Psiu, escute a moça com atenção…

março 5, 2010 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Depois do meu mais recente post “A mentira do aquecimento global?” além de ficar satisfeito da vida com o recorde de comentários a ele, prós e contras, tive momentos de receio por alguém me interpretar como “dono da verdade”. Que não sou é desnecessário dizer, mas é bom deixar claro que nunca tentei ser e levo algumas caneladas de amigos que não me permitem esquecer isso. Assim, quando ouvi o início da canção “Right As Rain”, “Who wants to be right as rain it’s better when something is wrong”, imediatamente decidi escrever sobre a compositora.

Falo da nova cantora e compositora inglesa: Adele. É, na minha avaliação, uma deliciosa voz interpretando jazz, soul e às vezes, folk. Quem for da minha geração facilmente vai identificá-la com Carole King, mas acho que Adele é mais pra cima e bom astral do que a diva dos anos 60 e 70. A crítica musical acha que seu estilo é muito parecido com Amy Winehouse, mas se é para tentar comparar a outra cantora contemporânea, eu ousaria dizer que o estilo e voz se comparam à voz enfeitiçada de Norah Jones.

Começou a compor aos 16 anos, Hometown Glory, e em 2007 já fazia abertura de shows importantes. Feito um raio, gravou seu primeiro disco (2008), único até agora, o álbum “19”. Ganha um doce quem adivinhar quantos aninhos tinha ao lançar o disco.

Preste atenção nas baladas alegres “Right As Rain” e “That’s It, I Quit, I’m Moving On” e também em “Make You Feel My Love”, canção de Bob Dylan (do disco “Time out of Mind”, de 1997), já cantada entre outros por Billy Joel, Neil Diamond, Joan Osborne e Maria Muldaur.

A música “Chasing Pavements” turbinou a carreira de Adele, levando-a ao segundo lugar nas paradas inglesas por 4 semanas, onde permaneceu por mais de 9 meses entre os 40 hits da ilha do chá. O álbum “19″ chegou ao 1º lugar na Inglaterra, 3º na Irlanda, 4º na Holanda e 10º na Billboard norte-americana.

Em 2009, ganhou Grammys nas categorias “Melhor Revelação Feminina” e “Melhor Performance Vocal de Cantora Pop” com a mesma “Chasing Pavements”.

Logo após o estouro de seu primeiro disco, Adele começou a trabalhar no segundo. Em fevereiro último, o produtor de rock pesado, Rick Rubin, foi contratado para produzir o álbum e ajudar a compor músicas para ele.

Deem uma escutada nessa outra canção da moça.

Carnaval, mais um sacrificiozinho ou dois

fevereiro 19, 2010 · Posted in Música, Turismo · Comment 

por Geraldo Vidigal

De carona no tema carnavalesco, tratado de forma magnífica pelo Caio, e depois que desci a ripa nos muitos sambas-enredo repetitivos, longuíssimos e quase monocórdios, lembrei-me de poucos mas grandes – IMENSOS – sambas-enredo. Por isso mesmo imortais.

Para não me enredar em críticas injustas registro alguns desses grandes sambas de grandes carnavais, que me marcaram ao longo da vida, e de alguns outros sambas-enredo, que embora não tenham concorrido em desfiles carnavalescos, marcaram fundo a música popular brasileira.

Certamente há outros, de que não me lembrei, mas creio que muitos  concordarão quando destaco a magnitude desses abaixo, cujas letras são reproduzidas apenas em seus pontos mais famosos (até porque alguns, mesmo melodicamente fantásticos, parecem  in-ter-mi-ná-veis), destacando ora a Escola de Samba, ora o autor.

Hino de Exaltação À Mangueira, de Enéas Brittes da Silva e Aloisio Augusto da Costa, Mangueira, 1956

Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou, ô…ô…
O morro com teus barracões de zinco,
Quando amanhece, que esplendor,
Todo o mundo te conhece ao longe,
Pelo som teus tamborins
E o rufar do teu tambor, Chegou, ô… ô…
A mangueira chegou, ô… ô…

Bahia de Todos os Deuses, de Zuzuca do Salgueiro, Acadêmicos do Salgueiro, 1969
Bahia!

Os meu olhos estão brilhando
Meu coração palpitando
De tanta felicidade!
És a rainha da beleza universal,
Minha querida Bahia.

Samba para um Rei Negro, de Zuzuca do Salgueiro, Acadêmicos do Salgueiro, 1971

Nos anais da nossa história,
Vamos relembrar
Personagens de outrora
Que iremos recordar.
Sua vida, sua glória,
Seu passado imortal,
Que beleza
A nobreza do tempo colonial.
O-lê-lê, ô-lá-lá,
Pega no ganzê
Pega no ganzá!

Mangueira, Minha Madrinha Querida, de Zuzuca do Salgueiro, Acadêmicos do Salgueiro, 1972

Ô-ô-ô, ó meu Senhor,
foi Mangueira
Estação Primeira
quem me batizou
Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé,
minha gente, é muito samba no pé!

É Hoje, de Almir da Iha, União da Ilha, 1981

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono desta festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta

Bum Bum paticumbum prugurundum, de Aluisio Machado, Império Serrano, 1982

Bum bum paticumbum prugurundum,
o nosso samba minha gente é isso aí, é isso aí
Bumbum paticumbum prugurundum,
contagiando a Marquês de Sapucaí

Há sambas-enredo que não foram objeto de desfile na avenida,  mas que se encontram entre os maiores, como:

Foi um Rio Que Passou Em Minha Vida, de Paulinho da Viola

Ah! Minha Portela!
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu, nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar.

Brasil Pandeiro, de Assis Valente

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
Eu fui à Penha, fui pedir à padroeira para me ajudar
Salve o Morro do Vintém, Pindurassaia, eu quero ver
Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar
O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato
Vai entrar no cuzcuz, acarajé e abará
Na Casa Branca já dançou a batucada de Ioiô, Iaiá
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros
que nós queremos sambar.

Feitiço da Vila, de Noel Rosa

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.

Mas, talvez, o “Rei” de todos os sambas-enredo seja o “Samba do Crioulo Doido”, de Sérgio Porto, aliás, Stanislaw Ponte Preta, gravado pouco antes de sua morte pelo Quarteto em Cy.  Nesse disco (antes de Cybele, Cylene, Cynara e Cyva, ou Cyntia, Cyregina, Cymíramis e Cyva, ou ainda Sandra Machado no lugar de Cymíramis cantarem), ouve-se a voz de Stanislaw, declamando:

“Este é o samba do crioulo doido. A história de um compositor queca da Silva, durante muitos anos obedeceu o regulamento e só fez samba sobre a história do Brasil. E tome de Inconfidência, Abolição, Proclamação, Chica da Silva. E o coitado do crioulo tendo que aprender tudo para o enredo da escola. Até que no ano passado escolheram o enredo complicado: “a atual conjuntura”. Aí o crioulo endoidou de vez. E aí saiu este samba”.

Segundo os registros que me pareceram mais confiáveis, estaria em vigor desde a década de 30 certo (ou incerto, visto que não encontrei o danado) decreto getulista que determinava que os Sambas-Enredo das Escolas de Samba tivessem por tema a História do Brasil. Daí surgiu a expressão “Samba do Crioulo Doido”, quando nos temas – por vezes – algumas Escolas teriam enfiado os pés pelas mãos em termos historiográficos.

Sérgio Porto morreu no mesmo ano do lançamento dessa sua música, mas antes do AI5, que instaurou o regime de exceção e tornou óbvio o regime ditatorial. Não obstante, já em 1966 o dublê de jornalista e satirista criou o FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assola o País, que, com jeitão de noticiário sério, ironizava e criticava o regime militar. Em um dos FEBEAPÁ’s noticiou a decisão militar de mandar prender Sófocles, pois certa peça de sua autoria, encenada à época, seria “subversiva”.

Há quem afirme post mortem que Ponte Preta fizera o samba (seu único) em protesto contra a ditadura militar, o que estaria óbvio não nas entrelinhas do samba, mas por conta da frase de abertura do pândego de plantão.

Como explicita o Gil, Cosi è (se vi pare); ou A chacun sa verité; ou a Chacon – porque consta, ou ao menos parece, que Lélia é quem tem sempre razão.

Assim, sem outros prolegômenos, vai a letra do Samba-Enredo Maior

Samba do Crioulo Doído, de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Marcus Rangel Porto)

Foi em Diamantina / Onde nasceu JK
Que a princesa Leopoldina / Arresolveu se
Mas Chica da Silva / Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa / A se casar com Tiradentes
Lá iá lá iá lá ia / O bode que deu vou te contar (bis)
Joaquim José / Que também é
Da Silva Xavier / Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas / Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta / O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro / E acabou com a falseta
Da união deles dois / Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão/E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história/Que é dos dois a maior glória.
Leopoldina virou trem / E D. Pedro é uma estação também
O, ô , ô, ô, ô, ô / O trem tá atrasado ou já passou (bis)

…. E, doido ou não, carnaval só ano que vem. O resto é micareta.

Som, som…testanto 1, 2, 3

novembro 14, 2009 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Maybe I’m crazy
Maybe you’re crazy
Maybe we’re crazy
Probably

(Gnarls Barkley)

Parece que após o final dos anos 70 a música sofreu algum castigo divino. Algo, inexplicável para nós mortais, ocorreu e mudou a direção da história da música pop no mundo. Se até então, talento, arrojo e inovação marcavam os gênios, depois não se conseguiu reunir essas três qualidades em uma mesma pessoa ou grupo. Talvez uma punição de Deus que, irado com a declaração de Lennon de que os Beatles seriam mais famosos do que Jesus Cristo, passou a não mais permitir que essas três qualidades fossem possuídas por uma só pessoa ou grupo. Assim, passaram a existir artistas talentosos e inovadores, mas não arrojados, ou inovadores e arrojados, mas não talentosos, ou ainda arrojados e talentosos, mas não inovadores. Entendeu aonde quero chegar?

Bem, talvez o verso acima, do grupo Gnarls Barkley, sobre o qual falarei aqui, explique por que não conseguimos retomar a trilha virtuosa de décadas passadas. Ou talvez não, talvez a loucura tenha passado, infelizmente. Mas, o fato é que nós, amantes da música, é que fomos punidos e estamos privados, desde então, de conviver com os artistas geniais, como antes.

Mesmo assim, para todos que como eu adoram música é impossível viver sem ter algum reprodutor de som por perto. Seja um toca-cd, iPod, computador ou o bom e velho rádio, o importante é, constantemente, ouvir aquele som que faz a vida ficar mais leve.

É o caso do Gnarls Barkley, nome dado à união entre o DJ Danger Mouse e o rapper Cee-Lo Green, que deu certo, muito certo. Cee-Lo tem voz marcante, típica dos afro-americanos, com uma postura no palco que para mim lembra Tim Maia, sem as reclamações e palavrões. Cee-Lo é cantor, compositor e produtor musical, e se tornou conhecido por fazer parte do Goodie Mob.

Mouse é muito mais que DJ, é multi-instrumentos. Sua carreira começou a ser conhecida em 2004, quando lançou seu “Grey Album”, uma mistura do “Black Album” do Jay-Z com o “White Album” dos Beatles. Um mês atrás, foi anunciado que Mouse tocará com James Mercer, da banda indie The Shins, formando em 2010 a dupla “Broken Bells”.

Unidos desde 2005, “Gnarls Barkley” não parou de fazer sucesso. Faz música com balanço, daquelas que obrigam a dançar, cantar e pular. Às vezes hip hop, às vezes soul, outras funk, suas canções trouxeram prêmios como Grammy, em 2007, e MTV Awards, em 2006 e 2008.

O primeiro disco, “St. Elsewhere”, de 2006, traz “Smiley Face” e a faixa que dá nome ao disco. Ambas são ritmadas, com boas letras e ajudam a quebrar um pouco o frenesi que “Crazy” e “Gone Daddy Gone” despertam e fazem com que todo o mundo se comporte como pipoca em seus shows. Vendeu quase 6 milhões de cópias e jogou a dupla nas alturas, com apresentações pelo mundo todo.

Em 2008, veio o segundo trabalho, “Odd Couple”, para mim melhor tecnicamente que o primeiro, embora bem menos contagiante. Chamo a atenção para as dançantes “Surprise”, “Blind Mary” e “Run” e as cadenciadas “No Time Soon” e “Would Be Killer”.

Confiram mais uma das apresentações ao vivo do Gnarls Barkley, em que cantam “Surprise”. Danger Mouse é o que aparece tocando órgão elétrico, com barbicha e, é claro, bigode. SOM NA CAIXA!

Maestro, qual é a música?

outubro 28, 2009 · Posted in Música · Comment 

por Beto Lyra

Bem, como o Caio convocou a turma para ajudá-lo a encontrar boa música de gente nova, eu me meti a tentar escrever sobre alguns novos intérpretes, que não sei se ele ou vocês já conhecem, mas que creio merecem ser conhecidos e curtidos. Assim, aqui vai a primeira sugestão, que é Melody Gardot, cantora e compositora de jazz e blues norte-americana, de 24 anos. Começou a compor por recomendação médica (neste caso não houve erro médico) como tratamento das sequelas de um acidente com bicicleta que sofreu aos 19 anos (foi atropelada por um desses jipões, que alguns gostam de dirigir como F1).

Gardot tem, eu penso, voz aveludada, misteriosa, no bom estilo de Norah Jones. Lembra algumas vezes Madeleine Peyroux, só pra ficar nas comparações mais recentes. Ela afirma que foi influenciada musicalmente por Janis Joplin, Miles Davis e Stan Getz. Canta enfeitiçando, músicas compostas por ela mesma, em sua maioria. Seu primeiro disco foi “Some Lessons: the bedroom sessions” (2005), na realidade um EP. Das 6 faixas, prefiro “Down My Avenue” e “Cry Wolf”, letra que provavelmente foi escrita ao longo de seu tratamento de recuperação, mostrando decepção com sua lenta melhora.

Em 2006, gravou seu segundo CD, “Worrisome Heart”, um disco super uniforme, mostrando uma cantora que aparentava já ter muita estrada. Nele, eu gosto de todas as canções, mas destaco “Quiet Fire”, “Sweet Memory”, “Goodnite” e a música que dá título ao disco. Lançado apenas em 2008, alcançou rapidamente o 2º lugar no U.S. Billboard Top Jazz.

O terceiro disco, na realidade outro EP, é “Live From SoHo” (2009), que traz seis músicas, todas conhecidas, gravadas exclusivamente para o iTunes.

“My One And Only Thrill”, mais recente trabalho da cantora (2009), tem altos e baixos na minha opinião. Em oposição a faixas travadas, tem canções como “Who Will Confort Me” e “If The Stars Were Mine”, que trazem uma pegada maravilhosa, e “Your Heart Is As Black As Night” em que canta como as melhores intérpretes negras de jazz. Destaco ainda “Over The Rainbown”, a clássica balada gravada por Judy Garland, em 1939. Apesar do desbalanceamento, o disco alcançou novamente o 2º lugar na US Top Billboard, o 1º na Suécia e o 4º na França, além de ser bem vendido na Inglaterra, Holanda, Nova Zelândia e Austrália.

Por aqui, já tem este último CD, mas os anteriores não são fáceis de achar. Ou mandamos importar (e não fica barato) ou esperamos que as gravadoras compreendam que brasileiro também gosta de música boa.

Podem conferir mais uma apresentação ao vivo em que Gardot canta “Who Will Confort Me” (vejam só o bigode/barba do contrabaixista). Aproveitem!

Cadê a nova música?

outubro 16, 2009 · Posted in Música · Comment 

por Caio Ferreira

Embora eu ainda não tenha idade para iniciar conversas com frases como “Antigamente”, ou “No meu tempo”, preciso reconhecer que a evolução tecnológica hoje acontece em velocidade tão grande que coisas que fizeram parte integrante da minha vida por muitos anos viraram pó e desapareceram sem deixar vestígios, dando a impressão que nunca existiram (não, não vou dar exemplos). Isso não me deixa perplexo, ou desorientado, muito pelo contrário. Até que me viro muito bem incorporando essas novidades ao meu dia-a-dia, mas ainda sou adepto do meio “físico” de perceber as coisas.

Exemplificando, posso dizer que o que me leva hoje a comprar um livro ainda são as tradicionais referências de amigos, resenhas de bons críticos em jornais e revistas, só que agora pesquisadas via Internet, e a fundamental folheada nos livros expostos nas livrarias. Da mesma forma, ainda gosto de ir às lojas conhecer os eletro-eletrônicos que depois vou adquirir pela Internet, onde pesquiso produtos e preços.

Outro dia percebi, porém, algumas dificuldades por falta de referências das minhas fontes tradicionais. O caso é que já não consigo descobrir (ou ser apresentado a) novas músicas, feitas por gente jovem. Faz tempo que ando em círculos nesse campo e isso me entristece, pois adoro música.

Rádios hoje em dia não apresentam novidades, só os mesmos artistas conhecidos de sempre. Televisão, nem pensar! Até as novelas da Globo que na década de 70 lançavam artistas novos em trilha sonora de novela (como Ivan Lins com “Madalena”), hoje estão atoladas na mesmice da bossa nova.

É claro que já ouvi falar do My Space, inclusive já frequentei uma época. Mas não me achei lá dentro. Comecei pesquisando por gênero musical, escolhi rock, que imaginei, devia ter muita novidade, mas muita mesmo. Daí abriu uma nova página com as várias vertentes do gênero, antigas e atuais – clássicos, anos 60, 70, stream, trash etc. Nessa hora, afora os campos manjadíssimos, não consegui perceber pelo nome qual gênero era antigo e qual era atual. Escolhi um ao acaso e fui apresentado a uma infinidade de bandas, com videoclip e tudo a que tinha direito. Adorei! A garotada é privilegiada. Tem ferramentas para se produzir de uma forma inimaginável (ou seja, hoje em dia dá pra ser ninguém com muita classe e tecnologia, a um custo baixíssimo). Daí comecei a ver alguns vídeos, ouvir faixas aleatoriamente, mudei de gênero, ouvi mais um pouco, saí do rock, tentei jazz, depois tentei MPB, e nada de encontrar alguma referência que me dissesse o que valia a pena ou não.

Então, cansei de procurar e não achar nada que me agradasse. Percebi que se quisesse encontrar música boa no My Space pelo famoso método de tentativa e erro não ia ter tempo nem para dormir. Por isso, desisti.

Outro problema é que não tenho filhos que me apresentem novidades musicais, mas pelo que meus amigos me contam, os filhos hoje em dia gostam mais dos CDs dos pais.

Enfim, estou perdido e pedindo socorro. Algum de vocês poderia me ajudar a descobrir a música do século 21?


Mudando completamente de assunto, mas aproveitando que estou falando de Internet e tecnologias, preciso dizer que estou assustadíssimo com a tal da tecnologia. Fui comprar remédios para meu irmão que sofreu um acidente de moto e na drogaria me ofereceram o famoso cartão de cliente especial que dá direito a descontos. Como a diferença de preço era grande, aceitei o cartão. Forneci o CPF para o cadastro e quando quis continuar a recitar os demais dados, a funcionária falou que não era preciso, já estava tudo lá na tela. Verdade! RG, endereço, telefone, celular, estado civil etc. Pergunto: A drogaria comprou dados roubados ou a receita federal e/ou os bancos estão vendendo nosso dados cadastrais?

Minas: esquadrão literário X engodo musical

outubro 6, 2009 · Posted in Artes, Literatura, Música · Comment 

por Beto Lyra

A questão é polêmica, eu sei. Mas se eu abordei, em outro post, a Ditadura Baiana que nos tortura constantemente, como não falar um pouco do sofrimento que nos é imposto pelos irmãos músicos mineiros?

Aliás, há diversas questões dos mineiros que não entendo como é que acontecem. A primeira delas diz respeito à Inconfidência Mineira, fato histórico, que marcou a posição de revolta dos residentes no Brasil contra a Coroa. Isso eu entendo claramente. O que não consegui jamais entender é porque os mineiros ficam orgulhosos em serem chamados de Inconfidentes. Ora, inconfidente quer dizer não digno de confiança, inconfiável. Assim, me pareceria mais adequado qualquer outro nome como “revoltosos”, “anti-Coroa” “contra-impostos” ou “social-democrata” (êpa, essa foi demais, desculpem).

A segunda questão é que mineiro, apesar do jeitinho tímido, humilde e matuto, é corajoso e arrojado, orgulhoso, hábil e esperto. Tão esperto e hábil que apesar de o estado nunca ter sido considerado da região nordeste do Brasil, usufruiu das benesses da Sudene, antigo órgão do governo federal responsável por programas que despejavam recursos na recuperação dos estados … nordestinos.

Quero respeitosamente reverenciar o esquadrão literário mineiro, cujos expoentes máximos Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade estão muito bem secundados por Otto Lara Resende, Rubem Fonseca, Affonso Romano de Sant’Anna, Paulo Mendes Campos, Adélia Prado, Fernando Sabino e ia me esquecendo de Hélio Pellegrino, que é até nome de rua em São Paulo.

Bem, mas voltemos ao campo musical. Foi-se o tempo em que a música feita e tocada no Brasil tinha cor e gosto de café com leite. Milton Nascimento e Chico Buarque, por exemplo, fizeram uma dobradinha incrível, com clássicos como “Cálice”, “O que será (à flor da pele) e “Cio da Terra”, mas a dupla parou cedo. Milton, justiça seja feita, fez discos magistrais, entre um porre e outro, nos áureos tempos. Nos últimos quinze anos, no entanto, só desovou músicas de segunda, aliado àquele grupo mineiro de enganadores, como Fernando Brandt, Beto Guedes, Lô Borges e seu irmão Marcio, Tavinho Moura, Toninho Horta e Flavio Venturini. Volta e meia escuto na rádio alguma música de um desses compositores/cantores e a vontade é trocar imediatamente pela “Hora do Brasil”, que pelo menos dá pra dar risada.

Milton Nascimento parece mineiro, e se fez passar por mineiro a vida inteira, deu até as sílabas iniciais de seu nome a um disco “Minas”, afirmando ser sua raiz de verdade. Mas ele nasceu no Rio. Seu pai era dono de uma estação de rádio e assim ele respirou o mundo artístico desde pequeno. Cresceu em Três Pontas, fez bela carreira, lindos discos, carregou esse grupo de enganadores nas costas, mas cansou e esqueceu de parar, aposentar, pendurar chuteiras. Quase como Romário, que foi enganar na 2ª divisão dos EUA, no Tupy de Minas e na Austrália, pra tentar ganhar algum dinheiro e chegar a 1.000 gols. Uma vergonha!

Por causa de Milton tivemos que aguentar aquelas torturantes ladainhas nas duplas que inventava com Mercedes Sosa, Violeta Parra e Victor Jara. Tenho quase certeza que os golpes militares pararam na América Latina (Honduras é a exceção que confirma a regra) pois ninguém mais quer ter que escutar canções de protesto com a trinca acima. Nem os militares, é lógico.

Mas volta e meia Milton reaparece, para tristeza dos que gostavam dele e infortúnio de todos que o assistem. Agora está reduzido a uma figura que eu me atreveria até a comparar àquela fumacinha aterrorizante que aparece de quando em vez na série Lost.

Ditadura baiana

setembro 16, 2009 · Posted in Artes, Cinema, Música · Comment 

por Beto Lyra

O sono corria bem até que fui assolado por imagens de um amigo passando em casa e dizendo “vamos logo, estamos atrasados para o show da Ivete (Sangalo). A reação foi imediata, calafrios seguidos de calores e um leve enjôo. Acordei com a boca seca e agradecendo por não ser realidade o convite. Ou teria eu comprado um ingresso para assistir Ivete Sangalo? Na dúvida, abri um livro para não adormecer novamente e evitar uma eventual continuação da tortura. Consegui. Logo clareou e eu pude enfim contar meu pesadelo para que não se repetisse.

Mas é prudente exorcizar esses demônios. E aqui vai. Tenho verdadeiro medo, paúra mesmo, quando escuto ou vejo qualquer programa moderno em que artistas baianos são impostos aos ouvintes/expectadores. A Bahia já deu, como bem disse Gilberto Gil, régua e compasso a muitos de seus filhos. Talentosos sem dúvida, eles ganharam o mundo, ao menos o Brasil. No campo da música, foram levas de cantores e compositores maravilhosos. Entre eles, eu respeito os inícios de carreiras do próprio Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Gosta, Tom Zé, Dorival Caymmi, Novos Baianos e paro por aqui. Digo início de carreira porque ao longo de tantos anos os talentos se esgotaram, infelizmente, e sobrou apenas muita fama — na última década e meia, uma catástrofe consubstanciada na repetição idiota de que eles são maravilhosos, seus discos excelentes e ai de quem disser que não gosta deles e de sua baianidade. Somos (é, eu me incluo nesse grupo) ridicularizados, afinal eles são deuses. Poucos anos atrás, a mulher de um amigo fez cara de inteligente e declarou o seguinte durante uma festa: “Sábado fui ver o show do Caetano. Ah, é tão bom ouvir Caetano.”

Me afastei desse grupo de risco. Pode ter sido bom ouvir Caetano e outros baianos.  Hoje são pura enganação imposta pela indústria fonográfica e pelos turistas bocós que vão pra Bahia e voltam com fitinha no braço e sotaque local depois de uma semana por lá. Trata-se mesmo de uma ditadura, que como tal é imposta por uma minoria, barulhenta é verdade, mas minoria. Muitos desses artistas endeusam sua Bahia e baianidade, mas moram no Rio e trabalham em São Paulo.

O pior é que temos que engolir tudo o que vem da Bahia, estilos(?) como axé e pagode baiano, e gente como Daniela Mercury, os filhos do Caymmi, Babado Novo, É o Tchan, Raul Seixas (convenhamos, Rock das aranhas só é engraçado quando se tem 17 anos), com as letras do mago da auto-ajuda Paulo Coelho, e Carlinhos Brown. Porém, pior mesmo, é o que nem é de lá mas diz que é, como Claudia Leitte e Preta Gil.

Deixei de lado, de propósito, João Gilberto, considerado gênio da música brasileira. Concordo que ele seja gênio, mas aí pergunto: que tipo de gênio? Ora, esse compositor/cantor(?) tratou a todos como imbecis e fez dinheiro interpretando “o pato, vinha cantando alegremente, quém, quém”, com vozinha de criança, e dando esporro ao vivo nos produtores de seus shows por causa do som, do ar-condicionado, do serviço de garçon etc.

Os poucos que se arriscaram a falar contra essa ditadura baiana, como Lobão fez ao dizer que era ridícula a interpretação de Caetano quando tremia o queixo ao cantar “cucurucucúuuuuu, Palomaaaaa…, foram criticados e/ou perseguidos.

Em outras áreas das artes, como o cinema, a ditadura baiana impôs Glauber Rocha, que fez uma dezena de filmes, que todos na época fingiam compreender, para poder dizer: Ah, é tão bom ver Glauber.

Na literatura, o expoente sem dúvida foi Jorge Amado, com obra riquíssima e instigadora, reveladora dos costumes e problemas da Bahia. Genial! Ganhou merecido lugar entre os imortais da Academia Brasileira de Letras. Quando morreu, porém, a ditadura baiana impôs para sucedê-lo a viúva Zélia Gattai, uma mulher sensível, companheira e que escreveu uns três livros de memórias. E ai de quem criticasse ou ousasse querer disputar com ela a cadeira de Jorge.

Por último, deixei para falar um pouco mais dos outrora grandes artistas que, mesmo ricos, não se cansam de mamar nas fontes de recursos do Estado. Cansados mesmo eles ficaram de ouvir críticas, cantar por amor ao ofício, de ganhar menos daqueles que só podem pagar menos para vê-los. Nos últimos meses, Caetano e Gil, separadamente, foram buscar recursos limitados da Lei Rouanet, que se não fossem canalizados para shows de ambos poderiam irrigar muitos projetos de gente iniciante, que não tem como concorrer com esses monstros sagrados na busca de patrocínios junto a empresas. Ora, se querem ser populares, que reduzam de vez em quando os preços dos ingressos de seus shows.

Finalmente, para consolo, há quem defenda a tese de que os artistas baianos são em menor número do que se pode precipitadamente acreditar. Explico: segundo essa tese, Caetano e Bethânia são a mesma pessoa. Pois é, depois que tomei conhecimento disso, esperançoso passei a notar a exagerada semelhança entre eles e jamais, acreditem, vi os dois juntos em um mesmo local.

Em tempo: em defesa da classe musical baiana, devo esclarecer que Jorge Mautner, que se mete a tocar violino e é um horror, embora pareça filhote da ditadura baiana, não é baiano, mas carioca.