no mar, muito agitado, mas a beleza do lugar e o serviço do restaurante do Museu garantem o programa.

Próxima parada na praia de Sto. Antonio, antes de repetir o por do sol no Forte do Boldró. Pegamos taxi, a melhor maneira de se locomover por Noronha de forma independente, pois é razoavelmente barato e…ufa…tem ar condicionado. À noite, passeamos a pé por Vila Velha e quando bateu a fome atracamos na Pizzaria Feitiço da Vila. Traço comum na ilha e muito agradável é a música ao vivo nos bares e restaurantes, embora o repertório mescle ótimas canções de Gil, Tim Maia, Jorge Ben e Lulu Santos, com as grudentas de Djavan e Seu Jorge.

Na manhã seguinte, a jóia da coroa em Noronha: mergulho autônomo (com cilindro de ar comprimido). Roupa e equipamento são fornecidos pela operadora, tudo em ótimo estado, 1º mundo. Instruções assimiladas, mergulhamos. É indescritível a sensação. A proximidade com peixes, tartarugas que parecem querer mostrar o caminho a você, além dos corais, dá uma visão completamente diferente do mundo. Dá vontade de ir a Copenhague pressionar esses governantes a tratarem seriamente a questão ambiental.

E aqui faço um parênteses. Em Noronha, todo o discurso de preservação ambiental não resiste a poucos dias de permanência por lá. A energia na ilha é resultado da queima de óleo em estação explorada por companhia energética estatal. Há um único aparelho de geração de energia eólica, que não funciona há 2 anos, quando um raio cortou uma das aletas de sua captação do vento (será que desconhecem para-raios?). Esse único equipamento supria cerca de 40% da demanda de energia da ilha. Ou seja, com três simples aparelhos desses, Noronha seria autossuficiente em energia elétrica, não poluidora. Dá para acreditar que não seja assim? Bem, e a frota de veículos? Como há muitos locais de difícil acesso, jipes e utilitários 4×4 são muito empregados por lá. Todos movidos a diesel, esse diesel brasileiro que polui mais do que qualquer outro do mundo.

Mas voltemos ao paraíso, após o mergulho, em uma praia muito conhecida, mas que ninguém indica a turistas: Conceição. Como na música de Cauby, “ninguém sabe, ninguém viu”. Alguém ainda lembra do nosso litoral norte paulista nos anos 60/70? Então, Conceição é assim. Linda, quase deserta, embora tenha um bar-restaurante com cerveja geladíssima e peixes bem preparados. Depois, o tradicional por do sol nos espera.

O jantar dessa noite foi para comemorar meu aniversário e o convite para um restaurante especializado em lagostas veio de meu filho Otavio. Chegamos cedo ao Ecologiku’s, longe de qualquer burburinho, escondido em ruas esburacadas atrás do aeroporto. Pedimos o último exemplar de lagosta e uma muqueca também de lagosta e nos divertimos com os criativos aperitivos que a dona, uma baiana convertida à ilha há décadas, nos apresenta contando seus segredos. Pouco depois de nós, chega um casal que dá boa noite e diz “viemos comer lagosta”. Viram? Chegar cedo ajuda.



Na manhã seguinte, um rápido passeio para tirar fotos que julgamos faltar em nossa câmera e nos aprontamos para o traslado ao aeroporto.

Maravilhosa Noronha.

Um olhar sobre alterações na vida social dos seres humanos

dezembro 7, 2009 · Posted in Mundo · Comment 

por Geraldo Vidigal

O bloguista convidado da vez é Geraldo Vidigal, parceiro de copo e de boas conversas, não necessariamente encostados no balcão. Geraldo é dessas pessoas que às vezes você pensa que está flutuando por aí durante uma conversa, mas que quase sempre vem com comentário abraçando um lado da questão que até então não estava na mesa de discussão.

Este post de hoje é um bom exemplo disso. Leiam (enquanto leem, imaginem alguém constantemente empurrando os óculos com o dedo indicador) e me digam se não tenho razão.

Vamos lá Geraldo!


Das violentas transformações havidas no século XX, e que alteraram a educação e a forma comportamental, a primeira profunda foi a da televisão: transformou o círculo familiar num semicírculo, no qual as comunicações internas do grupo foram bloqueadas e direcionadas no sentido daquilo que a mídia decide que deve ser o pensamento coletivo.

A segunda foi a da Net: tornou o semicírculo em individualidades conectadas on line.

Antes da TV — e pelos milênios anteriores — o bebê nascia, conhecia a mãe, pouco após o pai, seu quarto e a família, a casa, o quarteirão, e, assim sucessivamente, o bairro, a cidade, o país e o mundo.

A educação começava no bêabá, passava pela decoreba da tabuada, e ia seguindo um rigor multimilenar no qual o raciocínio seguia lógica cartesianamente empirista, na qual primeiramente se analisam os dados para, descartando o descartável (como diria Descartes), chegar à conclusão irrepreensível.

Após a TV, o bebê nascia e, enquanto estava conhecendo o pai, a família e a casa, já ia conhecendo o mundo, antes de conhecer o quarteirão. Apenas, as notícias chegam devagar, lentas – mas muitíssimo mais velozes do que antes.

Aí, o raciocínio se inverte, a partir da geração BabyBoomer, o raciocínio dos bebês sofre uma súbita inversão: de empírico e dedutivo, passa a emocional e indutivo. Surge a má-temática moderna, o ensino da leitura pela apreensão de vocábulo por inteiro, e novas formas de ensinar o antigo.

Daí à maior rebeldia entre pais e filhos da história. A ruptura inevitável entre raciocínios incompatíveis levou a movimentos jovens de ordem planetária, somente comparáveis às revoluções oriundas da disseminação das teorias sociais a partir do século XIX. Mas sem suas sangrentas e desnecessárias consequências: geração não-violência.

Em 1990, pela 1ª vez na história, o mundo pode acompanhar pela TV uma guerra em “tempo real”: Na “Tempestade no Deserto”, a 1ª grande guerra contra o Iraque, a bomba que se via cair na TV, ainda não tinha caído: ESTAVA caindo; as balas ESTAVAM tracejando naquele preciso momento; os corpos atingidos ESTAVAM de fato explodindo diante de seus olhos.

Isso ocorreu apenas meia dúzia de anos antes da popularização da Internet. A Internet conecta todo o mundo on line em tempo real.

Quebrado o semicírculo de opiniões facilmente moldáveis e direcionáveis, tornamo-nos todos individualidades conectadas na etérea nuvem eletrônica que nos bombardeia 24 horas ao dia.

Por toda parte somos filmados e fotografados, os movimentos acompanhados e potencialmente policiados todo o tempo. Os indivíduos abrem mão de suas individualidades, de suas privacidades, optando pela coletividade – ou a ela sendo dirigidos. O sigilo vai se esvanecendo. As redes de busca registram, pela eternidade, as preferências de cada indivíduo, formatando as opiniões de cada um a posteriori, a partir das premissas de suas preferências evidenciadas na Net.

A Net, por sua vez, banalizou o sexo; pasteurizou e endeusou a violência. Sexo é o prazer em ter o outro, só pelo prazer no mais elevado grau, inclusive por vezes elevando a grau de prazer comportamento possessivo e agressivo entre os pares. Ou é sonho, fantasia, compartilhados na rede nos sites específicos. Companheirismo, parceria, cumplicidade, prazer em “estar com”, não estão em questão.

Nos jogos eletrônicos, matar, destruir e trucidar, massivamente em massa, passa a ser o ideal, o sonho e o prêmio. Mas nesses jogos a vigilância – de resto, geral – não ocorre.

O século XXI apenas começou…, e eu não consegui encontrar nem uma pitadinha de humor nessa estória toda.

Quem sabe, ao longo dele, aprendo a achar graça em pedaços de corpos volantes, vigilância continuada, policialismo e dirigismo eletrônicos e raciocínios protoviolentos.