Plano B é pessimismo?

agosto 14, 2010 · Posted in Humor · Comment 

por Passarinho

Passarinho é um desses sujeitos raros de encontrar hoje em dia. Culto, educado e cheio de boas idéias. Gosta de inventar um projeto novo para mergulhar a fazer, talvez em razão do DNA de artista que carrega de seu avô Danilo Di Prete. Adora trabalhar em equipe, de ajudar e ser ajudado.

Trabalhamos juntos anos atrás e ele sempre estava bolando algum projeto e defendendo suas idéias com total paixão. Não sei se na época já tinha plano B para as empreitadas em que se envolvia, mas costumava se sair bem.

Agora vem colaborar no Fio Do Bigode e fico torcendo para que ele fique sendo o nosso Plano A.

Vamos nessa!

Beto Lyra


Imagine um navio zarpando. Alguém percebe e alerta: ei, não tem botes salva-vidas.  Outro, já no barco, grita: deixa de ser pessimista, que coisa, você só pensa negativo, “vãobora”, nada vai acontecer, tenha pensamento positivo!

Alguém acha isso razoável?

Pois é assim que me sinto quando vejo a “ditadura do pensamento positivo”, termo cunhado por Barbara Ehrenreich, que tem feito palestras e escrito livros a respeito.

Esta ditadura continua. Difícil chegar em uma reunião e dizer “e se não der certo o que a gente faz”. Corre-se o mesmo risco do barco sem salva-vidas e de você ser acusado de pessimista e agourento. Se der errado, então, advinha de quem será a culpa. Não será do mau aproveitamento do orçamento, das decisões erradas que foram tomadas. Será seu, aquele que não pensou direito.

Aliás, já vi gente quebrando a empresa e sendo acusado de “não ter sonhado grande o suficiente”. Não bastou ter ido à bancarrota, ainda foi acusado de não ter nem sonhado direito. É um pouco cruel.

Já vi um monte de gente acreditando em papai Noel, com ideias malucas e com a certeza absoluta que tudo ia dar certo, apesar de tudo indicar o contrário, apenas porque tinha um excelente pensamento positivo. Daí dá errado e não toca mais no assunto ou se culpa por não ter sonhado o suficiente. Vai errar de novo.

Não tenho dúvidas do poder do pensamento positivo. Ele produz hormônios do bem, nos torna poderosos, crentes de nossas grandes possibilidades, nos motiva e impulsiona. Também não tenho dúvidas da força gravitacional do derrotismo. Para baixo se vai naturalmente, até quando se trata de pensamento. Para cima sempre dá mais trabalho.

Mas não pode ser do tipo “segredo”. Aquele que diz que, para dar certo, precisa imaginar a cor, o cheiro, o sabor, a textura, tocar mentalmente, entrar pela imaginação, fazer mural de desejos com fotos e textos e não perder este pique de jeito nenhum. E, para dar errado basta um simples “será?”, e uma grande onda derrotista acaba com o melhor dos sonhos.

Eu ainda acho que o melhor planejamento é aquele feito pensando “e se der errado”. Depois, a gente corre para o abraço e faz de tudo para dar certo.

Um bom plano B é essencial em muitas situações da vida. Até no casamento. Calma, não me refiro a uma “esposa B”. Falo dos contratos pré-nupciais, separação de bens e outros quesitos bem ao estilo de um plano B.

Para tudo que estiver sujeito a alterações sem prévio aviso e principalmente se não depender da gente, é preciso ter um ótimo plano B na manga. Então sejamos muito, muito otimistas de que não vamos precisar usá-lo. E sejamos mais otimistas ainda, ficando tranquilos, pois afinal, temos um ótimo plano B, se for o caso.

O mundo nas mãos

julho 6, 2010 · Posted in Esporte, Humor · Comment 

por Pedro Sampaio

Copa do Mundo acontece de tudo. Não adianta fazer ar indiferente. É um momento único em que muita coisa estranha faz a gente torcer, delirar, depois raciocinar. Nessa Copa, houve de tudo.  Mas na minha opinião, nenhuma das coisas que aconteceu é tão emblemática do que a mão do Suárez, do Uruguai, evitando o gol de Gana, no último segundo da prorrogação. Infração escandalosa, na frente de milhões de pessoas, punida com expulsão. No entanto, salvou o Uruguai, que depois ganhou nos pênaltis. A infração à lei ganhou. Mas a pergunta fica, quem naquela hora não colocaria a mão?

Não sei não, mas acho que todo o mundo colocaria a mão. O Dunga com certeza. No nosso time, o Lúcio, atleta de Cristo, numa emergência dessa ordem, colocaria a mão. O Juan, nosso melhor jogador, verdadeiro cavalheiro, não teria dúvida, pois já estendeu sua mão na hora do fogo. O Felipe Melo, bem, nem pensar, colocaria os travos da chuteira. Mas não dando, daria um soco na bola.

Jogadores de qualquer outro time não teriam dúvidas. Colocariam a mão na bola em cima da linha para salvar o time. Os beques da Holanda iriam direto com a mão. Os da Argentina, sem nenhuma hesitação, pois já têm tradição nesse costume. Os da Inglaterra, ao invés do retorno inglório, tacariam a mão. Os da França, já puseram a mão por muito menos. Os australianos, acostumados com o Rugby, não teriam dificuldade em agarrar com a mão. Os japoneses, bons no Karatê, dariam um golpe com a mão. Também os jogadores de Camarões. Os dos EUA, não pestanejariam. Poriam a mão. Pensando bem, até os jogadores de Gana colocariam a mão para salvar o time no último segundo da prorrogação.

Todos colocariam a mão. O Lula, nosso presidente, não teria nada a perder. Poria a mão. Sua candidata, a Dilma, sempre querendo copiar o Lula, tacaria a mão. O seu opositor, Serra, tentaria ser engraçado, mas não iria titubear. Desengonçadamente estenderia a mão. A Marina da Silva, falaria na necessidade de defender os gramados nos campos de futebol judiados, mas rezando um terço, colocaria a mão.

O Galvão Bueno poria a mão. O Casagrande, nosso melhor comentarista, sóbrio ou não, colocaria a mão. O Milton Leite, melhor narrador da Copa, logo esticaria a mão para depois soltar um “Que Beleza”.  O Trajano, na ESPN, com seu mau humor, não teria porque pensar. Mão. O Xico Sá, o melhor cronista de futebol nos jornais, tiraria um sarro, falaria das mulheres, mas na hora H poria a mão. Mesmo o Tostão, o maior de todos, dissertaria sobre a alma humana, mas discretamente estenderia a mão.

Todos o fariam naquela hora. Nelson Mandela, o grande líder da África do Sul, sem nenhum pudor, salvaria com a mão em cima da linha. Obama, se pudesse resolver os conflitos mundiais com um truque de mão, não iria vacilar. Mão. Ghandi, o grande líder da não violência, que começou como advogado na África do Sul, não pensaria duas vezes. No último segundo da prorrogação, pacificamente salvaria com a mão.

Mas não apenas líderes mundiais impediriam o gol com a mão. Grandes filósofos agiriam da mesma forma. Aristóteles consideraria de grande equidade estender a mão naquele momento para impedir uma enorme injustiça. Descartes concluiria ser de lógica cartesiana evitar a derrota com a mão. Karl Marx observaria estar ali, naquela mão, a possibilidade de emancipação da classe operária. Freud veria na mão, no último minuto, a libertação da sexualidade reprimida.

Maomé encontraria no Alcorão passagens recomendando a mão para impedir que a bola ultrapassasse a linha fatal. Buda, se não conseguisse parar a bola com meditação, logo estenderia a mão. Jesus Cristo tentaria um milagre, mas se falhasse, trataria de objetivamente colocar a mão.

O Antonio, o José, a Maria, o Flávio, o Pedro, o Roberto, a Cristina, a Marta, todos nós faríamos a mesma defesa com a mão que o Suárez fez, salvando o gol no último segundo. Na hora que a casa está prestes a desmoronar, que tudo está a perder, não teríamos dúvida em cometer uma infração, uma violação à lei, escancaradamente, na frente de todos. E se desse certo, como deu com Suárez, iríamos vibrar como loucos, orgulhosos de nossa infração, que transformou uma derrota certa numa vitória épica.

É mesmo muito esquisito o ser humano.

Programa de índio

novembro 8, 2009 · Posted in Humor · Comment 

por Beto Lyra

Muito antigamente, ao se falar de passeios “saias-justas” ou completamente sem-graça, empregavam-se expressões como “chato”, “cacete” e “um porre”. Depois, mais para os anos 1970, vingou a expressão “programa de índio”.

Não é difícil imaginar a origem de tal expressão, já que os índios sempre viveram no meio do mato, sem o conforto a que estamos habituados. Assim, ao se fazer um passeio com algum sofrimento, aborrecimento ou com algo que acaba dando errado, o diagnóstico fatalmente é:  “programa de índio”!

Pretendia fazer uma longa e profunda pesquisa sobre o entendimento popular sobre o assunto, mas a tarefa me pareceu o próprio “programa de índio”. Portanto, fiz apenas um rápido levantamento que me revelou que esse assunto também é controverso, já que nem todos o entendem como uma coisa ruim.

É verdade que as pessoas que já tiveram de esperar horas para embarcar em viagens aéreas, que tiveram o carro quebrado ao voltar de uma visita à sogra (se fosse na ida não ficariam tão chateadas) ou que foram acampar e acabaram surpreendidas por um dos erros comuns das previsões de tempo são unânimes em atribuir a situações como essas a sensação de “programa de índio”. Aliás, os adeptos dessa corrente, com uma ironia bancária ou hoteleira, não sei bem, passaram a classificar tais programas em quantidade de flechas, para deixar bem clara a hierarquia de seu dissabor.  Um programa chato seria “1 flecha” e um extremamente aborrecido ganharia a nota máxima de “5 flechas”. A associação com os índios se estendeu também a hospedagens horríveis: hotel 5 esteiras…

No entanto, mais de uma voz se levantou para dizer que se viver próximo à natureza, não trabalhar oito horas por dia, não ter contas a pagar e fazer indiozinhos na rede for “programa de índio”, então gostariam de trocar suas vidas atuais por essas atividades dos silvícolas.

Sempre compreendi perfeitamente a ambivalência da questão e não tinha um juízo definitivo sobre isso até que me deparei com uma matéria tratando de covarde ataque contra um pobre pato. Aconteceu nos Estados Unidos, onde tal ave levou cinco flechadas de um sujeito que era uma besta, digo, usava uma besta.

Desde então para não mais correr riscos desnecessários, passei a ser um pouco mais seletivo com as “flechas” dos convites ou programações em que não conheço a fundo os organizadores. Não quero pagar o pato!

Para que não fiquem muito chateados, o pato foi operado e passa bem.

Ídolos (argh!)

outubro 9, 2009 · Posted in Humor · Comment 

por Caio Ferreira

“Imagem de falsa divindade, que é objeto de culto” é a definição de ídolo, conforme o “Definir” (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Então, se resolvi escrever sobre ídolos, vou escrever sobre falsas divindades.

Acho que vou me dar mal hoje! Apesar daquela conhecidíssima frase “Pobre do povo que precisa de ídolos”, cujo autor desconheço, o fato é que hoje convivemos com vários deles, impostos cotidianamente pela mídia em geral, agora por necessidade compulsiva de se fabricar “celebridades” para vender jornal, revista etc. Temos uma enorme quantidade e variedade de ídolos para todos os gostos. Tantos que devemos ser agora um povo miserável, e não apenas pobre.

Não gosto de ídolos. Não me lembro de ter cultuado ninguém, embora admire várias pessoas, e há várias a serem admiradas. Mas alguns desses ídolos incomodam demais, principalmente os ídolos “politicamente corretos”. Estes chateiam mais do que aqueles coitados(as) que por 15 minutos de fama participam de qualquer BBB da vida.

O ídolo “politicamente correto” é o queridinho da mídia, esta sempre em evidência, ora dando exemplos, ora conselhos (econômicos, amorosos, culinários, sexuais etc.), ora fazendo declarações contundentes, enfim, um modelo de conduta em qualquer situação, inclusive quando “peca”, por que é nesse momento que ele cresce, organizando uma coletiva de imprensa para uma sessão de arrependimento e mea culpa. Por trás disso, normalmente, uma estratégia planejada de marketing, uma excelente assessoria de imprensa, patrocinadores, e um belo esquema de faturamento… E falta alegria, humor e sinceridade.

Os “politicamente incorretos”, por sua vez, também estão sempre em evidência a cada escorregão, declaração infeliz ou acesso de raiva. Daí a mídia cai em cima, revira o passado, relembra os podres, traz depoimentos dos ex-tudo (ex-namorado, ex-esposo, ex-parceiro, ex-sócio, ex-colega, ex-amigo, ex-credor, ex-patrocinador). Mas, cá pra nós, acho que são pessoas muito mais humanas, sinceras e divertidas. Garanto! Vejam a minha lista de comparações entre ídolos PI X ídolos PC:

  • Nelson Piquet a Airton Senna (por pelo menos 3 voltas)
  • Serginho Chulapa a Ronaldinho Fofômeno (um leve pontapé no bandeirinha já faz toda a diferença)
  • Guga a Roger Federer (por 3 sets a 1, pelo menos)
  • Andre Agassi a Pete Sampras
  • Muhammed Ali a Joe Frazier
  • Tim Maia a Roberto Carlos
  • Tim Maia a Chico Buarque
  • Tim Maia a (quase) todo mundo
  • Cassia Eller a Marisa Monte
  • Angela Ro Ro a Zizi Possi
  • Keith Richards a Mick Jagger
  • Mick Jagger a John Lennon
  • John Lennon a Paul Mcartney
  • Rolling Stones a Beatles
  • Felipe Camargo a Tarcísio Meira
  • Paulo Francis a Arnaldo Jabor

Pelé… Bem, esse é a exceção que confirma a regra. Desse eu gosto. Admiro. Admiro muito. São 53 anos de muita personalidade, carinho e paciência frente aos fãs, frente à mídia, sem nunca desapontar os que o idolatram (exceto por algumas declarações famosas, é claro). Pensando em por que e como mencioná-lo nesse post, afinal de contas o cara é o ídolo dos ídolos, ao mesmo tempo em que é o ídolo mais politicamente correto que conheço, de repente entendi tudo, a coisa é perfeitamente lógica: Pelé é mesmo o maior de todos os ídolos e o mais “politicamente correto” deles. Já, o Edson Arantes do Nascimento deve ser da minha turma aí de cima (coluna da esquerda, é claro!).

“Meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado” Albert Einstein.

Bigodes sempre estiveram por cima

setembro 29, 2009 · Posted in Humor · Comment 

por Beto Lyra

Einstein e seu bigode de gênio.

Tenho observado aqui e ali movimentos de justa homenagem aos bigodes. Ao contrário do que alguns poucos e barulhentos “invejosos” vinham insistindo em afirmar, os bigodes não caíram em desuso, pelo contrário, sempre estiveram em evidência, muito low profile às vezes, e em outras, nem tanto. Mesmo quando ironizavam dizendo que o “malandro-bigode era aquele que vivia nas bocas, mas sempre estava por fora”, os bigodudos, seguros de si, deram de ombros e nunca se abalaram. Grandes, pequenos, lisos ou encaracolados, tímidos ou exibicionistas, às vezes intelectuais também, os bigodes não poderiam deixar de aparecer neste blog. Espero que apreciem os exemplares aqui apresentados.

Começo pelo atualíssimo campeonato mundial de barba e bigode que aconteceu na Alemanha neste mês de setembro. O campeão foi o norte-americano David Trevor, do Alaska.

Campeão da principal categoria do concurso, David Trevor exibe bigode e barba estilo traçado artesanal.

Destaco a seguir outros concorrentes, sendo que o primeiro guarda imensa semelhança com um conhecido personagem de desenho animado. Pode parecer que não conto a verdade, mas meses atrás quase fui atropelado por um desses à entrada do Bar Astor, em Pinheiros. Minutos após o susto, pude observar seu proprietário amarrando as extremidades atrás das orelhas antes de devorar um vistoso filé Mostarda.

Esse estilo leva anos para chegar ao auge.

Ao contrário do que olhares superficiais poderiam induzir, o dono desse bigode não está sorrindo, mas contraindo seu rosto na medida exata para manter o melhor design para seu Modelo H.

Bigode modelo H exige cuidados em tempo de chuva.

O francês Herve Diebolt participou do campeonato de barba e bigode, na Alemanha.

Sendo tratado com tanto esmero e criatividade, o bigode não poderia deixar de marcar presença no campo das artes.

Na música por exemplo, estes  famosos exemplares ajudaram donos a arrastar multidões e fanatizar milhões com um simples abrir de suas bocas, ou melhor, com um simples movimento de seus bigodes.

Nos anos 60, bigodes musicais.

Nas artes plásticas, o bigode também marcou presença. Muitos artistas ostentaram bigodes charmosos, insinuantes e muitas vezes úteis no momento de conclusão de algumas de suas obras, quando a última pincelada era genialmente substituída por uma leve e determinada bigodada. Casos houve em que o artista preferiu perder uma orelha, mas não ficou sem bigode. Eis alguns desses gênios da pintura…

Autorretrato de Vincent Van Gogh.

Salvador Dali, tentando enxergar a origem de seu bigode.

No cinema, mais uma prova da presença marcante do bigode. Charles Chaplin imortalizou seu personagem Carlitos construído fio-a-fio.

Outro bigode genial: Carlitos, o garoto em tempos modernos.

E nas Letras não foi diferente. Dezenas de escritores que criaram verdadeiras obras-primas da literatura mundial ostentavam bigodes. Machado de Assis, considerado o maior autor brasileiro, e Nietzsche, o filósofo alemão autor de “Assim Falava Zaratustra”. Muitas vezes, ouvi dizer, na ausência de suas penas, canetas ou computadores, empregavam fios dos próprios bigodes para registrar seus momentos de inspiração.

Machado de Assis, o 1º bigode a presidir a Academia Brasileira de Letras.

Zaratustra usaria bigode? Nietzsche jamais esclareceu essa dúvida.

Comecei este post com a foto de um dos maiores gênios, que foi Albert Einstein. Falam muito de suas excentricidades, mas na questão do bigode foi bastante conservador. E para finalizar, cito outro gênio, Leonardo da Vinci, também adepto do bigode, que deixou crescer junto com a barba. Creio desnecessário dizer, mas sua obra-prima, La Gioconda (Mona Lisa) não possui bigode.

Leonardo da Vinci fez barba e bigode em todas as atividades que exerceu.

Apøs terminar este post, fui surpreendido com uma ótima foto de crianças vestidas como Mahatma Gandhi, em uma justa homenagem ao seu aniversário de 140 anos. Como vs. podem comprovar visualmente a homenagem ao líder da não violência comprova tudo o que já foi aqui dito sobre o bigode e completa os exemplares bigodes aqui postados anteriormente.

Dia Mundial da Não Violência – homengem a Mahatma Gandhi.


A foto é de Raj (não o da novela) Partidar, para Reuters.

Tirou do baú?

setembro 19, 2009 · Posted in Humor · Comment 

por Caio Ferreira

Com vocês, Caio, o novo blogueiro deste espaço, dono de fino humor e de sacadas rápidas e inteligentes como eram as do Guga no tênis. Desafiador e agradável na arte de esgrimir com palavras, com ele o Bigode ganha mais Fio.

Dá-lhe Caio


Há pessoas que são realmente especiais. Algumas por seus atos de bravura, outras por sua inteligência, por alguma extrema habilidade, ou pelo espírito indomável e desbravador. Poderia enumerar vários atributos que tornam uma pessoa especial e que nos levam a admirá-la, mas há um traço que chama minha atenção em particular: o da forte convicção.

Admiro as pessoas que têm convicções inabaláveis, são fiéis a seus princípios e não temem defendê-los, mesmo sob o risco de serem estigmatizadas pela sociedade ou ridicularizadas pelos fracos. Normalmente, são pessoas dogmáticas, coerentes e, principalmente, honestas.

Esse convicto ser, porém, pode cair em desuso ou se tornar obsoleto, pois valoriza princípios que se perderam no tempo. Ele se mantém fiel a valores que mercad…, digo mercador, nenhum reconhece mais. Creio tratar-se de um tipo em extinção.

Pois tenho um amigo assim. Suas opiniões (e olha que são muitas) ora têm o dom de cair como uma luva paralisante em briga de torcida, ora como tijolo em caminhão de ovos. São de rara contundência.
Quem o conhece, respeita! E, dos que não o conhecem direito, tenho pena. Para os íntimos, há o prazer de colecionar suas pérolas de sarcasmo.

Pois imaginem que ele, neste momento de efervescência política, quando se fala tão mal do poder legislativo brasileiro (é bom esclarecer, pois poderiam pensar que falo de outro país) e de seus detentores, sejam eles répteis ou batráquios representados por aquela figura  impoluta de fartos “…” (tenho medo até de sussurrar essa palavra), neste momento de falta de valores generalizada, o meu amigo não só resolve criar um blog  como resolve também cutucar a onça com vara curta e, usando a mais obsoleta das nossas expressões, lhe dá o nome de “Fio do Bigode”.

É ou não um admirável e especial espécime em extinção?

E eu próprio sou exemplo de que o amigo é de fato corajoso. Ele me convidou para escrever regularmente aqui no blog. Os leitores têm duas chances: uma de que eu não consiga produzir na quantidade necessária; a outra é que seus insistentes protestos provoquem o cancelamento do convite.

Enquanto isso, “a gente vai levando esta vida” assim, baianamente…

CAIO FERREIRA, ex-várias coisas, atualmente é auto ex-ilado em SFX. Como não foi exilado político, nem terrorista, dá duro trabalhando o mercado imobiliário da região.

Vitus, na vida como ela é

setembro 9, 2009 · Posted in Cinema, Humor · Comment 

por Beto Lyra

Bem, como “spoiler” de plantão, não consigo deixar passar qualquer oportunidade de oferecer uma percepção diferente aos filmes aqui comentados. Dessa vez trata-se de Vitus, a história de um garoto prodígio, que muitos insistem em classificar como comédia dramática ou filme família perfeita. Para muitos, o entendimento é de que Vitus quer ser tratado como uma criança comum e daí se rebela constantemente como uma criancinha comum.

Ledo engano. Vitus é um garoto mimado, egoísta, que só quer fazer coisas que tem vontade, quando tem vontade. Gosta e tem talento raro para a música, mas como seus pais querem obrigá-lo a virar músico, resolve ser do contra e, para tanto, ultrapassa, como veremos, qualquer limite razoável.

Vitus é de fato um superdotado, tanto de inteligência como de saco, pois aguenta a aporrinhação de seus pais que estão loucos para que ele se torne um novo Mozart, fadado ao sucesso, e que naturalmente os pais exibiriam mundo afora (deve ser só Hemisfério Norte, na visão alemã). Sucesso também significaria uma vida massacrante para o pequeno gênio, mas dinheiro e mais dinheiro para os gananciosos pais do garoto. Tanto é verdade, que o pai diante da potencial mina de ouro, abandona seus negócios na promissora empresa em que é sócio e  transforma a vida familiar em um monte de contas a pagar. Não fosse pelo nível cultural que esses pais têm, poderiam perfeitamente ser comparados aos inúmeros pais de craques de futebol que largam tudo o que fazem, quando fazem algo, apenas para grudarem nos seus pintinhos e não precisarem fazer mais nada na vida.

Vitus é inteligente o suficiente para perceber essa armação e luta para escapar dela. Tem no avô, este sim um desinteressado por dinheiro, apesar de suas grandes dívidas, um verdadeiro pai. E é com ele que divide suas preocupações, anseios e dúvidas. O avô é louco, com escassos momentos de lucidez, mas respeita o neto, o escuta e fala frases quase sem sentido, como Peter Sellers em Being There (Muito Além do Jardim). Vitus, inteligente que é, entende as palavras do avô do jeito que quer e assim toca a vida.

Tenta aproximação de uma garota, por quem se apaixona, não sexualmente, mas por uma razão muito simples: suprir a presença e afeto feminino que lhe foram negados desde criança. Sua mãe ou estava ausente ou perseguindo-o para estudar e estudar música.

Nas ausências da mãe, Vitus tinha a companhia de uma garotinha cerca de 7 anos mais velha que ele. Brincavam como se ambos tivessem 12 anos. E é essa garota que Vitus, aos 13, reencontra e tenta fazer dela sua amiga, confidente e parceira. Mas ela não está preparada e confunde tudo, pois embora com 20 aninhos continua com uma cabecinha de 12 e é incapaz de sacar o espaço que Vitus lhe abre em sua vida.

Azar no amor, sorte no jogo. Vitus passa a especular na bolsa de valores. Consegue amealhar uma pequena fortuna para si e o avô, que quita as dívidas e enlouquece de vez, comprando um simulador de voo e logo em seguida um avião de verdade. É claro que o louco do avô vai acabar se dando mal. Um dia sai voando em direção ao sol e antes de derreter o avião sofre um acidente cujas sequelas vão levá-lo à morte.

Com o dinheiro ganho na bolsa, Vitus também socorre o pai (que está sendo escorraçado da empresa em que é sócio) e arquiteta a compra do controle acionário.

Como não tem mais nada pra fazer, Vitus volta a se dedicar à música. Ainda é um gênio e passa a dar concertos, quando quer e onde quer. Enfim, um garoto mimado, mas um gênio.

C.Q.D. (Clássica abreviatura de Conforme Queríamos Demonstrar).

O verdadeiro plano de Irina Palm

setembro 9, 2009 · Posted in Cinema, Humor · 13 Comments 

por Beto Lyra

Percebo, ao contrário do entendimento comum do filme, que Irina Palm não era a pessoa delicada e sensível, capaz de fazer coisas que jamais imaginou fazer apenas para conseguir dinheiro para o pagamento de caríssimo tratamento médico, último fio de esperança para a sobrevivência de seu neto, Ollie.

Maggie, o verdadeiro nome de Irina Palm, era somente uma mulher procurando suprir suas carências afetivas e sexuais.

Não concorda? Então me acompanhe.

Maggie casou cedo, com o único homem que diz ter conhecido, e enviuvou logo. Nunca mais se aproximou de outro homem.

Ora, inglês nunca foi famoso por ser bom amante. Inglês quer beber e, quando chegar em casa, jantar e continuar bebendo. Por consequencia, inglesa que quer vida sexual boa tem que atravessar o Canal ou dar uma esticada até a Grécia, como fez Shirley Valentine, outra inglesinha insatisfeita com seu casamento, no filme homônimo de 1989.

Mesmo após ficar viúva, Maggie não saiu da Inglaterra, assim como também não se aventurou com o fotógrafo Robert Kincald/Clint Eastwood, de Pontes de Madison, nem com o pilantra Mike, de Caminho das Indias. Ora, chupou o dedo, literalmente, esse tempo todo.

Assim, quando surge uma notícia ruim, como a de que seu neto não reage ao tratamento até então feito, Maggie pira e, inconscientemente (?) vai parar num porno-shop. Aí, na entrevista de emprego, faz cara de surpresa, de indignação, mas já estava “caidassa” pelo gigolô Mikki, que acariciou suas mãos e, o melhor de tudo, não pediu para ela cozinhar, como o ex-marido fazia.

Pronto, rapidamente ela se adaptou às novas funções e em nenhum momento deixou transparecer nojo ou raiva, pelo contrário, logo levou porta-retratos, garrafa térmica e caneca para o chá, além de um creme, que todo o mundo que assiste ao filme fica tentando ler o nome para depois comprar na farmácia. Em resumo, amava o que fazia. Pelo dinheiro? Não, é claro, pois se fosse pelo vil metal necessário para salvar seu neto, ela teria aceitado a proposta do concorrente de Mikki que quis roubá-la para seus quadros profissionais.

Maggie era uma devassa enrustida, com um certo olhar inocente, que dava a suas mãos a liberdade criativa de movimentos. Daí seu sucesso.

Agora, lembrando de meus tempos e escola, devo finalizar com a clássica abreviatura “C.Q.D.”, que significa “Conforme Queremos Demonstrar”.

Em tempo: só inglês para gostar de buraquear em sex-shop.

O penico do Sarney

setembro 8, 2009 · Posted in Humor · 4 Comments 

por Beto Lyra

Nem tudo que é fifty é bom. Os 50 anos de carreira política de Sarney, por exemplo, concentram tudo de ruim. Ruy Castro lembrou bem outro dia. Era 1990. Dia da transmissão da Presidência da República de José Sarney para Fernando Collor. No jornal, a charge do genial Millôr Fernandes trazia um bebê com a cara e o bigodaço do Sarney, sentado no penico, gritando “Mamãe, acabei!” Chorei uns bons minutos de tanto rir (que desgraça a gente rir da própria desgraça).

De lá prá cá, é difícil dizer o que melhorou na política. O que continua pior é fácil, como a perpetuação no poder daqueles que se “sacrificam” tanto em nome do povo. Nesse quesito, Sarney tornou-se um benchmark. Desde sempre colocou a família e os amigos ocupando posições estratégicas na administração pública. Ao ver endurecer a concorrência por cargos em seu próprio Estado, deu um jeito de “defender” os interesses dos cidadãos do Amapá, que nem limite faz com Maranhão. Reelegeu-se senador. Quanto desprendimento!

Para evitar outros sustos no Maranhão e até no Amapá, surgiram propostas no Senado de divisão de alguns dos estados brasileiros, entre eles … Maranhão. Imaginem, mais uma capital (talvez a construção de uma nova cidade), novos cargos de prefeito, vereadores, deputados estaduais e federais, ah, e claro, 3 novos senadores, pelo Maranhão do Sul.

Se dividir ao meio é bom para fomentar o desenvolvimento – base da justificativa das propostas separatistas –, é o caso de se perguntar por que não começar por estado mais necessitado, pelo Piauí, que sequer estava na relação dos tais projetos? Artimanhas da família Sarney, que só sarneysistas explicam. Se ocorressem no campo da medicina, o diagnóstico seria certeiro: câncer em fase de metástase.

E la nave va…, como diria Fellini. Vamos que vamos, com Sarney. Que currículo! Governador do Maranhão, sucedido, entre outros, pelo genro e pela filha (esta por 3 mandatos), tornou-se “o cara” da Arena, partido político que se fez e desfez com os governos militares. Depois pulou para a Frente Liberal, juntou-se ao MDB, virou vice-presidente de Tancredo Neves e acabou na presidência. Aí o currículo forte em bastidores não deu conta das exigências na frente executiva. Sarney sucumbiu às pressões e deu no desgoverno que deu: moratória brasileira, hiperinflação, corrupção de montão e uma Constituição que, de tão detalhista, está mais para paraíso de advogado que para defesa de cidadãos.

E aqui vale um parêntese para lembrar Thomas More, assessor e crítico de Henrique VIII e autor do livro sobre a ilha chamada Utopia. Ilha onde a razão guiava as decisões e as estruturas política e social. Em Utopia, as leis eram mínimas e simples, porque para serem obedecidas deviam ser entendidas por todos os seus cidadãos. Sendo simples, o próprio povo podia cobrar seus direitos e se defender por conta própria na Justiça — sem intermediários!

E la nave de Sarney va… Entre um marimbondo de fogo e outro, ele continuou e ainda mantém a saga de desgoverno, agora na presidência do Senado. Uma carreira e tanto! E no que toca o Maranhão, a competência da família mostrou-se esmerada: continua a ser o pior dos estados brasileiros, exceção feita ao Piauí.

2009. Tenho apenas uma sugestão a Millôr Fernandes: que atualize a charge com o mesmo desenho, mas com a mãe perguntando ao bebê “Acabou, filho?” “Ainda não, mamãe”, responderá o bigodudo sarneyzinho.

Durma-se com um barulho desses

setembro 8, 2009 · Posted in Cidadania, Humor · 1 Comment 

por Beto Lyra

Nos cinquenta, a gente fica mais seletivo. Mas a falta de paciência para algumas coisas faz você apreciar mais outras. Por exemplo, quem mora em cidade tem vizinho, para o bem e para o mal.

Quem não gosta de um bom vizinho, que socorre nas horas difíceis em que se precisa de um limão, um ovo ou mesmo um pouco de açúcar? Aquele que ajuda nas questões de administração do condomínio ou de uma rua, colaborando na segurança, fazendo rodízio para a escola dos filhos e assim por diante.

Só que para achar esse bom vizinho, você experimentou conviver antes com seu oposto, o mau vizinho. Quem é ele? Ah, em geral é aquele que ouve música alta, sempre de gosto diferente do seu, tem horários diversos e polêmicos em relação aos seus, estaciona o carro rente à risca da sua vaga e, via de regra, não topa participar das despesas e tarefas que a vizinhança precisa fazer junto. E sem falar das festas que, com motivo ou sem, incomodam pra cacete, não deixando ninguém em um raio de quilômetro dormir, a não ser usando a velha técnica de ligar um ventilador barulhento para encobrir o som maneiro que aumenta seu volume conforme a festa avança.

Mas, de uns tempos pra cá, parece que os maus vizinhos viraram mais tecnológicos. Usam equipamentos eletroeletrônicos sem jamais compreender que os outros pobres vizinhos não são capazes de agüentar seus ruídos além de 2 ou 3 horas de paciência. Você certamente se lembra de algum desses aparelhos. Não quero dizer que não sejam bons ou úteis na vida cotidiana, pelo contrário. São ótimos, se bem empregados com critério. E é aqui que a coisa pega: critério.

Você sabe o que é um compressor, não é? Também sabe como é ensurdecedor o funcionamento de um compressor que, entre outros, atende pelo nome de Wap e é usado para lavar pisos, paredes, carros etc. Foi provavelmente desenvolvido pelos nazistas para torturar membros das tropas aliadas durante a 2ª Grande Guerra. Hoje, torturam durante horas a fio pobres vizinhos, que ficam à mercê de impiedosos proprietários que simplesmente os jogam nas mãos de empregados, sem qualquer habilidade e orientação. Eles gastam horas e horas de água, energia e ouvidos, tentando deixar brancas as pedras que originalmente são cinzas.

E os cortadores elétricos de grama? Reparou que todo dia tem algum jardineiro fazendo serviço na vizinhança? Pois é, todos os dias podemos ouvir o mavioso zuuuum zuuuuum desses cortadores.

Celulares. Como não ouvir as conversas ao celular e acompanhar as discussões e negociações feitas por nosso vizinho com quem sabe-se lá que está no outro lado da linha. Chega a ser agoniante acompanhar só um lado da conversa, embora pelo volume da voz seja fácil de acreditar que nem seu vizinho nem o interlocutor precisem desse pequeno aparelho para ouvir o que o outro diz. Ah, mas isso foi aperfeiçoado pelos malditos rádios-telefones generalizados nas mãos dos motoboys que fazem entrega na vizinhança. Com eles, pode-se tomar conhecimento que a secretária de sei-lá-quem não quer que eles voltem sem fazer a entrega pessoalmente, ou que passem no banco para ver o saldo de suas contas.

Mas nem tudo que está na lista negra é eletrônico. Eu, por exemplo, tenho vizinhos que falam alto, mas alto mesmo, sem qualquer eletrônico. É um tal de: Fulaaaano, traz um pano pra miiim. Ou Sicraaaana, vem me ajudaaaaá. Para compensar, no dia em que meu time ganha, toco uma corneta de ar comprimido ou provoco meu cachorro pra “comemorar”.

Os itens principais da lista são, na verdade, falta de critério e bom senso. Por outro lado, sou obrigado a confessar que às vezes quando volto para casa e ouço um dos vizinhos, músico profissional, ensaiando seu cello, penso que seria maravilhoso poder ouvir isso na hora de dormir. Quem não gostaria, nesse momento, de dizer: “Durma-se com um barulho desses”.